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terça-feira, abril 7, 2026

Ligações aproximam Milei do caso LIBRA e aumentam pressão sobre presidente argentino

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A investigação sobre o colapso da memecoin LIBRA ganhou um novo capítulo na Argentina após vir à tona que o presidente Javier Milei trocou telefonemas com Mauricio Novelli, apontado como uma das figuras centrais por trás do projeto, na noite em que promoveu o token em sua conta no X. A informação foi revelada pelo The New York Times e repercutida por veículos locais e internacionais, reforçando a pressão sobre Milei em um caso que já vinha causando desgaste político e judicial.

De acordo com a apuração, registros telefônicos analisados na investigação mostram uma sequência de chamadas entre Milei e Novelli antes e depois da publicação que ajudou a impulsionar a LIBRA. O conteúdo das conversas não foi divulgado, mas a descoberta contrasta com a versão sustentada pelo presidente de que não teria participado da estruturação do projeto. Milei nega irregularidades, mas segue como pessoa de interesse em uma investigação federal sobre o episódio.

O caso remonta a fevereiro de 2025, quando Milei divulgou a LIBRA nas redes sociais. Após a postagem, o token disparou e chegou a superar US$ 4 bilhões em valor de mercado antes de despencar mais de 90%, deixando prejuízos milionários para investidores. Segundo reportagens publicadas ao longo da apuração, carteiras ligadas ao projeto teriam realizado saques de cerca de US$ 107 milhões antes do colapso, alimentando suspeitas de manipulação e uso de informação privilegiada.

As novas evidências se somam a outros elementos já reunidos pela Justiça e pela imprensa argentina. Em março, o site investigativo El Destape informou que um documento encontrado no celular de Novelli mencionava um suposto acordo de US$ 5 milhões relacionado à promoção da LIBRA por Milei. O teor do arquivo não comprova o pagamento, mas aprofundou as suspeitas sobre a existência de uma articulação financeira por trás da divulgação do token.

Leia também: Milei ganhou R$ 26 milhões para promover criptomoeda LIBRA, revela documento

O escândalo já havia produzido consequências políticas antes mesmo da revelação sobre os telefonemas. Em novembro de 2025, uma comissão do Congresso argentino concluiu que Milei prestou “colaboração essencial” ao projeto e recomendou que o Parlamento avaliasse sua conduta. O relatório afirmou que o presidente teria usado o peso do cargo para beneficiar um grupo com acesso privilegiado à operação.

Ao mesmo tempo, a resposta institucional ao caso tem sido contraditória. Em junho de 2025, o Escritório Anticorrupção da Argentina concluiu que Milei não violou regras de ética pública, sob o argumento de que a postagem em favor da LIBRA foi feita em caráter pessoal, e não como ato oficial de governo. Meses depois, porém, o governo dissolveu uma força-tarefa criada para investigar o escândalo, pouco depois de a Justiça determinar a abertura dos dados bancários do presidente e de sua irmã.

Com a revelação dos registros telefônicos, o caso volta a ganhar força em um momento delicado para Milei. Mais do que a promoção de um ativo que colapsou, a questão agora é saber até que ponto o presidente conhecia os bastidores da LIBRA antes de emprestar sua imagem ao projeto. Enquanto essa resposta não vem, a nova leva de evidências reforça a percepção de que o escândalo cripto mais explosivo do governo argentino ainda está longe de terminar.



[Fonte Original]

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