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sexta-feira, maio 29, 2026

Ibovespa cai com rebalanceamento; no mês, tem maior queda desde fevereiro de 2023

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Desde as primeiras horas desta sexta-feira, o Ibovespa adotou um tom mais negativo, em um dia marcado pelo rebalanceamento de fim de mês. Pela manhã, nem mesmo a apuração da Reuters de que os EUA e o Irã tinham concordado em estender o cessar-fogo por 60 dias e suspender as restrições à navegação no Estreito de Ormuz promoveu um alívio local.

Já durante a tarde, o índice se afastou do pior momento do dia após a notícia de que o presidente americano, Donald Trump, se reuniu na Casa Branca para decidir sobre um esboço de acordo com o Irã. Embora o encontro tenha terminado sem decisão alguma, fontes do jornal The New York Times afirmaram que a administração acredita estar bem perto de um acordo, ainda que existam pontos a serem debatidos.

Em um dia marcado pelo rebalanceamento de fim de mês e pelo recuo majoritário de blue chips, o Ibovespa terminou o pregão com queda de 0,73%, aos 173.787 pontos, após oscilar entre os 172.686 pontos e os 175.064 pontos. No acumulado da semana, o índice também acumulou perdas de 1,37%. Assim, no mês, a principal referência acionária local exibiu baixa de 7,22% – na maior desvalorização mensal desde fevereiro de 2023, quando cedeu 7,49%.

Entre as blue chips, as ON da Petrobras puxaram as perdas, ao ceder 1,70%. Da mesma forma, as PN da petroleira recuaram 1,20%. Bancos também operaram majoritariamente no negativo, com exceção das PN do Itaú, que fecharam estáveis (+0,10%). Já a maior queda foi registrada pelas ON do Banco do Brasil, que exibiram baixa de 1,50%. As ON da Vale também terminaram a sexta-feira com desvalorização de 1,36%.

Ainda que a decisão do governo americano de classificar ontem o PCC e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas tenha ressuscitado temores sobre a medida ser uma Lei Magnitsky 2.0, gestores e analistas de bancos avaliam que os efeitos da lei imposta ao Brasil no ano passado eram bem mais claros sobre o setor bancário no curto prazo, ao passo que agora é difícil precisar os impactos da nova medida de Trump.

Em 30 de julho do ano passado, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes foi enquadrado pelo governo americano na Lei Magnitsky. Na época, a escalada das tensões entre o Brasil e os EUA fez as ações do setor bancário registrarem um recuo expressivo. A reprecificação dos papéis de Itaú Unibanco, Banco do Brasil (BB), Bradesco, Santander e BTG Pactual levou à perda de R$ 38,4 bilhões no valor de mercado somado dessas instituições financeiras.

Para o gestor de renda variável da Persevera Asset Management, Fernando Fontoura, a decisão do governo americano pode soar parecida à Lei Magnitsky à primeira vista, mas é diferente. “Há uma analogia imediata com a Lei Magnistsky e com as intervenções que os EUA podem buscar em termos de sanções contra instituições financeiras aqui no Brasil, mas isso, por enquanto, é um ponto para ficar de olho. Não acho que vá fazer grande preço nesse momento em bancos públicos, como o BB, mas é um ponto de atenção.”

Já um outro sócio de uma gestora, que preferiu não se identificar, disse que o impacto no curto para bancos era mais evidente no caso da Lei Magnitsky, especialmente pela questão de cartões de crédito de bandeiras americanas emitidos por instituições brasileiras. “Além disso, era um caso de uma figura pública [ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes], que sofreu um ataque direcionado. Agora, depende mais de os maiores bancos brasileiros (os listados em bolsa, salvo a Caixa) terem cometido um erro grosseiro de compliance em relação ao PCC e ao CV, o que é muito menos crível”, diz.

Embora as casas ainda estejam calculando os efeitos da medida, a tesouraria de um grande banco avalia que a decisão dos EUA pode elevar os custos de compliance e monitoramento no sistema financeiro, com potencial impacto sobretudo sobre bancos, empresas de meios de pagamento e outros setores sujeitos a exigências mais rigorosas de prevenção à lavagem de dinheiro.

Para Fontoura, o efeito mais prático da decisão de Trump neste momento é político e não financeiro. “O ponto de informação mais importante da medida é o timing, que foi pós-visita do Flávio [Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL] ao Trump”, diz. “Isso é a principal comunicação que o governo americano está mandando. É uma comunicação clara de endosso à candidatura do Flávio e de enxergá-lo como um interlocutor antes mesmo de ele ter a possibilidade de ser presidente”, resume.

Em um pregão em que agentes do mercado reforçaram a visão de que a demanda doméstica segue aquecida, após a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB), do primeiro trimestre, a alta dos juros futuros penalizou as ações cíclicas domésticas, caso de Magazine Luiza, que cedeu 5,83%.

Já na ponta contrária, as ON da Totvs subiram 4,16%. Para analistas do Itaú BBA, o melhor momento de ações de provedoras de software nos EUA tem contribuído para o sentimento positivo em torno dos papéis.

Hoje, o volume financeiro negociado pelo Ibovespa foi de R$ 36,9 bilhões e de R$ 46,5 bilhões na B3. Já em Wall Street, os principais índices fecharam no azul: o Dow Jones subiu 0,72%, o S&P 500 avançou 0,22%, e o Nasdaq ganhou 0,20%.

[Fonte Original]

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