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domingo, agosto 23, 2026

Ouro dispara com recompras do Tesouro americano e desvalorização do dólar

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O ouro subiu ao maior nível em três meses, depois que a forte intervenção do Tesouro dos Estados Unidos para tentar conter uma alta prejudicial dos custos de financiamento reacendeu os temores dos investidores em relação à situação fiscal do país.

O metal avançou na sexta-feira para o maior nível desde meados de maio e encerrou a semana com alta de 5,50%. Os preços vêm subindo desde que o Tesouro americano anunciou, na quarta-feira, uma ampliação inesperada das recompras de títulos públicos de longo prazo, pressionando para baixo os rendimentos dos Treasuries e o dólar.

Os esforços para controlar os custos de financiamento por meio de uma intervenção direta reacenderam entre investidores e analistas as preocupações de que a política dos Estados Unidos possa enfraquecer a confiança no dólar e levar investidores a buscar alternativas, uma tese que ajudou a impulsionar a forte alta de 65% do ouro em 2025.

A medida do Tesouro “é um sinal muito importante para o ouro”, afirmou Bhanu Baweja, estrategista-chefe do UBS Group, em entrevista à Bloomberg TV. O metal será o principal beneficiário dos esforços dos Estados Unidos para conter seus custos de financiamento, disse ele, enquanto “o dólar pagará o preço”.

A mudança representa uma forte recuperação do sentimento em relação ao ouro. O metal vinha recuando gradualmente desde as máximas registradas no início do ano, à medida que o novo presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, reafirmou sua independência e a guerra com o Irã aumentou a perspectiva de altas de juros pelo Fed. O ouro ainda está cerca de US$ 1.000 por onça abaixo do pico registrado no fim de janeiro.

Um dólar mais fraco tende a favorecer as commodities cotadas na moeda americana, especialmente o ouro. Um índice que acompanha o desempenho da divisa ampliou as perdas e atingiu a mínima em três meses na sexta-feira, depois de cair fortemente no início da semana.

Na quinta-feira, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, foi além do anúncio surpreendente feito na quarta-feira e afirmou estar preparado para ampliar as recompras dos títulos mais caros. Ele também sinalizou que o governo apresentará em breve uma iniciativa fiscal para lidar com os maiores custos de financiamento dos últimos anos.

Rendimentos mais baixos normalmente favorecem o ouro, ao reduzirem o custo de oportunidade de manter um ativo que não paga juros. Mas, mesmo depois que os Treasuries de 30 anos devolveram a maior parte dos ganhos registrados após o anúncio das recompras, o ouro continuou avançando com força.

“O interessante é que o ouro se manteve firme mesmo com os rendimentos dos Treasuries de longo prazo permanecendo elevados”, afirmou Charu Chanana, estrategista-chefe de investimentos da Saxo Markets. “Isso sugere que a alta está cada vez mais relacionada à fraqueza do dólar e à credibilidade fiscal ou monetária dos Estados Unidos, e não simplesmente a uma história de queda dos rendimentos.”

Desvalorização da moeda

Uma das principais teses que sustentaram a disparada do ouro ao longo de 2025 foi o chamado “debasement trade”, ou aposta na desvalorização das moedas.

Segundo essa tese, países altamente endividados, como Japão, França e Estados Unidos, saíram da pandemia de Covid com pouca disposição aparente para adotar disciplina fiscal. A única saída para tornar a dívida sustentável seria por meio de inflação e enfraquecimento da moeda, uma tendência que deveria beneficiar os metais preciosos.

“O debasement trade voltou, tanto como operação quanto como tema”, afirmou Nicky Shiels, estrategista de metais da MKS Pamp, em nota nesta semana. “A única saída é a diluição da moeda. Simplesmente não há demanda ou liquidez nos rendimentos atuais se as autoridades não forem aquelas que estão sustentando o mercado.”

Os fundos negociados em bolsa lastreados em ouro, uma das formas mais populares de investidores individuais e institucionais obterem exposição ao metal, vinham registrando meses de saídas constantes desde o início da guerra, mas esse padrão agora mudou de forma clara.

Os fundos acompanhados pela Bloomberg adicionaram 18 toneladas de ouro às suas posições na quinta-feira, o maior aumento em um único dia desde setembro de 2025, e caminhavam para a quinta semana consecutiva de entradas.

Ainda assim, a alta de cerca de 14% do ouro neste mês pode ser limitada pela recuperação dos preços da energia, que mantém os riscos inflacionários e as apostas em altas de juros no radar.

O petróleo caminha para registrar ganho semanal depois que a ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de pressionar ainda mais a economia iraniana reduziu as perspectivas de um acordo no curto prazo para a reabertura do Estreito de Ormuz. A Casa Branca afirmou que divulgará os detalhes do plano na segunda-feira.

O ouro à vista subia 2,2%, a US$ 4.614,63 por onça, às 12h15 em Nova York. A prata avançava 2%, para US$ 69,46 por onça. Platina e paládio também subiam.

O Bloomberg Dollar Spot Index, indicador que acompanha o desempenho da moeda americana, recuava 0,2% e caminhava para encerrar a semana em queda.

[Fonte Original]

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