O Ibovespa fechou em queda nesta terça-feira (28), com Vale entre as principais pressões negativas em dia de declínio dos preços do minério de ferro na China, enquanto a situação no Oriente Médio continua impondo cautela aos negócios.
Investidores também estão na expectativa dos desfechos das reuniões de política monetária nos Estados Unidos e Brasil, que serão conhecidos na quarta-feira.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,51%, a 188.618,69 pontos, chegando a 187.236,79 na mínima do dia. Na máxima, marcou 189.578,50 pontos.
Com tal desempenho, o Ibovespa agora soma ganho de apenas 0,62% em abril. O volume financeiro nesta terça-feira somou R$23,95 bilhões.
De acordo com o advisor e sócio da Blue3 Investimentos Willian Queiroz, a bolsa segue influenciada pela tensão geopolítica decorrente do persistente conflito no Oriente Médio, enquanto investidores se preparam para decisões de juros.
No momento em que os esforços para acabar com a guerra pareciam estar em um impasse, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta terça-feira que o Irã lhe informou que se encontra em “estado de colapso” e que está definindo sua situação de liderança.
Autoridades norte-americanas haviam indicado que Trump estava insatisfeito com a última proposta do Irã para encerrar a guerra, que buscava resolver o conflito e as disputas sobre transporte marítimo, mas adiar a discussão sobre o programa nuclear do país.
No Brasil, o Banco Central anunciará amanhã a sua decisão sobre a Selic, atualmente em 14,75% ao ano, mas após o fechamento dos mercados. A expectativa no mercado é um corte de 0,25 ponto percentual.
Antes do anúncio, o IBGE mostrou que IPCA-15subiu 0,89% em abril, após uma alta de 0,44% em março, de acordo com o IBGE. Foi a taxa mensal mais elevada desde fevereiro de 2025 (1,23%), mas ficou abaixo das expectativas em pesquisa da Reuters de aumento de 1%.
Destaques
-VALE ON caiu 1,3%, em meio ao declínio dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian cedeu 0,89%, para 780,5 iuans (US$114,20) a tonelada. A mineradora também reporta resultado do primeiro trimestre ainda nesta terça-feira.
-GERDAU PN subiu 4,16%, após divulgar lucro líquido ajustado de R$1 bilhão para o primeiro trimestre. O conselho de administração do grupo siderúrgico também aprovou pagamento de R$354 milhões em dividendos aos acionistas, equivalente a R$0,18 por ação.
Dólar
O dólar fechou próximo da estabilidade no Brasil, em meio à falta de uma definição sobre o conflito no Oriente Médio e a cautela antes das decisões de juros do Banco Central e do Federal Reserve.
O dólar à vista fechou estável, aos R$4,9828.
O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã seguiu ditando o humor dos mercados, depois que uma autoridade norte-americana disse que o presidente dos EUA, Donald Trump, está insatisfeito com a última proposta iraniana para resolver a guerra de dois meses. Mais cedo, nesta terça, Trump disse que o Irã afirmou estar em estado de colapso e quer que os Estados Unidos abram o Estreito de Ormuz o mais rápido possível.
Diante da ausência de uma resolução para o conflito e sem a perspectiva de reabertura do Estreito de Ormuz, os preços do petróleo subiram mais uma vez, com o contrato do Brent fechando o dia em alta de 2,8%, a US$111,26 por barril.
Nesse ambiente, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,18%, a 98,639.
Os preços do petróleo Brent fecharam em alta de quase 3%, já que as preocupações persistentes com as restrições de fornecimento do Estreito de Ormuz, que está fechado, superaram as preocupações com a decisão dos Emirados Árabes Unidos de deixar a Opep e o grupo mais amplo da Opep+.
Os contratos futuros do Brent para junho encerraram em alta de US$ 3,03, ou 2,8%, a US$ 111,26 por barril, marcando seu sétimo dia consecutivo de ganhos.
Os contratos futuros do WTI fecharam em alta de US$ 3,56, ou 3,7%, a US$ 99,93 por barril, depois de serem negociados brevemente acima de US$100 no início da sessão, pela primeira vez desde 13 de abril.
Os preços reduziram alguns dos avanços depois que os Emirados Árabes Unidos, o quarto maior produtor da Opep+, disse na terça-feira que deixaria o grupo em 1º de maio, desferindo um golpe nos grupos exportadores de petróleo e em seu líder de facto, a Arábia Saudita.
“Em tempos normais, essa teria sido uma notícia muito pessimista para o mercado de petróleo e provocaria uma venda considerável”, disse John Kilduff, sócio da Again Capital. Ele estimou que os Emirados Árabes Unidos poderiam adicionar rapidamente entre 1 milhão e 1,5 milhão de barris por dia de produção.
“Mas com o Estreito de Ormuz efetivamente fechado, não há para onde esse suprimento ir… portanto, é provável que os preços do petróleo continuem sua lenta marcha para cima”, acrescentou.
O presidente dos EUA, Donald Trump, ficou insatisfeito com a mais recente proposta iraniana para acabar com a guerra, disse uma autoridade dos EUA na segunda-feira, já que fontes iranianas revelaram que a proposta evitaria abordar o programa nuclear até que as hostilidades cessassem e as disputas sobre a navegação no Golfo fossem resolvidas.