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terça-feira, julho 7, 2026

A árvore que virou floresta: como o cajueiro de Pirangi, no Rio Grande do Norte, se tornou o maior do mundo

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Uma única árvore que se espalha por uma área equivalente a mais de um campo de futebol, produz até 80 mil frutos por safra e atrai cerca de 300 mil visitantes por ano. Localizado na praia de Pirangi do Norte, em Parnamirim, na região metropolitana de Natal, o Maior Cajueiro do Mundo é um dos principais cartões-postais do Rio Grande do Norte e impressiona pelo tamanho: sua copa ocupa entre 8,5 mil e 9 mil metros quadrados, resultado de um crescimento incomum que faz parecer que dezenas de árvores formam uma floresta, quando, na realidade, trata-se de um único organismo.

O exemplar foi reconhecido pelo Guinness World Records, em 1994, como o maior cajueiro do planeta. Sua origem remonta a 1888, quando, segundo a versão mais difundida, a muda foi plantada pelo pescador Luís Inácio de Oliveira. Há, contudo, outra narrativa histórica que atribui o plantio ao ex-prefeito de Natal Sylvio Pedroza, antigo proprietário das terras onde hoje está a árvore. Não há consenso definitivo sobre quem foi o responsável.

O crescimento extraordinário é explicado por uma característica genética conhecida como plagiotropismo. Diferentemente da maioria dos cajueiros, cujos galhos se desenvolvem predominantemente para cima, os ramos do cajueiro de Pirangi crescem na horizontal. À medida que aumentam de tamanho, tocam o solo, criam novas raízes e passam a funcionar como novos pontos de sustentação, dando origem a estruturas que se assemelham a troncos independentes.

O processo se repete continuamente, permitindo que a copa se expanda ao longo das décadas. Por isso, quem percorre as passarelas instaladas no interior da árvore costuma ter a impressão de caminhar por uma mata fechada, embora permaneça sob a copa de um único cajueiro. O tronco original, inclusive, tornou-se difícil de identificar em meio às centenas de ramificações.

Além das dimensões, a produtividade também chama atenção. Durante a safra, que normalmente ocorre entre novembro e janeiro, a árvore produz entre 60 mil e 80 mil cajus, além de milhares de castanhas, movimentando o comércio local de frutas, doces, castanhas e outros derivados.

A expansão da árvore, porém, já não ocorre de forma totalmente livre. Em um dos lados, o crescimento encontra o limite imposto pela urbanização e pela rodovia que passa ao lado do terreno. Para evitar que os galhos avancem sobre a pista, podas técnicas são realizadas periodicamente.

A área onde está localizado o cajueiro conta com estrutura voltada ao turismo, incluindo passarelas suspensas, um mirante para observação da copa, centro de visitantes, lojas de artesanato e pontos de venda de produtos derivados do caju. Do alto do mirante é possível observar a dimensão da árvore, cuja copa forma um amplo mosaico verde que pode ser identificado até mesmo em imagens de satélite.

Embora o cajueiro de Pirangi permaneça reconhecido pelo Guinness World Records como o maior do mundo, o título é alvo de debate desde 2016. Pesquisadores ligados à Universidade Estadual do Piauí divulgaram medições indicando que o chamado Cajueiro Rei, localizado em Cajueiro da Praia (PI), teria aproximadamente 8.832 metros quadrados de copa, área superior a algumas medições feitas em Pirangi.

A divergência decorre, principalmente, das diferentes metodologias empregadas para medir a extensão das árvores. Apesar da disputa, o reconhecimento internacional permanece com o cajueiro potiguar, que segue sendo uma das atrações turísticas mais visitadas do Nordeste e um dos maiores símbolos naturais do Rio Grande do Norte.

[Fonte Original]

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