Quem cair em um golpe envolvendo Pix pode encontrar mais facilidade para recuperar o dinheiro perdido. Ao apresentar cinco medidas adotadas pelo Banco Central, o especialista da instituição Gustavo Igreja afirmou que as mudanças ampliam o combate a fraudes e dificultam a ação de criminosos no sistema financeiro.
As novas regras atingem bancos, instituições de pagamento e mecanismos usados para rastrear valores desviados em golpes.
Prazo para regularização de instituições ficou mais curto
Uma das medidas antecipou a exigência de autorização para instituições de pagamento que ainda não estavam regularizadas.
Antes, essas empresas tinham até 2029 para solicitar autorização e adequar suas operações. Agora, o prazo termina em maio de 2026.
Segundo Gustavo Igreja, a mudança busca impedir que grupos criminosos criem empresas do setor financeiro apenas para movimentar recursos de origem suspeita.
“Agora nenhuma instituição de pagamento pode começar a operar sem autorização”, explicou Gustavo Igreja ao detalhar a nova regra para o setor.
BNovas regras exigem estrutura financeira mais robusta
O órgão também aumentou o volume de capital necessário para que bancos e instituições financeiras iniciem suas atividades.
Com a nova regra, as empresas precisam comprovar uma estrutura financeira mais robusta antes de receber autorização para operar.
Além de dificultar a entrada de organizações ligadas ao crime, a exigência busca garantir que as instituições tenham patrimônio suficiente para enfrentar problemas sem gerar riscos ao sistema financeiro.
Bancos devem bloquear transações ligadas a contas suspeitas
Outra mudança obriga bancos e instituições financeiras a rejeitarem movimentações destinadas a contas identificadas como suspeitas de fraude.
A medida mira especialmente contas utilizadas por golpistas para receber valores obtidos por meio de golpes virtuais, falsas vendas e outras fraudes financeiras.
Na prática, contas marcadas por indícios de fraude deixam de receber transferências, reduzindo a circulação de recursos ligados a atividades criminosas.
“Se as contas estiverem com marcação de fraude, ele não vai mais receber nenhum dinheiro naquela conta”, afirmou o especialista ao comentar a nova obrigação dos bancos.
Contas usadas para ocultar movimentações foram proibidas
Entre as mudanças está a extinção das chamadas contas-bolsão. Esse modelo permitia que operações financeiras passassem por pessoas diferentes dos verdadeiros beneficiários dos valores.
Segundo Gustavo Igreja, os bancos precisaram encerrar esse tipo de estrutura após as novas determinações do Banco Central. A avaliação da autoridade monetária é que a medida reduz brechas usadas para esconder a origem ou o destino do dinheiro. A medida pretende aumentar a transparência das operações financeiras e dificultar mecanismos usados para esconder movimentações suspeitas.
Banco Central reforça mecanismo de recuperação de valores
A quinta medida afeta diretamente quem utiliza o Pix.
O Banco Central aprimorou o Mecanismo Especial de Devolução (MED), ferramenta usada quando uma vítima comunica ao banco que enviou dinheiro para um golpista.
Antes, criminosos conseguiam transferir rapidamente os valores para outras contas, dificultando o bloqueio dos recursos.
Segundo Gustavo Igreja, a nova ferramenta permite acompanhar a rota percorrida pelos valores após uma fraude.
Com o MED 2.0, o sistema passa a rastrear o caminho percorrido pelo dinheiro. Além disso, bancos conseguem identificar outras contas envolvidas na fraude e bloquear recursos nelas também.
Se a reclamação for considerada procedente, os valores bloqueados podem retornar à vítima.
O que fazer em caso de golpe com Pix
O Banco Central orienta clientes a comunicar o banco imediatamente após identificar uma fraude.
Quanto mais rápido ocorrer o aviso, maiores são as chances de localizar os recursos e bloquear valores nas contas que participaram do esquema.
As cinco medidas foram apresentadas por Gustavo Igreja em conteúdo divulgado pelo Banco Central para explicar as ações recentes adotadas pela autoridade monetária no combate a fraudes, golpes digitais e movimentações financeiras ligadas ao crime organizado.