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terça-feira, abril 7, 2026

Transição energética impulsiona parceria

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As mudanças climáticas não param enquanto o mundo enfrenta guerras, imprevisibilidade no comércio global e demais estresses geopolíticos atuais, advertiu o economista Jorge Arbache em debate sobre transição energética e minerais críticos no “Summit Valor Brasil-China 2026”, realizado em Xangai em 25 de março. Mas, até mesmo pelos riscos gerados por tal conjuntura, a descarbonização abre aos dois países a oportunidade única de liderar essa agenda.

“O que virá amanhã não tem a ver só com a geopolítica, mas também com as mudanças climáticas, que provavelmente provocarão ainda mais fenômenos extremos e disrupções nas cadeias de suprimentos e nas cadeias de valor”, afirmou Arbache, professor da Universidade de Brasília e senior fellow do Instituto Clima e Sociedade (ICS).

Ele considera que os dois países têm calibre para abrir, como uma “infantaria”, corredores verdes no mundo para a expansão de negócios, dada a complementaridade entre o Brasil e a China na seara da transição energética. O resultado, acentuou, seria o protagonismo dessa parceria na maior agenda de negócios da próxima década – estimada em US$ 100 trilhões a US$ 280 trilhões até 2050.

O fato de Brasil e China, individualmente, priorizarem suas políticas climáticas e de transição para uma economia sustentável traz mais impulso a tal aliança. Os investimentos chineses em setores cruciais para a transição energética do Brasil e os embarques brasileiros de insumos minerais para a produção de baterias para veículos a painéis solares e turbinas eólicas pela China prenunciam um potencial abraço para o desenvolvimento de novas tecnologias.

Existem experiências já forjadas pelos setores privados de lado a lado. A Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), centrada em exploração e agregação de valor ao nióbio em Araxá (MG) e presente na China há 47 anos, deu um salto em seu crescimento ao apostar na liga ferro-nióbio – insumo que contribui para a redução das emissões de CO2 da siderurgia do Brasil e da China e de setores consumidores do chamado aço verde, como a construção civil.

Atualmente, a empresa desenvolve outro insumo imprescindível para a nova indústria, o óxido de nióbio, para futura entrega a diversos segmentos produtivos, entre os quais o de baterias de alta performance. Para Ricardo Lima, CEO da CBMM, não seria inusitada a fabricação de baterias similares no Brasil – desde que um mercado venha a surgir, mesmo que induzido por políticas públicas.

“Na China, quando a gente senta com um grande cliente, duas perguntas vêm antes daquelas sobre preço e condição de pagamento. A primeira: o que você está fazendo para reduzir a sua emissão de CO2? A segunda: o que o seu produto pode fazer para me ajudar a reduzir as minhas?”, disse.

Na outra mão, a Hexing Electrical consolidou-se como detentora de 60% do mercado brasileiro de medidores inteligentes de energia, fabricados em sua planta de Fortaleza (CE). Segundo Shelley Wang, diretora para o Brasil da multinacional chinesa, a atuação abarca também a “reconstrução do sistema elétrico” do país, a partir da fabricação em Manaus (AM) de equipamentos de armazenamento de energia solar e de inversores, necessários para a integração plena dessa fonte nas linhas de distribuição brasileiras. “Queremos ser grandes fornecedores de tecnologia para o setor de energia sustentável e trazer nosso conhecimento para o Brasil e a América Latina.”

A Vale, cujo primeiro escritório na China data de 1994, avalia que as agendas de transição energética e de minerais críticos conversam entre si. A primeira é fundamental para a segunda, lembrou Marcelo Sampaio, diretor executivo de assuntos jurídicos e institucionais da Vale Minerals China. Conforme explicou, a empresa hoje apresenta-se neste seu principal mercado – e nos demais – com a garantia de que 100% de suas operações de produção de minério de ferro e cobre alimentam-se de fontes renováveis.

“Brasil e China são mais do que dois parceiros nessa agenda de transição energética e sustentabilidade. São arquitetos, de fato, das soluções que nós podemos entregar para o mundo”, declarou. “Há investimento real na agenda verde gerando resultado não só para a nossa companhia, mas especialmente para a relação Brasil-China.”

O financiamento de projetos para redução de emissões de CO2 e em áreas de mútuo benefício tem encontrado interesse de instituições financeiras de lado a lado. O Asian Infrastructure Investment Bank (AIIB), banco multilateral sediado em Pequim, alavancou US$ 1,7 bilhão em projetos de transporte de baixo carbono, de conexão de energias renováveis à rede de transmissão elétrica e de em biocombustíveis no Brasil nos últimos três anos.

Segundo Han Zhao, oficial sênior de investimentos do AIIB, o apoio ao setor brasileiro de minerais críticos e a projetos da indústria manufatureira está nos planos da instituição para os próximos cinco anos, assim como no segmento de combustível verde para a aviação. “O financiamento dos minerais críticos seguirá nossos padrões rigorosos, como ocorreu com os biocombustíveis. Mas será o novo setor do AIIA.”

[Fonte Original]

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