Trabalhar diretamente com Elon Musk é uma experiência de extremos, disse Jon McNeill, ex-presidente da Tesla, ao jornal The Washington Post, em reportagem publicada nesta segunda-feira (6).
Atual conselheiro da General Motors e Lululemon, McNeill publicou o livro “The Algorithm: The Hypergrowth Formula That Transformed Tesla, Lululemon, General Motors, and SpaceX” (O Algoritmo: A Fórmula de Hipercrescimento que Transformou a Tesla, a Lululemon, a General Motors e a SpaceX, numa tradução livre), no qual detalha o cenário de alta pressão que é trabalhar com o bilionário.
McNeill afirmou ao jornal que Musk tem uma reputação “bem merecida” de ser uma pessoa difícil, um personagem imprevisível propenso a demissões em meio a “ataques de raiva”.
O então presidente da Tesla entre 2015 e 2018 afirmou que, com Musk, as formas convencionais de pensar podiam levar alguém a “problemas sérios”, enquanto a tomada de riscos muitas vezes era “recompensada”. Isso, ainda de acordo com McNeill, deixava os executivos da Tesla numa situação “delicada”, tendo que navegar por um equilíbrio “precário”.
O ex-presidente da Tesla afirmou ao jornal que, muitas vezes, as decisões que poderiam levar aos maiores sucessos da Tesla eram aquelas que apresentavam potencial de grande perda. McNeill disse que adotou uma estratégia de permitir tais riscos, desde que fossem reversíveis, uma “porta de mão dupla”.
McNeill afirmou ainda ao jornal que precisava permitir essa flexibilidade, pois Musk valorizava na Tesla a velocidade, buscando vantagem competitiva por meio da rapidez. “Nossa vantagem competitiva virá da tomada de decisões mais rápidas do que qualquer outra pessoa”, Musk costumava dizer, de acordo com McNeill.
“Elon observava a qualidade das decisões tomadas… e decidia se podia ou não, em suas palavras, confiar no seu julgamento (…) Se você acertasse mais do que errasse, então você estava seguro”, afirmou McNeill ao The Washington Post. “Mas se… seus erros estivessem causando danos, era aí que ele [Musk] agia muito rapidamente”, disse.
Ao jornal, McNeill diz ter adotado uma estratégia peculiar. Ao invés de focar sua atenção em atribuições tradicionais, ele passou a prestar atenção nos interesses de Musk e aprendeu “a ‘viver’ de acordo com a motivação principal do seu chefe, tentando liberar o tempo dele”.
“Quando perguntei [a Musk] o que seria sucesso para ele… ele disse: ‘Sucesso é me permitir trabalhar na Tesla apenas um dia por semana para que eu possa voltar ao meu primeiro amor, que são os foguetes’”, afirma McNeill.
*Estagiário sob supervisão de Diogo Max