Com as expectativas dos agentes financeiros consolidadas em torno de um crescimento econômico pujante no primeiro trimestre, os juros futuros voltaram a fechar em alta no pregão desta sexta-feira, na medida em que o mercado passou a ver um espaço menor para a continuidade do ciclo de flexibilização monetária. Neste contexto, a elevação das taxas se deu, majoritariamente, na parcela curta da curva.
Vale mencionar que o restante da estrutura a termo da curva também segue próxima de 14%, em um sinal de que o mercado mantém um nível elevado de prêmios. Vale notar, ainda, que a possibilidade de um acordo entre Estados Unidos e Irã permaneceu no radar dos agentes.
No fim da sessão, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 subiu de 14,055% no ajuste anterior para 14,09%; a do DI para janeiro de 2028 avançou de 13,825% para 13,91%; a do contrato para janeiro de 2029 passou de 13,805% para 13,86% e a do DI para janeiro de 2031 oscilou de 13,895% para 13,885%.
O crescimento de 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre veio em linha com as estimativas de consenso do mercado e não mostrou grande divergência nem mesmo na abertura dos dados. Isso, porém, reforçou a leitura de agentes de que a demanda doméstica segue aquecida e pode indicar um espaço ainda menor para o processo de redução da Selic, sobretudo após um viés mais “hawkish” nas declarações mais recentes do diretor de política monetária do BC, Nilton David, ao tentar enfatizar o compromisso com a ancoragem das expectativas.
“Desde janeiro, os indicadores têm mostrado uma trajetória amplamente positiva, impulsionada pela atividade econômica dinâmica e pela força da demanda doméstica. Transferências fiscais equivalentes a cerca de 1,5% do PIB antes da eleição presidencial de outubro estão sustentando a demanda, entre outros fatores”, diz o economista-chefe para Américas do Natixis, Benito Berber, ao observar, ainda, que a economia deve seguir forte nos próximos trimestres, desde que a confiança dos consumidores e das empresas não se deteriore ainda mais.
Ao mesmo tempo, o profissional observa que a inflação segue pressionada não somente nos preços correntes, mas também nas expectativas dos economistas, além da inflação “implícita”. “Na nossa avaliação, esse cenário deixa o Banco Central com pouca margem para continuar o afrouxamento monetário. A próxima reunião do Copom está marcada para 15 de junho e a nossa projeção, agora, é de dois cortes de 0,25 ponto, em junho e em agosto”, o que levaria a Selic para 14% no fim do ciclo, nas estimativas do banco francês.
Na dinâmica do mercado de juros na quinta-feira, vale observar que o mercado observou uma alta das taxas após a divulgação da taxa de desemprego, ensaiou um movimento de queda depois do Caged frustrar as estimativas, mas voltou a subir em meio a um fluxo “tomador” de taxa que levou o mercado a exibir aumento dos prêmios até o fim da sessão. Nesse sentido, ainda que a alta dos juros futuros seja relevante em relação aos ajustes da sessão anterior, não é significativa na comparação com os níveis de fechamento da sessão estendida.
O cenário externo, com alívio nos preços do petróleo, contribuiu para afastar as taxas futuras das máximas, ainda que sem força suficiente para queimar parte dos prêmios embutidos na curva desde o início do conflito no Oriente Médio. Nos EUA, o rendimento da T-note de 2 anos caiu de 4,041% para 4,012%.
Vale notar, ainda, que os agentes monitoraram a designação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como facções terroristas pelos Estados Unidos, mas avaliam que, ao menos em um primeiro momento, não há um efeito direto nos preços dos ativos domésticos.