O dólar à vista terminou o pregão desta quinta-feira perto da estabilidade, no terceiro dia seguido em movimento de baixa expressividade. Ainda que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tenha anunciado em suas redes sociais um cessar-fogo entre Israel e Líbano com duração de dez dias, os preços do petróleo continuaram em alta e a percepção de risco manteve pressão, ainda que marginal, na maior parte dos mercados globais de câmbio. As exceções foram algumas moedas ligadas a preços de commodities, como a coroa norueguesa, o dólar canadense e o peso colombiano.
O real apagou a alta na reta final do pregão, após falas do presidente americano, Donald Trump, sobre um possível acordo com o Irã, mesmo operadores mencionando espaço para um ajuste de posições, com chances de correção da recente valorização da moeda brasileira. A sensibilidade do real aos preços do petróleo e o diferencial de juros favoráveis à moeda podem ter continuado a proteger o câmbio doméstico nesta sessão.
Encerradas as negociações desta quinta-feira, o dólar à vista oscilou +0,02%, cotado a R$ 4,9928, depois de ter encostado na mínima de R$ 4,9853 e batido na máxima de R$ 5,0143. Já o euro comercial recuou 0,13%, a R$ 5,8821. Perto das 17h10, no exterior, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, apreciava 0,16%, aos 98,213 pontos.
Desde o começo do pregão, o dólar à vista exibiu valorização, numa possível exaustão do movimento de alta do real das últimas seis sessões. Operadores entenderam que, após a apreciação sequencial do câmbio brasileiro, criou-se espaço para uma realização de lucros e, por isso, ajustes eram esperados neste pregão. A divisa americana, no entanto, perdeu ímpeto em meio à notícia de Trump sobre um cessar-fogo de dez dias entre Israel e Líbano pela manhã, e depois, à tarde, quando ensaiou uma nova alta frente ao real, voltou a desfazer o movimento com possível acordo entre EUA e Irã.
O banco francês Société Générale diz, em nota, que o real segue em destaque, rompendo de forma decisiva o nível psicológico de R$ 5,00 por dólar pela primeira vez em dois anos. “A moeda se beneficia de seu duplo papel como exportadora líquida de petróleo e proxy de commodities; dos impactos limitados do conflito no Oriente Médio; e de um forte diferencial de juros, com a Selic em 14,75%”, dizem.
Segundo o banco, o real, com retorno de +9,7% no ano no mercado à vista, está bem à frente de seus pares emergentes, com apenas o florim húngaro aparecendo como um distante segundo lugar. “O desempenho superior é ainda mais evidente no mercado de ações: o Ibovespa sobe 23,3% no ano (+35,6% em dólares), superando com folga os principais mercados acionários globais”, afirmam, acrescentando que a política também adiciona um impulso neste ano eleitoral. “A pesquisa mais recente da Genial/Quaest mostra Flávio Bolsonaro ligeiramente à frente do presidente Lula em um eventual segundo turno em outubro (42% contra 40%), reforçando o viés otimista para o real.”
O banco lembrou que, ontem, o Brasil emitiu seu primeiro eurobond (5 bilhões de euros) desde 2014. “O que ilustra a confiança no status e nas perspectivas do país.”