O Bitcoin voltou a operar acima de US$ 79 mil após romper a resistência na faixa dos US$ 72 mil, impulsionado por uma combinação rara de fatores macroeconômicos e on-chain.
Segundo análise da Bitfinex, o movimento não foi isolado, mas resultado de dois choques simultâneos, um geopolítico e outro estrutural, que ocorreram em um intervalo de apenas 72 horas e alteraram o equilíbrio de oferta e demanda no mercado.
De um lado, a escalada de tensões no Estreito de Ormuz reacendeu a busca por ativos alternativos. Do outro, dados on-chain mostraram um cenário de escassez crescente de Bitcoin disponível para venda. Esse alinhamento criou um ambiente propício para uma alta rápida e consistente, com o ativo superando outras classes tradicionais.
Seguimos com uma visão cautelosamente positiva”, aponta o relatório, citando a resolução de três catalisadores importantes: o fechamento do Estreito de Ormuz, o exploit da KelpDAO e perdas superiores a US$ 606 milhões em DeFi no mês.
No pano de fundo, a estrutura do mercado reforça essa leitura. As reservas de Bitcoin em exchanges caíram para 2,41 milhões de BTC — o menor nível em sete anos, equivalente a apenas 5,88% da oferta circulante. Ao mesmo tempo, grandes investidores acumularam 270 mil BTC nos últimos 30 dias, no maior movimento mensal desde 2013.
Esse comportamento indica que o mercado não está em fase de distribuição, mas sim de absorção de oferta, o que reduz a pressão vendedora e sustenta o preço em níveis mais elevados.
Geopolítica e liquidez explicam a força recente
O fator geopolítico teve papel decisivo no rali recente. O fechamento do Estreito de Ormuz, após tensões entre Irã e Estados Unidos, elevou a incerteza global e alterou o comportamento dos investidores. Nesse contexto, o Bitcoin passou a atuar como uma espécie de hedge parcial.
Durante o período de instabilidade, o BTC registrou alta de 7,1%, enquanto ações caíram 6,5% e o ouro recuou 10,1%. O movimento surpreendeu analistas, já que, historicamente, o ativo tende a sofrer em momentos de risco elevado.
Além disso, os ativos sob gestão em produtos de investimento em cripto cresceram 9,4%, atingindo US$ 140 bilhões desde o início da crise. Esse fluxo reforça a leitura de que investidores institucionais começaram a incorporar o Bitcoin como proteção em portfólios multiativos.
No campo macroeconômico, a tese predominante não envolve cortes de juros imediatos, mas sim expansão de liquidez. A oferta de stablecoins atingiu US$ 320 bilhões, com entrada de US$ 2,54 bilhões em apenas uma semana — um indicador que funciona como equivalente ao crescimento monetário dentro do mercado cripto.
O posicionamento atual do mercado reforça a tese de liquidez, e não a de juros”. Isso explica por que o Bitcoin lidera o movimento, enquanto altcoins ainda não acompanham com a mesma intensidade.
Para onde vai o Bitcoin agora
Apesar da alta recente, a análise aponta que o curto prazo ainda pode sofrer influência de fatores externos, especialmente geopolítica e derivativos. O comportamento do fluxo à vista e o desfecho da crise no Oriente Médio devem continuar como principais gatilhos.
Por outro lado, o cenário de médio prazo permanece sólido. A redução contínua da oferta, aliada à acumulação por grandes investidores, cria uma base mais estável para novos avanços.
Outro ponto relevante envolve o ciclo do halving. O Bitcoin atingiu recentemente 50% do ciclo atual, aproximando-se da fase final de redução na emissão. Esse processo tende a intensificar a escassez ao longo do tempo, com a recompensa por bloco caminhando para níveis historicamente baixos.
Além disso, o mercado já absorveu cerca de US$ 39 bilhões em distribuição por grandes players nos meses anteriores, o que reduziu a alavancagem e deixou os indicadores técnicos em níveis mais saudáveis.
Com menor pressão vendedora e maior entrada de capital, o Bitcoin entra em uma nova fase do ciclo. A exchange avalia que, embora o caminho não seja linear, a estrutura atual favorece a continuidade da tendência de alta — desde que os fatores macro não revertam de forma abrupta.