Uma obra comum de infraestrutura acabou revelando um vestígio raro do passado europeu. Durante escavações para instalação de esgoto na Holanda, neste mês de março, operários encontraram uma grande viga de madeira que despontava do solo, peça que especialistas agora investigam como possível fragmento de um navio viking com até 1.300 anos.
A descoberta, na região da cidade de Wijk bij Duurstede, chamou a atenção do arqueólogo amador Danny van Basten, voluntário da ArcheoTeam Wijk bij Duurstede, que reconheceu o potencial histórico do achado e acionou equipes especializadas. Técnicos da Stichting Beheer Vikingschip e do Museum Dorestad foram mobilizados para avaliar o material.
Estrutura pode ter feito parte de embarcação
Segundo o especialista em construção naval Kees Sterrenburg, o formato, os entalhes e o acabamento da peça indicam que ela pode ter integrado a estrutura de uma embarcação. A viga mede cerca de 3,2 metros de comprimento e 30 centímetros de espessura, embora haja indícios de que originalmente fosse ainda maior.
A análise preliminar, baseada na localização e na presença de fragmentos de cerâmica nas proximidades, sugere que o objeto possa remontar ao período carolíngio, entre os séculos VIII e IX. Ainda assim, uma origem posterior não está descartada: especialistas consideram a hipótese de a madeira pertencer a um navio de coca, o que apontaria para uma data próxima ao ano 1300.
Veja fotos do famoso jardim de tulipas de Keukenhof, na Holanda
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Jardim de tulipas no parque Keukenhof, em Lisse, perto de Amsterdã, na Holanda — Foto: Nick Gammon / AFP
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Visitantes observam jardim em homenagem aos 75 anos do parque Keukenhof, em Lisse, perto de Amsterdã, nos Países Baixos — Foto: Nick Gammon / AFP
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Um casal tira fotos em frente a um jardim de tulipas no parque Keukenhof, em Lisse, perto de Amsterdã, nos Países Baixos — Foto: Nick Gammon / AFP
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Uma visitante posa ao lado de um jardim de tulipas no parque Keukenhof, em Lisse, perto de Amsterdã, nos Países Baixos — Foto: Nick Gammon / AFP
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Uma visitante caminha por entre os jardins do parque Keukenhof, em Lisse, perto de Amsterdã, nos Países Baixos — Foto: Nick Gammon / AFP
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Tulipas do jardim de Keukenhof, em Lisse, nos arredores de Amsterdã, nos Países Baixos — Foto: Nick Gammon / AFP
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Visitantes caminham por entre os jardins do parque Keukenhof, em Lisse, perto de Amsterdã, nos Países Baixos — Foto: Nick Gammon / AFP
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Uma visitante passeia por uma trilha no lago do parque Keukenhof, em Lisse, perto de Amsterdã, na Holanda — Foto: Nick Gammon / AFP
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Tulipas do jardim de Keukenhof, em Lisse, nos arredores de Amsterdã, nos Países Baixos — Foto: Nick Gammon / AFP
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Jardim de tulipas no parque Keukenhof, em Lisse, perto de Amsterdã, na Holanda — Foto: Nick Gammon / AFP
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Jardins de tulipas e outras flores no parque Keukenhof, em Lisse, perto de Amsterdã, nos Países Baixos — Foto: Nick Gammon / AFP
Parque fica na cidade de Lisse, nos arredores de Amsterdã, e estará aberto à visitação até 12 de maio de 2024
Coordenadora da investigação, a arqueóloga municipal Anne de Hoop classificou o achado como raro em níveis local e nacional. Segundo ela, a peça será submetida a um processo de limpeza e análise dos anéis de crescimento da madeira, técnica que pode indicar com maior precisão sua idade. O procedimento deve levar vários meses.
Para evitar danos causados pela secagem, a viga foi cuidadosamente embalada e retirada do local. A área da descoberta também levanta hipóteses entre os pesquisadores, que avaliam se o fragmento pode ter sido transportado por um antigo canal antes de chegar à costa.
A repercussão do achado mobilizou autoridades locais. A prefeita Petra Doornenbal e o vereador Bert Lubbinge visitaram o local, enquanto o vereador Arne Schaddelee interrompeu uma reunião provincial ao ser informado sobre a descoberta. O Museum Dorestad já manifestou interesse em exibir o objeto futuramente.
Originários das regiões que hoje correspondem à Dinamarca, Noruega e Suécia, os vikings protagonizaram um período histórico entre aproximadamente 700 e 1100 d.C. O termo “viking”, derivado do nórdico antigo, está associado a expedições marítimas, muitas vezes de caráter militar.
Apesar da fama de saqueadores, esses povos também se destacaram como agricultores, artesãos e comerciantes, estabelecendo rotas que conectavam diferentes partes da Europa e além. Seus ataques a mosteiros cristãos, considerados alvos ricos e vulneráveis, marcaram o início de uma expansão que incluiu a ocupação de territórios na Grã-Bretanha e a fundação de assentamentos em regiões como a Irlanda.
Agora, a viga encontrada na Holanda pode oferecer uma nova peça nesse quebra-cabeça histórico, ajudando a compreender melhor a presença e as rotas desses navegadores no continente europeu.