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quarta-feira, abril 15, 2026

Trump eleva risco de pior cenário para economia global

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A economia global corre o risco de desacelerar para o ritmo mais fraco de crescimento desde a pandemia de covid-19, em consequência da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, que provocou o pior choque na oferta de petróleo desde 1973, segundo o mais recente Panorama Econômico Mundial (WEO) do Fundo Monetário Internacional (FMI). A guerra também ameaça a estabilidade financeira global, embora os investidores se mostrem complacentes e sigam apostando em um desfecho positivo para o conflito no Oriente Médio — ignorando as vulnerabilidades no sistema financeiro que poderiam ser expostas por um choque mais prolongado. O bloqueio americano do Estreito de Ormuz, que começou na segunda-feira, adicionou mais uma camada de incerteza sobre a retomada do comércio de petróleo, gás e derivados por meio dessa via, por onde antes passavam 20% do fluxo global dessas mercadorias.

Os impactos da guerra no Oriente Médio são cada vez mais palpáveis ao redor do globo. Alguns dos países mais pobres do mundo correm agora o risco de precisar de resgates do FMI, e espera-se que solicitem apoio para lidar com a alta nos preços da energia e no custo dos fertilizantes. O Fundo estima que cerca de metade da alta nos preços dos fertilizantes se transforme em aumento nos preços dos alimentos após 12 meses.

O choque nos preços do petróleo — que saiu ao redor de US$ 70 por barril antes da guerra para em torno de US$ 100 — fez a Agência Internacional de Energia (AIE) reduzir sua previsão para a demanda global este ano para 104,26 milhões de barris por dia, uma queda anual de 84 mil b/d. Em março, a previsão era de um aumento de 644 mil b/d. Os cortes mais profundos vêm da região da Ásia-Pacífico.

“O bloqueio do Estreito de Ormuz desestabilizou as cadeias de suprimentos para a Ásia”, com os produtos petroquímicos “no centro da destruição da demanda”, segundo a AIE. “Nafta, GLP e etano foram os produtos que sofreram a destruição de demanda mais evidente. Os impactos mais severos foram observados no Oriente Médio e na Ásia, mas os efeitos colaterais se espalharão para produtores em todas as regiões”, acrescentou a agência. No comércio, o impacto estimado é uma desaceleração no ritmo de crescimento em volume de 5,1% em 2025 para 2,8% este ano, segundo o FMI, bem abaixo da taxa de 4,1% estimada em janeiro.

A escalada militar em curso no Oriente Médio coloca dezenas de milhões de pessoas em risco de cair na pobreza em 162 países, de acordo com novas projeções do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Embora os impactos estejam concentrados nos países diretamente afetados pelo conflito e naqueles dependentes de energia importada, a agência aponta danos significativos a longo prazo em países mais pobres, distantes dos combates.

Com a guerra em sua sexta semana, e apesar do cessar-fogo frágil e temporário, os impactos estão evoluindo de uma fase “aguda” para uma fase “duradoura”. Quanto mais tempo essa fase continuar, maior será o risco de aceleração do aumento da pobreza em países vulneráveis, revela o relatório. No pior cenário, mais 32 milhões de pessoas podem ser empurradas para a pobreza.

“A guerra é o desenvolvimento ao contrário. Um conflito pode desfazer em semanas o que os países construíram ao longo de anos”, segundo Alexander De Croo, Administrador do Pnud e subsecretário-geral da ONU.

“A cada dia que passa, o risco econômico aumenta cada vez mais”, disse o economista-chefe do FMI, Pierre-Olivier Gourinchas, ao Financial Times.

Se as perturbações provocadas pela guerra persistirem muito, o crescimento econômico mundial poderá cair para cerca de 2% em 2026, uma taxa vista apenas durante as duas grandes crises deste século: a financeira global de 2008 e a covid em 2020. Nesse cenário, o mais “grave” do FMI, a inflação global poderia atingir 6%. Mesmo se o conflito no Oriente Médio acabar rapidamente, o estrago na economia global já está feito. Nesse cenário, que seria o “de referência”, a produção global poderia crescer 3,1% este ano, abaixo da expansão de 3,4% em 2025 e da taxa de 3,3% projetada pelo FMI em janeiro.

O Brasil, por sua vez, teve sua projeção de crescimento revisada para cima pelo FMI em 0,3 ponto percentual, para 1,9%, uma vez que, como exportador líquido de energia, o país tende a se beneficiar com o choque. Porém, para 2027, a projeção de crescimento caiu 0,3 ponto percentual em relação à projeção de janeiro, para 2%, como consequência da desaceleração da demanda global, do aumento dos custos de insumos (incluindo fertilizantes) e das expectativas de condições financeiras mais apertadas.

O governo brasileiro faria bem em aproveitar a receita extra com o aumento dos preços do petróleo para adotar uma estratégia mais conservadora, começar a arrumar a casa no lado fiscal para poder ter espaço orçamentário para absorver choques futuros. Os ziguezagues do presidente americano Donald Trump na guerra e em outros conflitos fabricados por ele apenas aumentam a incerteza no cenário global.

[Fonte Original]

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