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sexta-feira, julho 31, 2026

Dólar avança nesta sexta, mas encerra julho em queda acumulada de 1,8%

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O dólar à vista terminou o pregão desta sexta-feira em leve alta frente ao real, em um dia marcado por ajustes de posição e correção de excessos, após certa euforia com os ativos de risco no pós-Fed ontem. No fechamento do mês de julho, porém, a moeda americana amargou uma queda de 1,81% frente ao real, em um período marcado por alívio e novo estresse na percepção de risco global e também pelo suporte do novo repique dos preços do petróleo.

Encerradas as negociações desta sexta-feira, o dólar à vista fechou em alta de 0,17%, cotado a R$ 5,0696, depois de ter tocado a mínima de R$ 5,0612 e batido na máxima de R$ 5,0872. Já o euro comercial apreciou 0,17%, a R$ 5,8452, acumulando queda de 0,91% no mês. No exterior, perto do fechamento, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, avançava 0,08%, aos 99,945 pontos.

A sessão desta sexta-feira iniciou com atraso por conta de problemas na B3. Como os preços do câmbio no mercado à vista são um espelho do movimento do mercado futuro, a demora na abertura dos derivativos atrasou também as negociações no mercado à vista. Assim, em vez de abrir às 9h (horário de Brasília), o mercado iniciou às 9h35. Em outros mercados o problema foi ainda pior, com a abertura ocorrendo a partir das 12h30 (como no caso dos contratos mini de dólar, os mais negociados no câmbio).

Para operadores de câmbio, o atraso nas negociações de dólar foi contido, já que os contratos grandes abriram ainda pela manhã, antes da formação da primeira Ptax. “O problema seria se houvesse um atraso muito maior, sem as negociações dos contratos grandes, porque poderia afetar a formação da Ptax. A pior coisa seria o Banco Central ter que mudar a regra por causa disso”, diz um trader.

O movimento do dólar esteve bastante alinhado com a dinâmica global, ainda que o real figurasse entre as dez piores divisas mais líquidas. Com o fechamento de julho, o dólar acumula agora desvalorização de 7,64% frente ao real. Uma das maiores quedas entre as moedas mais líquidas, apenas atrás do recuo de 16% do dólar ante o peso colombiano.

Em nota, o estrategista Alvaro Vivanco, do Wells Fargo, diz hoje que o cenário externo tornou-se levemente mais favorável para as moedas emergentes com juros altos, mas os fatores determinantes e seus impactos diferem entre os países. “Esta foi uma semana interessante. O Federal Reserve (Fed) transmitiu uma mensagem mais ‘dovish’ do que o mercado esperava e a intervenção coordenada na Ásia deu suporte aos ativos de maior risco, incluindo as moedas latino-americanas”, diz.

Para Vivanco, porém, as condições continuam restritivas. “Acreditamos que as próximas semanas continuarão desafiadoras e, por isso, preferimos manter estratégias de valor relativo.”

Em maio, a casa havia encerrado a posição comprada em real contra o peso colombiano (aposta a favor do real e contra o peso colombiano). O encerramento se deu por conta de ruídos políticos que começaram a perder força na Colômbia e a crescer no Brasil, por causa da questão eleitoral. Agora, segundo o profissional, o cenário mudou. “Agora, acreditamos que as narrativas relativas entre os dois países foram longe demais e que os níveis atuais oferecem um excelente ponto de entrada para retomar uma posição.”

Segundo Vivanco, o real acumulou queda de cerca de 19% frente ao peso colombiano e está bem abaixo de suas médias de longo prazo. “O carry levemente positivo não é o principal motivo da operação — os fundamentos são —, mas estar comprado em real também representa uma forma eficiente de ficar vendido em peso colombiano.”

Além disso, o estrategista diz que a reeleição de Lula passou a ser o cenário-base, e que grande parte do impacto negativo desse desfecho já foi incorporada aos preços do real. “Avaliamos que, em comparação com a Colômbia, o ponto de partida dos fundamentos macroeconômicos do Brasil é mais favorável e não exige grandes ajustes. Além disso, as contas externas brasileiras permanecem em uma posição bastante sólida e devem continuar sendo beneficiadas pelos preços mais elevados do petróleo e de outras commodities.”

[Fonte Original]

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