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quarta-feira, abril 1, 2026

Em entrevista, diretor da fabricante do Ozempic fala sobre novo comprimido para perda de peso no Brasil e negociação com o SUS

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Há poucos dias, a patente do princípio ativo do Ozempic, Wegovy e Rybelsus, medicamentos indicados para o tratamento de diabetes e obesidade, chegou ao fim no Brasil. Com a medida, abre-se a possibilidade da produção de genéricos para as mesmas drogas, revolucionárias no tratamento das duas doenças. Em meio a essa mudança de cenário, o diretor-geral da empresa no Brasil, Allan Finkel, afirma que “a patente da semaglutida não significa o futuro da empresa” e que a multinacional manterá seus planos no país. Há, por exemplo, o plano de investir R$ 6 milhões na planta fabril em Montes Claros (MG) e a expectativa para a chegada de versões em maior dosagem e em comprimidos para o Wegovy. Em entrevista exclusiva ao GLOBO, a primeira desde a queda da patente, o executivo falou sobre novas pesquisas para medicamentos de obesidade, da segunda tentativa de que a droga seja incorporada ao SUS e do uso a longo prazo do medicamento, uma vez que a obesidade é uma doença crônica.

O Brasil é um dos principais mercados da Novo Nordisk. A queda da patente muda a presença aqui?
Os investimentos vão continuar fortes no Brasil. Vamos investir na nossa fábrica de Montes Claros (MG) cerca de R$ 6 bilhões. Esse é o maior exemplo em que estamos no Brasil para ficar. Estamos falando de uma empresa dinamarquesa que completou mais de 100 anos de existência. No Brasil, nós já estamos há mais de 30 anos. Ou seja, passamos por várias situações onde tinha patente, onde não tinha. Investimos em pesquisa e desenvolvimento, com alto risco. Nós estamos falando de 10, 5, 10 mil moléculas para apenas uma ir ao mercado (e depois) podemos usufruir desse momento de patente,para poder retornar esses investimentos. Esse é o processo natural.

Quais novos medicamentos para obesidade vocês estão desenvolvendo?
Temos vários estudos. Por exemplo, com a Cagrisema, temos Amicretina, temos versões orais do próprio Wegovy (solução da semaglutida para obesidade), que recentemente lançamos nos Estados Unidos.Tem muita coisa, é um mercado muito grande com uma parcela da população pouco tratada. Esperamos trazer mais inovação e acesso. É importante qualificar um pouco a obesidade. No Brasil, mais de 65% da população tem sobrepeso ou obesidade. É uma doença crônica, uma epidemia. Sabemos as consequências disso, com efeito em outras doenças (complicações) cardiovasculares, diabetes, câncer. A quantidade de pacientes que são tratados (com obesidade e sobrepeso) é de cerca de 1%.Ou seja, a oportunidade e o trabalho são grandes.

É um futuro de drogas melhores que as já existentes?
O objetivo de todos que estão pesquisando e da Novo é trazer moléculas que sejam mais efetivas, com menos efeitos colaterais, com uma posologia mais agradável. Então, a gente tinha (uso) diário. Hoje nós temos semanal. Já melhorou muito. E queremos que tenha outros benefícios que não sejam somente a perda de peso. Porque acho que é importante o paciente entender que uma parte é a perda de peso, mas há muita coisa por trás. Esse paciente tem maior incidência de doenças cardiovasculares. Diabetes, câncer. Enfim, está ligado a muitas outras coisas. Então, acho que tem que olhar isso de uma maneira um pouco mais holística do que só aqueles 1 ou 2 ou 3 pontos percentuais na perda de peso (que diferenciam os medicamentos). São 200 doenças associadas.

[Fonte Original]

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