As mineradoras de Bitcoin estão se tornando uma parte importante da cadeia de fornecimento de infraestrutura de IA porque controlam grandes volumes de capacidade energética e espaço para data centers, ativos cada vez mais difíceis de obter, segundo um novo relatório da Bernstein.
Os analistas Gautam Chhugani, Mahika Sapra, Sanskar Chindalia e Harsh Misra estimam que mineradoras de Bitcoin de capital aberto controlam mais de 27 gigawatts de capacidade energética planejada e anunciaram mais de US$ 90 bilhões em acordos relacionados à IA, cobrindo 3,7 gigawatts com hyperscalers, provedores de neocloud e fabricantes de chips.
Um relatório de pesquisa publicado em 29 de abril pela RAND afirmou que os EUA devem adicionar aproximadamente 82 GW de capacidade líquida disponível até 2030.
Portfólio planejado de energia de 11 mineradoras públicas de Bitcoin. Fonte: Bernstein
Segundo a Bernstein, o acesso à eletricidade, e não aos chips, se tornou o principal gargalo para a expansão de data centers de IA. Empresas de energia podem levar mais de quatro anos para aprovar novas conexões à rede, até mesmo em estados favoráveis a data centers, como o Texas.
“O tempo médio de espera para garantir 1 GW de energia é de aproximadamente 50 meses entre os estados, e até mesmo em estados politicamente favoráveis, como o Texas, as concessionárias seguem um processo de revisão em lote para lidar com a fila de interconexão e a demanda de recursos”, escreveram os analistas.
O aumento da fiscalização regulatória e a oposição local a grandes data centers também estão ampliando esses atrasos, dando vantagem às mineradoras de Bitcoin, que já operam instalações conectadas à rede elétrica e possuem experiência na gestão de estruturas de computação de alta densidade.
Mudança na economia das mineradoras
A Bernstein afirmou que mineradoras de Bitcoin estão diversificando cada vez mais suas operações para infraestrutura de IA em busca de novas fontes de receita após o halving de 2024, que reduziu as recompensas de mineração e pressionou as margens de lucro.
O relatório afirma que diversas mineradoras ultrapassaram o foco tradicional na produção de Bitcoin para desenvolver data centers de IA e instalações de computação de alto desempenho.
Um exemplo recente é a Soluna Holdings, que registrou aumento de 58% na receita do primeiro trimestre, impulsionado principalmente por seu negócio de hospedagem de data centers, enquanto a mineração de criptomoedas representou uma parcela menor das vendas totais.
A Bernstein também destacou a IREN como um dos principais exemplos dessa mudança. A empresa afirmou que a IREN está bem posicionada para direcionar grande parte de seus negócios para infraestrutura de IA após seus acordos bilionários com a Microsoft.

Parceria da IREN com a Microsoft pode transformar seu modelo de negócios, segundo a Bernstein. Fonte: Bernstein