Bom dia. Estamos na sexta-feira, 29 de maio.
Cenários
O Ibovespa está acumulando uma queda mensal de 5,2% até o penúltimo em maio. O movimento não foi aleatório. Foi a resposta dos investidores a uma combinação de dados que se tornaram difíceis de ignorar: inflação no Brasil e nos Estados Unidos acima do teto da meta e bancos centrais sem espaço para cortar juros.
A comparação entre a última edição do Relatório Focus de abril e a publicada na segunda-feira (25) resume bem a situação. As expectativas da inflação de 2026 medida pelo IPCA foram revisadas para cima pela oitava semana seguida, subindo de 4,89% no fim de abril para 5,04%, bastante acima da meta de 3% e rompendo o teto de 4,5%. Os investidores já operam com a convicção de que a inflação vai furar o limite pelo segundo ano consecutivo.
A alta dos preços não é surpresa. É uma soma de fatores. O preço do barril de petróleo saiu de US$ 70 para US$ 110 ao longo do conflito entre Estados Unidos e Irã e parece ter se estabilizado ao redor de US$ 95. Os fretes subiram. Os insumos industriais encareceram. Os preços no atacado avançaram. E agora esses aumentos estão chegando ao varejo, com a defasagem típica de meses que o mercado chama de efeito repasse.
A queda recente do barril, motivada pela perspectiva de trégua no conflito, alivia o fluxo novo. Mas não desfaz o que já aconteceu. Isso deixa o Comitê de Política Monetária (Copom) sem margem de manobra, algo que já entrou no cálculo das expectativas.
As opções de Copom negociadas na B3 traduziram essa percepção. A probabilidade de um corte de 0,50 ponto percentual na reunião de junho desabou de 20,5% para 4%. A expectativa de corte de apenas 0,25 ponto saltou de 52% para 79,5%. O recado é claro: o mercado descartou a possibilidade de um Copom mais generoso.
O cenário externo não ajudou. Nos Estados Unidos, os dados confirmaram o que o mercado já temia. O índice de gastos com consumo pessoal, o PCE, acumulou alta de 3,8% nos 12 meses até abril. O núcleo do PCE, que exclui alimentos e energia, ficou em 3,3% no mesmo período. São as medidas de inflação preferidas do Federal Reserve. E estão quase o dobro da meta de 2%.
Com esses números na mesa, o FED não cortou juros. E com Kevin Warsh no comando desde 22 de maio, o mercado ainda calibra o tom da nova gestão. A expectativa de manutenção dos juros americanos na reunião de junho estava próxima de 99%. Mas nas reuniões do segundo semestre, uma novidade: a probabilidade de alta dos juros nos Estados Unidos, que era zero há um mês, passou a oscilar entre 26% e 40% nas reuniões do segundo semestre.
Perspectivas
A última sessão de maio começa com uma alta dos contratos futuros dos índices americanos em Wall Street e com uma queda das ações brasileiras no pré-mercado americano.
Indicadores
BRASIL
Superávit Orçamentário (Abr)
Esperado: ND
Anterior: – R$ 80,67 bilhões
Dívida bruta sobre PIB (Abr)
Esperado: 80,3%
Anterior: 80,1%
Dívida líquida sobre PIB (Abr)
Esperado: ND
Anterior: 66,8%
PIB Trimestral (1º tri)
Esperado: + 1,0%
Anterior: + 0,1%
PIB Anual (1º tri)
Esperado: + 1,8%
Anterior: + 1,8%
ESTADOS UNIDOS
Sem indicadores relevantes