A SpaceX precificou nesta quinta-feira (11) sua oferta pública inicial de ações (IPO) em US$ 135 por papel, consolidando a maior abertura de capital já realizada nos Estados Unidos. A operação movimentou US$ 75 bilhões com a venda de 555,56 milhões de ações e avaliou a companhia de Elon Musk em US$ 1,77 trilhão.
Com esse valor de mercado, a SpaceX deve estrear entre as sete empresas mais valiosas listadas nas bolsas americanas quando começar a ser negociada na Nasdaq nesta sexta-feira (12).
O volume captado supera com folga o recorde anterior, da petroleira saudita Saudi Aramco, que levantou cerca de US$ 25,6 bilhões em sua abertura de capital. A operação também representa um marco para o mercado americano, ao ocorrer em um momento de retomada das ofertas de tecnologia após anos de juros elevados e menor apetite por risco.
A avaliação bilionária da SpaceX combina diferentes frentes de negócio. Além da liderança global em lançamentos espaciais, a empresa opera a rede de internet via satélite Starlink e tem ampliado investimentos em inteligência artificial e infraestrutura espacial.
Para Antonio Patrus, diretor da Bossa Invest, a demanda observada durante o processo de oferta já indicava a força do interesse dos investidores. Segundo ele, os pedidos chegaram a superar em quase quatro vezes o volume disponível.
“A SpaceX chega à bolsa com lastro real, combinando a receita recorrente da Starlink com posição dominante em lançamentos orbitais. O resultado confirma que existe apetite profundo do mercado por ativos de tecnologia com monetização comprovada”, afirma.
O sucesso da oferta também aumenta as expectativas em torno de outros IPOs aguardados pelo mercado, como os de Anthropic e OpenAI.
Segundo Patrus, a operação da SpaceX abre caminho para novas captações bilionárias, mas não elimina as dúvidas sobre empresas de inteligência artificial que ainda estão em fase de forte investimento.
“A janela de 2026 está escancarada. Mas existe uma diferença importante: a SpaceX vendeu ao mercado um negócio com monetização comprovada. Empresas de IA, com modelos de receita ainda em maturação e queima de caixa intensa, podem enfrentar uma régua mais exigente”, diz.
Na avaliação do executivo, o verdadeiro teste para o mercado não será apenas o tamanho da captação, mas o desempenho das ações após a estreia. “As primeiras semanas de negociação mostrarão se os investidores estão dispostos a pagar prêmio apenas pela narrativa da inteligência artificial ou se continuarão exigindo resultados concretos”, afirma.