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quarta-feira, março 25, 2026

Visa movimentou mais de US$ 4,5 bilhões em stablecoins, revela VP do Brasil

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A integração entre stablecoins, blockchain e redes tradicionais de pagamento deixou de ser apenas uma promessa disruptiva e passou a ganhar forma concreta dentro do sistema financeiro global. Essa é a avaliação de Eduardo Abreu, vice-presidente de Novos Negócios da Visa no Brasil.

Em uma entrevista ao Cointelegraph Brasil, Abreu apontou uma grande mudança de fase no mercado cripto, marcada menos pela ruptura e mais pela convergência tecnológica. Segundo o executivo, o setor atravessa um momento de amadurecimento.

“Eu não diria que deixou de ser uma revolução, mas certamente entrou em uma fase mais madura”, afirmou. Ele explica que, como ocorre com outras inovações, o impacto mais relevante aparece quando essas tecnologias se integram à infraestrutura já existente.

Nesse contexto, as stablecoins surgem como um dos principais vetores dessa transformação. Abreu destaca que esses ativos trazem vantagens claras, como liquidação digital nativa, programabilidade e maior eficiência, especialmente em pagamentos internacionais. Ao mesmo tempo, ele reforça que não há substituição direta dos sistemas atuais, mas sim uma evolução.

“Não é uma substituição, mas uma evolução da infraestrutura financeira, em que diferentes tecnologias passam a coexistir e se complementar”, disse.

A própria Visa tem atuado nesse movimento de integração. De acordo com o executivo, a companhia já conectou novos trilhos baseados em blockchain ao sistema financeiro global, buscando garantir interoperabilidade e escala. Esse avanço já aparece nos números: até dezembro de 2025, a empresa atingiu US$ 4,5 bilhões em volume anual de liquidação com stablecoins.

Pix reforça tendência de pagamentos em tempo real

Ao analisar o cenário brasileiro, Abreu aponta o Pix como um exemplo claro de como a combinação entre infraestrutura aberta e experiência simples pode acelerar a adoção de novas tecnologias. Em poucos anos, o sistema transformou o país em um dos mercados mais avançados em pagamentos digitais.

“O Pix mostrou que, quando você combina infraestrutura aberta, interoperabilidade e uma experiência simples para o usuário, a adoção pode acontecer muito rápido”, afirmou.

No entanto, essa digitalização também traz novos desafios. Com pagamentos instantâneos e em larga escala, a segurança ganha ainda mais relevância. Abreu ressalta que confiança se tornou um dos pilares centrais das redes financeiras modernas.

A evolução não se limita à infraestrutura. Para Abreu, o avanço da tokenização e dos contratos inteligentes também está transformando o próprio modelo de negócios do setor financeiro.

“Muda mais do que a tecnologia. Muda também o modelo de negócios”, afirmou. Ele explica que o conceito de dinheiro programável permite que pagamentos executem regras automaticamente, eliminando etapas manuais e criando novas possibilidades de serviços financeiros.

Essa lógica abre espaço para experiências mais sofisticadas no comércio digital, além de maior eficiência operacional. “O dinheiro passa a ser um software programável”, resumiu o executivo.

Apesar disso, ele pondera que a adoção em larga escala depende da capacidade de conectar essas inovações ao sistema global existente. Nesse ponto, a Visa busca atuar como uma ponte entre o mundo tradicional e o ambiente on-chain.

Convergência deve definir o futuro dos pagamentos

Ao olhar para os próximos dez anos, Abreu descarta um cenário de competição direta entre tecnologias. Em vez disso, ele projeta um modelo híbrido, no qual diferentes infraestruturas convivem e se complementam.

“O cenário mais provável não é a vitória de uma tecnologia sobre a outra, mas sim a convergência entre diferentes infraestruturas”, afirmou.

Nesse modelo, blockchain, stablecoins, moedas digitais e redes tradicionais devem atuar de forma integrada, com cada tecnologia sendo utilizada conforme a necessidade de cada tipo de transação.

A estratégia da Visa segue essa visão. A empresa aposta no conceito de “rede das redes”, conectando cartões, transferências instantâneas, ativos tokenizados e soluções baseadas em blockchain dentro de uma mesma estrutura.

Ainda segundo Abreu, o fator decisivo não será a tecnologia em si, mas a experiência do usuário. “O que vai dominar é a capacidade de tornar os pagamentos cada vez mais simples, seguros e invisíveis”, concluiu.

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[Fonte Original]

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