Desfile de 7 de Setembro, em 1975, dos alunos do Colégio João Goulart, na avenida Central – onde hoje está localizado o Calçadão (Arquivo Histórico Municipal/Balneário Camboriú)
O ímpeto de traçar novas realidades sobre territórios existentes tende a estar associado ao poder do plano de reinventar lugares cujas práticas culturais e espaciais não são tidas como relevantes aos interesses do capital. Nos últimos séculos, grandes reformas derrubaram quarteirões inteiros para adequar cidades a gestos desenhados sobre o papel. Nenhum lugar, porém, tão ideal quanto um espaço visto como vazio – a famosa tábula rasa – para ver a modernidade prosperar. Em A vida descalço, romance que fabula a partir das memórias infantis na areia de um pequeno balneário argentino, o escritor Alan Pauls descreve a praia como um lugar inevitavelmente associado ao sonho. A justificativa, conta-nos Pauls, remete ao fato de aquele ambiente ser tomado pela monotonia do branco da areia e do azul do céu e mar: um espaço-tela por excelência. É o suposto vazio identificado na paisagem, disponível ao colonizador – ao pioneiro – responsável por estimular a imaginação, e incitaria o observador a projetar sobre ela novas imagens, sem com isso contrariar sua natureza original. Uma terra fértil que convida a cultivar, fomentando a promessa de novas utopias.
Foi provavelmente uma paisagem semelhante à que Pauls avistou em sua infância que empresários descobriram na praia de Camboriú em meados do século 20, momento em que capitais brasileiras se verticalizavam e balneários turísticos eram projetados como empreendimentos público-privados de alta rentabilidade. Na praia Central da cidade catarinense, planos, imaginários e ficções foram cu
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