21.5 C
Brasília
sábado, março 14, 2026

Cientistas conseque fazer upload do cérebro de uma mosca para o metaverso

- Advertisement -spot_imgspot_img
- Advertisement -spot_imgspot_img

Resumo da notícia

  • Cérebro de mosca funciona dentro de simulação digital.

  • Experimento cria ciclo completo entre cérebro e corpo virtual.

  • Tecnologia pode abrir caminho para simulações cerebrais maiores.

Se você acha que o metaverso estava morto, pois bem… ele pode estar mais vido do que nunca. Cientistas afirmaram ter conseguido fazer ‘upload’ do cérebro completo de uma mosca e fazê-lo controlar um corpo virtual dentro de uma simulação física.

Traduzindo… eles afirmam que conseguiram fazer um upload de todas as informações do cérebro da mosca para uma avatar no computador que, após receber o upload com os dados da mosca da vida real, passou a ter o mesmo comportamento que ela teria fora da Matrix.

O experimento foi conduzido por pesquisadores da empresa de biotecnologia Eon Systems PBC, que demonstraram o que descrevem como a primeira emulação funcional de um cérebro completo capaz de gerar comportamentos múltiplos em um ambiente virtual.

O avanço tem origem em um estudo publicado em 2024 na revista científica Nature. Na pesquisa, cientistas liderados pelo pesquisador Philip Shiu, da Eon Systems, criaram um modelo computacional completo do cérebro da mosca Drosophila melanogaster, conhecida como mosca-das-frutas.

O modelo digital contém mais de 125 mil neurônios e cerca de 50 milhões de conexões sinápticas, reproduzindo a estrutura real do cérebro do inseto.

Este mapa mostra a localização e o arranjo precisos dos 50 maiores neurônios do conectoma cerebral da mosca. Esses 50 neurônios, juntamente com outras 139.205 células cerebrais no cérebro de uma mosca-da-fruta adulta, foram meticulosamente mapeados por uma equipe de neurocientistas,

Para construir essa cópia virtual, os pesquisadores utilizaram o FlyWire connectome, um mapa detalhado das conexões neurais do cérebro da mosca.

A base desse mapa veio de um trabalho científico monumental. Pesquisadores fatiaram o cérebro do inseto em cerca de 7 mil lâminas microscópicas e fotografaram cada uma delas com microscópios eletrônicos.

Depois disso, algoritmos de inteligência artificial rastrearam cada neurônio e cada ligação entre eles. Como a IA cometeu erros ao identificar algumas conexões, cientistas e voluntários do mundo inteiro ajudaram a revisar manualmente o mapa neural.

O resultado final foi o primeiro diagrama completo do cérebro de um animal com esse nível de detalhe. Segundo os pesquisadores, o modelo digital conseguiu prever o comportamento motor da mosca com até 95% de precisão.

No entanto, o cérebro virtual ainda não controlava um corpo. Era, na prática, apenas uma simulação isolada de atividade neural.

O primeiro ‘ser vivo’ no metaverso

O novo experimento levou esse conceito um passo adiante. Os pesquisadores integraram o cérebro digital ao sistema NeuroMechFly v2, uma plataforma que simula com precisão a anatomia e os movimentos de uma mosca em um ambiente físico virtual.

Essa integração ocorreu dentro do motor de simulação MuJoCo, amplamente utilizado em pesquisas de robótica e inteligência artificial. Com isso, os cientistas criaram um ciclo completo de percepção e ação.

O sistema funciona da seguinte forma:

  1. O ambiente virtual envia estímulos sensoriais ao cérebro digital.

  2. Os neurônios processam essas informações dentro do modelo computacional.

  3. O cérebro emulado gera comandos motores.

  4. O corpo virtual executa os movimentos correspondentes.

Em outras palavras, o cérebro digital passa a “viver” dentro de um corpo virtual, reagindo ao ambiente e produzindo comportamentos diferentes.

De acordo com Alexander D. Wiessner-Gross, cofundador da Eon Systems, a demonstração não utiliza animação nem algoritmos de aprendizado por reforço que imitam comportamento.

Segundo ele, o sistema usa uma réplica do cérebro real construída a partir de dados biológicos, conectando neurônios digitalmente da mesma forma que eles estão organizados no organismo original.

De acordo com ele, isso diferencia o experimento de projetos anteriores. Simulações anteriores conseguiram reproduzir corpos virtuais sem cérebros reais ou cérebros simplificados sem corpos.

Outros organismos também foram simulados digitalmente, como o verme C. elegans, mas seu sistema nervoso possui apenas cerca de 302 neurônios, muito menos que o cérebro da mosca.

Próximo passo: cérebro de camundongo e, no futuro, humano

Os pesquisadores afirmam que a mosca representa apenas o primeiro passo. A equipe agora pretende criar uma emulação digital completa do cérebro de um camundongo, que possui cerca de 70 milhões de neurônios, aproximadamente 560 vezes mais do que o cérebro da mosca.

Para isso, cientistas estão reunindo grandes volumes de dados sobre conexões neurais e atividade cerebral. Entre as técnicas utilizadas estão microscopia de expansão, que permite mapear conexões neuronais com alta resolução, e registros de atividade elétrica em larga escala.

A longo prazo, alguns pesquisadores acreditam que esses avanços podem ajudar a compreender melhor o funcionamento do cérebro e doenças neurológicas. Os cientistas também apontam que a chamada connectômica, área que estuda o mapeamento das conexões neurais, pode transformar profundamente a neurociência.

Segundo Sebastian Seung, professor de neurociência e ciência da computação em Princeton, entender completamente o funcionamento de um cérebro, mesmo que seja o de um inseto, pode revelar princípios fundamentais que se aplicam a outros organismos.

Apesar do entusiasmo científico, pesquisadores ressaltam que simular um cérebro humano completo ainda está muito além das capacidades tecnológicas atuais.

O cérebro humano possui cerca de 86 bilhões de neurônios e trilhões de conexões, o que exigiria volumes gigantescos de dados e poder computacional.

No entanto, esta foi a pela primeira vez que cientistas demonstraram um cérebro biológico reproduzido digitalmente que controla um corpo dentro de uma simulação física, aproximando conceitos de neurociência e computação que antes pareciam distantes.

A Cointelegraph está comprometida com um jornalismo independente e transparente. Este artigo de notícias é produzido de acordo com a Política Editorial da Cointelegraph e tem como objetivo fornecer informações precisas e oportunas. Os leitores são incentivados a verificar as informações de forma independente. Leia a nossa Política Editorial https://br.cointelegraph.com/editorial-policy



[Fonte Original]

- Advertisement -spot_imgspot_img

Destaques

- Advertisement -spot_img

Últimas Notícias

- Advertisement -spot_img