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terça-feira, março 10, 2026

Ultrapar (UGPA3) comprará fatia na Rumo (RAIL3)? O que o mercado pensa de negociações

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As discussões para que a Ultrapar (UGPA3), em conjunto com a Perfin, adquira uma participação na Rumo (RAIL3) avançaram, segundo informações da Bloomberg.

As negociações ainda estariam em fase preliminar, com termos como tamanho e estrutura da operação ainda em definição —e com expectativa de que a Perfin assuma uma fatia menor.

Conforme destaca o Bradesco BBI, desde 2025, novos acionistas ingressaram na estrutura de controle da Cosan (CSAN3) e, desde então, o mercado passou a especular sobre possíveis desinvestimentos, incluindo a venda de participação na Rumo.

Viva do lucro de grandes empresas

Paralelamente, também surgiram discussões sobre potenciais movimentações societárias envolvendo ativos da Ultrapar, o que intensificou a percepção de que a companhia poderia buscar adquirir a fatia da Cosan.

Entre os cenários analisados, destaca-se a possibilidade de aquisição inicial de 10% da posição, movimento que levaria os compradores a se aproximarem do limite da poison pill, hoje definido em 15%. Esse mecanismo estatutário determina que, caso um investidor ultrapasse determinado percentual de participação, é obrigatória a realização de uma OPA (fechamento de capital) aos demais acionistas a um preço mínimo pré-estabelecido.

No caso da Rumo, esse preço seria definido pelo maior valor entre quatro critérios: (i) maior preço de emissão dos últimos 24 meses, corrigido pelo IPCA (não aplicável, pois não houve emissão no período); (ii) média ponderada das cotações dos últimos 90 dias; (iii) múltiplo de 6 vezes o EV/Ebitda (valor da empresa/lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) com base na média do Ebitda dos últimos dois anos; ou (iv) laudo de avaliação econômico elaborado por empresa independente.

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Considerando apenas os critérios aplicáveis (ii) e (iii), o intervalo estimado para o preço da poison pill (“pílula” que protege acionistas da mudança de controle em uma empresa) fica entre R$ 19,30 e R$ 21,30 por ação, equivalente a um prêmio de 21% a 34% sobre o último fechamento. O teto desse intervalo considera a dívida líquida reportada no 4T25, embora o valor possa ser ajustado caso se incluam passivos adicionais, como arrendamentos e obrigações regulatórias —o que pressionaria o preço para baixo.

O BBI trabalha com o cenário-base de aquisição de uma participação de aproximadamente 10% pertencente à Cosan, movimento que colocaria Ultrapar e Perfin próximos ao limite estatutário, mas com espaço para negociação societária.

“Acreditamos que esse desfecho seria mais prováveldo que uma transação integral de participação, que poderia levantar discussões sobre tag along —tema que não vemos como central neste momento”, aponta.

Os analistas do BBI reforçam que continuam otimistas com a tese operacional da Rumo, especialmente diante da maior visibilidade sobre preços e volumes esperados para 2026. A visão segue construtiva para o papel, com recomendação de Compra e preço-alvo de R$ 21,00.

Já para a XP, embora essas movimentações estratégicas permaneçam dentro do campo das possibilidades, considera as notícias de hoje positivas para a Rumo. “Em nossa opinião, elas proporcionam maior visibilidade à potencial intenção da Cosan de reduzir sua participação na empresa, o que tem sido um fator negativo para as ações desde que os primeiros rumores surgiram”, avalia.

Além disso, vê outros aspectos positivos para a Rumo, uma vez que as notícias: (i) sugerem a existência de um potencial comprador para um bloco considerável de ações da Rumo, (ii) reforçam nossa visão construtiva sobre o caso de investimento da Rumo e (iii) indicam a possível entrada de acionistas estratégicos com um histórico sólido e conhecimento relevante (Ultrapar e Perfin).

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No entanto, continua a ver incertezas quanto à estrutura de uma potencial transação, considerando (i) os estatutos da Rumo, que incluem uma cláusula de defesa contra aquisições hostis para investidores que ultrapassem o limite de 15%, e (ii) a possibilidade de acionar uma oferta pública de aquisição, visto que a Rumo está listada sob as regras do Novo Mercado da B3.

[Fonte Original]

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