18.3 C
Brasília
segunda-feira, julho 6, 2026

Brasil tem potencial para elevar participação do turismo no PIB, afirma diretor da ONU

- Advertisement -spot_imgspot_img
- Advertisement -spot_imgspot_img

Heitor Kadri: “Estamos apoiando bancos multilaterais na criação de linhas de crédito; não com recursos, mas com metodologias e inteligência turística” — Foto: Leo Pinheiro/Valor

O atual boom do turismo no Brasil pode ser catalisador para mobilizar governos e investidores a um ciclo de crescimento sustentável da atividade do país. A análise é de Heitor Kadri, diretor do Escritório Regional da ONU Turismo para as Américas, para quem o Brasil tem potencial para elevar nos próximos anos a parcela do turismo no Produto Interno Bruto (PIB), atualmente em 8%.

O diretor, que conversou com o Valor no escritório regional da ONU Turismo para as Américas, em uma sala com vista para a baía de Guanabara, no centro do Rio, confirmou ainda que o país sediará a 3ª Cúpula da ONU Turismo para a África e as Américas. O encontro deve ser na capital fluminense em 2027.

Kadri está à frente do escritório no país desde a inauguração, em março do ano passado. Em pouco mais de um ano de trabalho, a organização tem atuado em diversos eixos para promover turismo no Brasil e Américas.

Um deles é acionar governos e iniciativa privada para impulsionar ações de sustentabilidade do turismo no continente. Entre essas ações estão atividades de adaptação e mitigação para proteção de recursos naturais e patrimônio, e racionalização e/ou eliminação de uso de plásticos.

A organização também tem promovido estudos em busca de alternativas ao combustível de aviação. “Vários países da região, em especial o Brasil, têm muito a ganhar com adoção de fontes alternativas de combustíveis”, disse. “Sabemos que não é só apresentar combustíveis alternativos: temos também que preparar o setor da aviação. Estudos da ONU Turismo estimam que entre 35% e 40% dos gases de efeito estufa provêm do transporte aéreo.”

O diretor acrescentou que há planos de expansão para a América do Sul dos trabalhos do Centro Global de Resiliência e Gestão de Crises do Turismo (GTRCMC), fundado na Jamaica e apoiado pela ONU. O órgão lida com preparação, planejamento e recuperação pós-desastres naturais.

Vários países da região, em especial o Brasil, têm muito a ganhar com adoção de fontes alternativas de combustíveis”

Além de ações em prol da sustentabilidade na economia turística, a ONU Turismo nas Américas desenvolve, junto aos países do Mercosul, produtos turísticos “pluridestinos e multinacionais”. É o caso, por exemplo, de mapeamento, unificação da comunicação e oferta turística da “Rota dos Jesuítas”. A ideia é que os turistas possam visitar de forma sistemática uma corredor turístico internacional e conhecer o patrimônio cultural jesuítico no Cone Sul – Paraguai, Argentina, Brasil, Chile.

Outra rota que a ONU Turismo pretende impulsionar é a gastronômica. A ideia é promover produtos como vinho, café e erva-mate como chamarizes para o turismo. “Será lançado um guia da ONU Turismo de boas práticas em turismo gastronômico em agosto”, informou.

Kadri admitiu que há desafios. Um deles é impulsionar atração de investimentos para o setor. Para isso, o escritório trabalha na melhoria do ambiente de negócios na América Latina. Entre iniciativas estão a produção de 15 guias para as Américas, com o detalhamento sobre condições para abrir empresas, incentivos fiscais e oportunidades de projetos, com regras específicas de cada país.

A ONU Turismo tem feito parcerias para auxiliar na estruturação de planos de negócios de projetos turísticos para atrair investidores internacionais. “Estamos também apoiando bancos multilaterais na criação de linhas de crédito. Não com recursos, mas sim com metodologias e na parte de inteligência turística”, disse Kadri. Há expectativa de lançamento de linha de crédito, nesse sentido em 30 dias envolvendo um banco multilateral e outro comercial, acrescentou. “Outra iniciativa em andamento, com o Banco Interamericano de Desenvolvimento, é capacitação para formar rede latino-americana de atração de investimentos.” A rede forneceria capacitação técnica sobre turismo para o setor público.

Há desafios. Um deles é impulsionar atração de investimentos para o setor de turismo”

Outro eixo a ser trabalhado é a facilitação de circulação de pessoas, com trabalho junto a governos para tornar mais simples a emissão de vistos. A ideia é apresentar a países das Américas resultados positivos de países que promoveram isenções bilaterais. Um exemplo foi a decisão de Brasil e China, que adotaram, neste ano, isenção recíproca de vistos para estadias de até 30 dias.

No acumulado de janeiro a maio, 55.260 turistas chineses entraram no Brasil, alta de 43% ante igual período em 2025, segundo o Ministério do Turismo. Há estudos de procedimentos consulares para promover vistos eletrônicos e terceirização de centros de visto.

Todos esses eixos deverão ser mencionados na 3ª Cúpula da ONU Turismo para a África e as Américas. O evento, cuja edição anterior ocorreu em Zâmbia, funciona como espécie de reunião conjunta da Comissão das Américas (CAM) e da Comissão da África (CAF) da ONU Turismo e visa discutir iniciativas intrarregionais entre os dois continentes.

Kadri projeta presença de 50% a 60% dos Estados-membros das duas comissões, com 30% a 40% representados por ministros. Para ele, a cúpula ajudará a fomentar um “brainstorm” entre iniciativas públicas e privadas no turismo, rodadas de negócios para trade turístico e intercâmbio de estratégias de promoção.

[Fonte Original]

- Advertisement -spot_imgspot_img

Destaques

- Advertisement -spot_img

Últimas Notícias

- Advertisement -spot_img