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sábado, junho 13, 2026

Por Que Neymar Continua Sendo um dos Ativos de Marketing Mais Valiosos para as Marcas?

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A convocação de Neymar Jr. para jogar pela Seleção Brasileira na Copa do Mundo FIFA 2026 foi suficiente para colocar metade dos torcedores brasileiros no clima do campeonato. Ao ter seu nome anunciado por Carlo Ancelotti, no dia 25 de maio, o jogador virou alvo de inúmeras menções nas redes sociais, além de comemorações dignas de registro por jornais globais.

O jornal britânico The Sun publicou que os torcedores brasileiros “enlouqueceram” com a convocação de Neymar, descrita como um “conto de fadas”. A emoção foi extravasada após um acúmulo de tensão criada nos últimos meses, com toda a cautela médica a respeito da condição física do jogador, a conversa sobre o fim das disputas na Copa e a ausência em convocações anteriores. A incerteza eclodiu em aplausos e um verdadeiro espetáculo no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. Nas redes sociais, fãs passaram a publicar vídeos comemorando o momento da convocação, além de homenagens ao jogador.

Mas, enquanto metade do Brasil comemorava a convocação, a outra metade questionava Ancelotti a respeito de sua verdadeira motivação para fazê-lo. Neymar realmente é um jogador de alta performance hoje em dia, ou a pressão publicitária fala mais alto que o jogo? As opiniões estão divididas: enquanto alguns acreditam no seu poder decisivo em campo, outros apontam que o atacante está há 963 dias sem entrar em campo pela Seleção, além de não ter participado do ciclo com Ancelotti. Foram seis datas FIFA consecutivas sem ele, nas quais o Brasil disputou eliminatórias e amistosos.

O técnico italiano havia sido claro sobre os critérios para atuar na Seleção: alto rendimento e boas condições físicas. Todos os candidatos seriam observados e avaliados durante os dois meses que antecederiam a Copa. Embora não tivesse sofrido nenhuma lesão confirmada nesse período, Neymar sentiu um incômodo aparentemente leve na panturrilha poucos dias antes da convocação. Em 28 de maio, apenas três dias após o anúncio da lista, o médico da Seleção confirmou uma lesão de grau 2 na panturrilha, que pode deixar o jogador fora já da estreia.

Um histórico de lesões e a esperança que não morre

Aos 34 anos, Neymar Jr. é conhecido por seus problemas físicos recorrentes. Desde a ruptura do ligamento cruzado anterior e menisco do joelho esquerdo, em 2023, Neymar ficou 369 dias parado. Logo que voltou à campo, machucou a coxa em uma partida pelo Al-Hilal, somando apenas sete jogos em dois anos de contrato. Na temporada 25/26, o camisa 10 no Santos ficou afastado do campo por 208 dias, com cinco lesões registradas e 39 jogos não disputados, de 82 no total.

As incertezas a respeito de sua capacidade de performar na Copa não são infudadas. A Seleção construída por Ancelotti tem esquema tático é um 4-4-2, com Vini Jr. na mesma posição que fazia no Real Madrid e Matheus Cunha saindo da área. A formação depende de intensidade física, alta pressão e participação coletiva – não existe estrela no time, nem camisa 10 monopolizando a bola.

Ancelotti destaca que, apesar do apelo de Neymar entre os fãs, o grupo já tem “líderes muito respeitados”, como Alisson, Casemiro, Marquinhos e Raphinha. “Ele é um jogador importante e vai ser um jogador importante na Copa do Mundo. Tem o mesmo papel, a mesma obrigação que os outros 25. Tem a possibilidade de jogar, de não jogar, de estar no banco, de entrar”, afirmou durante coletiva.

Mas será que o atacante aceitaria ser coadjuvante em sua (provável) última Copa, algo que nunca aceitou ser no Barcelona nem no Paris Saint-Germain?

A esperança que não morre

Essa será a quarta Copa do Mundo de Neymar, levando o jogador a se igualar a Pelé, Ronaldo, Cafu e outros craques da Seleção Brasileira. Apesar de nunca ter levantado a taça, o jogador construiu uma carreira de destaque no futebol, como atacante de alguns dos maiores clubes do mundo, incluindo Barcelona e PSG.

O atacante foi, por muito tempo, conhecido por sua performance em situações de pressão, sendo capaz de virar um jogo em dez minutos com um passe que ninguém mais conseguiria ou um pênalti. No Al-Hilal, time em que jogou por pouco mais de um ano, Neymar protagonizou três gols em sete jogos nos últimos minutos, enquanto no Santos de 2026, marcou seis gols em treze jogos, além de ter distribuído três assistências.

Além disso, ele é o único do elenco atual que chegou perto de ser considerado o melhor do mundo. “Ele tem uma história importante, ganhou a Olimpíada, foi o maior artilheiro na Seleção, então tem vários fatores. As pessoas sempre guardam a lembrança de um velho Neymar, daquele driblador que fazia acontecer em campo. Só que esse Neymar atual mal consegue jogar”, afirma Amir Somoggi, especialista em marketing e gestão esportiva, e fundador da Sports Value.

A pressão publicitária

Desde que sua carreira alavancou internacionalmente, Neymar figurou entre as pessoas mais valiosas do esporte nacional, independentemente de críticas relacionadas ao desempenho nos jogos. Fora do campo, o jogador foi alvo de discussões, polêmicas e reclamações que acabaram manchando sua imagem, como o caso com Robinho Jr., idas a baladas em dias de jogos do Santos, envolvimento com bets e questões pessoais com Bruna Biancardi.

Mas, apesar das manchetes negativas e da queda no desempenho,Neymar continua sendo popular não só entre os torcedores – o que ficou evidente durante a onda de aplausos na convocação – mas também entre marcas. A pressão aparentemente exercida por patrocinadores e pela própria CBF reforçou a percepção de que sua convocação não é exclusivamente ligada ao futebol.

Antes mesmo da divulgação da lista definitiva dos convocados, Neymar já aparecia envolvido em gravações publicitárias ligadas diretamente ao torneio. Essa ideia de que, para as marcas, já estava claro que ele acabaria sendo escalado, foi reforçada minutos após a cerimônia de convocação, quando Neymar publicou uma série de posts com viés publicitário para a Red Bull, Mercado Livre, Puma, Canção e Blaze.

As postagens no Instagram, que soma mais de 232 milhões de seguidores, foram feitas no intervalo de apenas 50 minutos, indicando que já estavam prontas para o disparo muito antes do resultado. Estima-se que Neymar tenha faturado mais de R$ 30 milhões em menos de uma hora.

“Ele fora de campo é um fenômeno. As marcas que querem falar com o público mais jovem, abaixo dos 30 anos, apostam nele porque ele sabe como se comunicar. Hoje, só perde para Cristiano Ronaldo e Messi em termos de ocupar o espaço de grande ídolo global, mesmo, já há muito tempo, não rendendo em campo, diferente desses outros jogadores”, explica Somoggi.

Quando questionado no Museu do Amanhã a respeito das motivações por trás da convocação, levando em conta o desempenho recente de Neymar, Ancelotti negou qualquer pressão publicitária, mantendo-se firme à decisão de convocar o atleta. “Como disse, deixa a pensar que temos deixado fora desta lista jogadores importantes. Mas temos tomado essa decisão sem nenhum tipo de pressão externa”, explicou.

Afinal, por que ele é tão importante?

Mesmo com uma imagem pessoal e profissional cheia de altos e baixos, Neymar ainda é o favorito das marcas. Não existe medo em se associar à imagem do jogador. A explicação? Ele movimenta muito dinheiro, atrai atenção global e audiência, além de impulsionar a venda de camisas e contratos publicitários, algo que nenhum outro jogador brasileiro consegue atualmente. Ele tem essa capacidade de gerar notícia, impacto e retorno para as marcas.

“As pessoas ainda têm essa coisa imatura de analisar aquele Neymar do passado como se fosse o atual. Então as marcas se aproveitam disso, desse sonho de o Neymar dar a volta por cima, como aconteceu com o Ronaldo. Só que o Ronaldo chegou de uma batalha de dois anos de preparo para ir para a Copa, o que não é o caso do Neymar”, acrescenta Somoggi.

Além disso, direitos de transmissão, licenciamentos e campanhas digitais passaram a depender diretamente da imagem dos atletas, levando os rostos em campo a transformarem a Copa em um evento bilionário de negócios em escala internacional. Somoggi explica que, para os patrocinadores, é importante ter jogadores midiáticos. “A seleção estava muito morna sem ele, então tudo isso pode estar acarretado nesse oba-oba em torno da convocação”, acrescenta.

No que se trata do apelo perante o público, Somoggi aponta para a ausência e carência de outros ídolos no futebol brasileiro. Ele ocupa um espaço que nenhum outro jogador consegue ocupar, nem Vini Jr. e nem Rafinha, pois eles estão desconectados da população.

“Na minha opinião, isso tudo vai por terra se o Brasil perder ou o Neymar não entrar em campo, ou se questionarem a ida de um jogador sem condições. Isso é muito comum: começa no oba-oba e termina em uma grande frustração. As marcas sabem disso, e por isso elas estão apostando tudo nesse grande momento que antecede a Copa, mas quando a coisa começa a naufragar, elas rapidamente tiram o time de campo e as campanhas do ar; é o que tem acontecido desde 2006. As marcas estão tomando esse risco porque sabem que 80% da população brasileira vai acompanhar a Copa do Mundo”, finaliza Somoggi.

[Fonte Original]

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