O tempo nas próximas semanas deve fugir do padrão típico de fim de maio e início de junho em diversas regiões do Brasil. A previsão indica uma combinação de chuva acima da média, calor intenso e novas incursões de ar polar, afetando principalmente estados do Centro-Oeste, Sudeste e Sul do país.
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Segundo o MetSul, o principal destaque será o aumento das precipitações em áreas onde esta época do ano costuma ser marcada pelo avanço da estação seca. O cenário deve atingir especialmente Paraná, sul de Mato Grosso do Sul, São Paulo, sul de Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Historicamente, maio representa uma transição importante no regime climático do Brasil Central e do Sudeste. O período costuma marcar a redução gradual das chuvas após o verão, com enfraquecimento dos chamados “rios atmosféricos” vindos da Amazônia – são corredores de umidade responsáveis pelos temporais frequentes dos meses mais quentes.
Com menos calor e menor disponibilidade de umidade, normalmente há redução das pancadas típicas de fim de tarde. Além disso, o avanço mais frequente de massas de ar frio favorece períodos mais longos de estabilidade atmosférica.
Tempo vai fugir do esperado no Brasil
Mas, neste ano, o comportamento deve ser diferente.
A previsão aponta volumes de chuva muito acima da média em cidades do Sudeste e Sul. Em São Paulo, por exemplo, a estação meteorológica do Mirante de Santana, na zona norte da capital, acumulou 50,4 mm de chuva entre 1º de maio e a manhã do dia 17. A média histórica do mês é de 66,3 mm, bem abaixo dos 292,1 mm registrados em janeiro, auge da estação chuvosa.
Com a previsão de novas precipitações até o fim do mês, a tendência é de maio terminar acima da média na capital paulista.
Em Belo Horizonte, a estação do Cercadinho registrou 30,2 mm no mesmo período, superando a média climatológica de maio, de 28,1 mm. Os maiores desvios positivos devem ocorrer no Sul de Minas Gerais.
Além da chuva, o país deve enfrentar um forte contraste térmico entre o Centro e o Sul nas próximas semanas:
- Enquanto áreas como Goiás, Tocantins, Mato Grosso e Minas Gerais devem registrar calor acima do normal para o período, o Sul do Brasil terá sucessivas ondas de frio;
- A última semana de maio tende a ser especialmente quente no Centro do país, com temperaturas elevadas para os padrões do fim do outono;
- Já no Sul, uma nova massa de ar frio começa a avançar no início da semana e deve receber reforço de ar polar nos dias seguintes;
- O sistema deve provocar vários dias consecutivos de temperaturas negativas e formação de geada no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e em parte do Paraná.
Segundo a previsão, o frio começa a perder força no próximo fim de semana, mas as noites devem continuar frias e as tardes permanecerão amenas, sem previsão de calor intenso na região.

El Niño chegando
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Outro fator que começa a ganhar atenção é a formação de um novo episódio de El Niño.
De acordo com a análise da MetSul baseada em dados oceânicos e atmosféricos, o fenômeno deve começar a se estabelecer entre o fim de maio e junho. Os primeiros impactos devem aparecer gradualmente entre junho e julho, mas a tendência é de intensificação ao longo do segundo semestre.
Entre os principais efeitos previstos estão o aumento significativo das chuvas no Sul do Brasil, elevando o risco de enchentes e tempestades (especialmente no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul).
No Norte e Nordeste, por outro lado, a tendência é de redução das precipitações e agravamento da seca.
Já o Sudeste e o Centro-Oeste podem enfrentar períodos mais frequentes de calor intenso e aumento no risco de queimadas ao longo dos próximos meses.

Vitoria Lopes Gomez
Vitoria Lopes Gomez é jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) e redatora do Olhar Digital.