Crédito, NASA via Reuters
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Após uma missão de nove dias em órbita da Lua, a cápsula Orion completou com sucesso o retorno à Terra e pousou às 21h07 desta sexta-feira (10/4) no oceano Pacífico, na costa de San Diego, nos Estados Unidos.
Reid Wiseman, Jeremy Hansen, Victor Glover e Christina Koch foram retirados da cápsula em segurança cerca de 1h30 depois da nave pousar.
“Que jornada!”, exclamou Reid Wiseman, comandante da missão Artemis 2, logo após o pouso.
A descida incluiu a fase mais crítica da missão, com a reentrada na atmosfera — momento que envolveu temperaturas extremas e um período previsto de cerca de seis minutos de interrupção nas comunicações. Em seguida, a cápsula desacelerou com a ajuda dos paraquedas até atingir o mar de forma controlada, a cerca de 32 km/h.
O retorno foi classificado pela Nasa como “um pouso perfeito”.
“Estamos de volta à ativa, enviando astronautas à Lua”, declarou o chefe da agência, Jared Isaacman. “Este é apenas o começo.”
Após a chegada da cápsula no mar, equipes de resgate da Marinha dos Estados Unidos iniciaram a recuperação da nave, seguindo um protocolo rigoroso.
Como a Orion permanece aquecida após a reentrada e pode liberar gases, a operação foi conduzida com cautela, com mergulhadores avaliando as condições do entorno antes da abertura da escotilha, sob acompanhamento de uma equipe médica.
Os astronautas foram então levados, um a um, de helicóptero até o navio de recuperação, onde passarão por exames médicos.

Crédito, NASA
A reentrada na atmosfera e o pouso no mar envolviam riscos elevados, com a cápsula Orion enfrentando temperaturas de até 2.760°C — cerca de metade da temperatura da superfície do Sol.
Esse momento era tratado com cautela pela Nasa, especialmente após a missão Artemis 1, quando danos inesperados no escudo térmico geraram uma investigação que atrasou a missão atual em mais de um ano.
Mas tudo ocorreu conforme o planejado.
A cápsula se separou do módulo de serviço pouco depois das 20h30, colocando os quatro astronautas oficialmente na trajetória de retorno à Terra.
Na sequência, a Orion entrou na atmosfera a cerca de 120 mil metros de altitude e a aproximadamente 38 mil km/h, momento em que perdeu temporariamente o contato com o centro de controle devido ao “blackout” de comunicações.
Durante cerca de seis minutos, os controladores da missão em Houston não tiveram qualquer contato com a tripulação, acompanhando a descida apenas por modelos e cálculos.
O sinal foi recuperado posteriormente e a sequência de pouso pôde prosseguir. O compartimento frontal foi então descartado e os paraquedas de frenagem foram acionados, reduzindo a velocidade da cápsula antes da abertura dos três paraquedas principais, que garantiram a descida final até o oceano Pacífico.
Em uma publicação nas redes sociais, o presidente dos EUA, Donald Trump, deu boas-vindas aos tripulantes da missão, e fez um convite que os astronautas visitem a Casa Branca.
“Parabéns à incrível e talentosa tripulação da Artemis II. Toda a viagem foi espetacular, o pouso foi perfeito e, como presidente dos Estados Unidos, não poderia estar mais orgulhoso! Espero vê-los em breve na Casa Branca. Faremos isso de novo e, depois, o próximo passo: Marte!”
A missão ocorre em um momento politicamente sensível para Trump, e o resultado bem-sucedido pode fortalecer sua posição interna, em meio a divisões no país. Além disso, o avanço no programa Artemis reforça a disputa estratégica com a China na exploração lunar, vista como uma nova fronteira de influência, tecnologia e possíveis recursos.

Crédito, NASA via Reuters
Missão histórica
A missão Artemis 2 teve início em 1º de abril, quando o foguete foi lançado do Centro Espacial Kennedy, em Cabo Canaveral, na Flórida.
Diferentemente de missões anteriores, a Orion não teve como objetivo pousar na Lua, mas realizar um sobrevoo do lado oculto do satélite — um lado que nunca é visível da Terra.
Embora satélites já tenham registrado o lado oculto anteriormente, esta foi a primeira vez que humanos observaram essas partes da superfície lunar, com vastas crateras e planícies de lava.
No dia 6 de abril, a espaçonave atingiu 406.771 km da Terra durante a passagem próxima à Lua, superando os 400 mil km alcançados pela missão Apollo 13 em 1970.
A missão Artemis 2 da Nasa passou por todos os testes importantes desde o seu lançamento, no dia 1° de abril. O desempenho do foguete, da espaçonave e da tripulação foi melhor que os engenheiros imaginavam.
A viagem também serviu como um teste decisivo do sistema Orion com humanos a bordo — algo impossível de validar apenas por simulações.

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