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terça-feira, agosto 4, 2026

Sob as Cataratas de Sangue, cientistas encontram vestígios de um mundo perdido na Antártica

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Uma comunidade de microrganismos marinhos permaneceu ativa por milhões de anos em um reservatório subterrâneo de água extremamente salgada sob a geleira Taylor, na Antártica. A descoberta foi apresentada em um estudo publicado na revista Nature Geoscience na última segunda-feira (03).

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A pesquisa, liderada pela microbiologista Angela Zoumplis, da Universidade da Califórnia em San Diego, identificou organismos eucarióticos que vivem no ambiente conhecido como Blood Falls, uma formação marcada por uma corrente de água avermelhada que escorre da geleira até o lago Bonney, no Vale Seco de McMurdo.

Os cientistas concluíram que esses seres podem ser descendentes de uma antiga comunidade marinha isolada quando a água do oceano ficou presa sob o avanço do gelo. O ambiente extremo teria funcionado como um refúgio capaz de preservar formas de vida que atravessaram profundas mudanças no clima da Antártida.

Um arquivo vivo escondido sob o gelo antártico

A água que verte da cachoeira é salgada. Crédito: Earth Surface/AGU

A Blood Falls chama a atenção há mais de um século por sua aparência incomum. Durante a expedição de 1911, o geólogo Thomas Griffith Taylor observou pela primeira vez a formação, cuja coloração vermelha inicialmente foi atribuída à presença de algas.

Estudos posteriores mostraram que a origem da tonalidade é outra. O fenômeno ocorre porque uma reserva subterrânea de água salgada contém grande quantidade de ferro dissolvido. Quando esse material entra em contato com o oxigênio ao alcançar a superfície, ocorre a oxidação que deixa o fluxo com aspecto avermelhado.

Esse reservatório permaneceu protegido sob a geleira Taylor por pelo menos 1,5 milhão de anos. A explicação para sua sobrevivência está nas características da própria água, cuja alta concentração de sais reduz o ponto de congelamento e permite a existência de bolsões líquidos mesmo em um continente coberto por gelo.

Embora a região já fosse conhecida por abrigar bactérias e arqueias, organismos unicelulares classificados como procariontes, a nova investigação concentrou atenção em outro grupo: os microrganismos eucarióticos.


Esses seres possuem estruturas internas mais complexas, incluindo núcleo celular. Entre eles estão organismos como diatomáceas, dinoflagelados, haptofíceas e ciliados, grupos frequentemente associados a ambientes marinhos.

Para investigar a presença dessas formas de vida, Zoumplis e sua equipe analisaram 167 amostras coletadas em diferentes pontos da região, incluindo a própria corrente vermelha da Blood Falls, sedimentos, gelo, lama, áreas do Vale Seco de McMurdo e ambientes marinhos próximos.

Crédito: Jill Mikucki/Sociedade de Biologia Integrativa e Comparada

A equipe utilizou análises de RNA ambiental para diferenciar organismos que ainda estavam metabolicamente ativos daqueles representados apenas por vestígios genéticos deixados no ambiente.

Os resultados indicaram que não se tratava apenas de microrganismos transportados pelo vento desde a costa. A concentração desses seres ao redor da Blood Falls e suas diferenças genéticas em relação a parentes marinhos atuais apontaram para uma história de isolamento prolongado.

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De acordo com os pesquisadores, essa característica sugere que a comunidade encontrada pode representar descendentes de organismos que ficaram presos quando antigas águas marinhas invadiram a região antes da formação do atual cenário congelado da Antártida.

A equipe também considera que a sobrevivência desses microrganismos pode estar relacionada a diferentes estratégias. Algumas espécies teriam desenvolvido adaptações para lidar com a elevada salinidade, enquanto outras poderiam ter passado longos períodos em estado de dormência até que as condições ambientais permitissem novamente sua atividade.

Para os cientistas, a importância da descoberta está na possibilidade de estudar diretamente organismos ligados a um ambiente antigo, em vez de depender apenas de fósseis ou registros geológicos para reconstruir como era a Antártida no passado.

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Segundo os autores do estudo, a Blood Falls representa um possível abrigo de linhagens antigas e oferece uma oportunidade para compreender como ecossistemas isolados respondem a grandes transformações ambientais.

Wagner Edwards

Wagner Edwards

Wagner Edwards é Bacharel em Jornalismo e atua como Analista de SEO e de Conteúdo no Olhar Digital. Possui experiência, também, na redação, edição e produção de textos para notícias e reportagens.




[Fonte Original]

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