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domingo, julho 5, 2026

Sob influência da direita dos EUA, fala de Figueiredo desencadeia posicionamento contra voto feminino

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A fala do blogueiro bolsonarista Paulo Figueiredo, aliado do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), sobre as mulheres votarem “estatisticamente muito mal” não circulou de forma isolada e ativou nas redes sociais grupos radicalizados contrários ao voto feminino, agenda que também é difundida por apoiadores de Donald Trump nos Estados Unidos. A reação, que expôs um racha no campo bolsonarista, é apontada por um levantamento feito a pedido do GLOBO pelo instituto Democracia em Xeque, que monitora campanhas de desinformação e discurso de ódio online.

Um eixo central desse discurso é uma associação pejorativa entre o comportamento eleitoral feminino e a expansão do feminismo, movimento que defende o combate ao machismo e a igualdade de gênero. Um dos destaques, nesse universo, é um vídeo da influenciadora de direita Pietra Bertolazzi, que tem 1 milhão de seguidores no Instagram e mobilizou uma defesa explícita da restrição ao voto feminino ao se declarar, nesta semana, contra o sufrágio das mulheres em publicação no YouTube.

De acordo com o levantamento a partir de dados da plataforma de monitoramento Talkwalker, o termo “voto feminino” somou 23 mil menções nas redes entre 27 de junho e a última sexta-feira — o pico foi registrado após a saída da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro do comando do PL Mulher, anunciada em meio a um embate público com o enteado. Uma análise feita pelo Democracia em Xeque a partir de 263 postagens com 2,3 milhões de interações revela que a repercussão do vídeo de Paulo Figueiredo representou a maior fatia dos conteúdos sobre o assunto (38% do total). Nesse grupo, a base bolsonarista somou quase metade das publicações (45%).

— Os discursos que carregam mais peso de misogonia acabam circulando por perfis mais radicalizados, perfis que já têm um histórico e uma tendência de se posicionar contra mulheres, contra o movimento feminista — explica a diretora de pesquisa do Democracia em Xeque, Letícia Capone.

[Fonte Original]

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