Crédito, Andressa Anholete/Agência Senado
- Author, Mariana Schreiber
- Role, Da BBC News Brasil em Brasília
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Sem conseguir atrair outros partidos para sua candidatura ao Palácio do Planalto, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou nesta quarta-feira (5/8) que terá o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato ao cargo de vice-presidente em sua chapa.
A escolha surpreendeu, já que Gaspar não aparecia entre os cotados. Além disso, havia expectativa de que a chapa seria composta por uma mulher, na tentativa de reduzir a rejeição feminina a votar em Flávio.
Ambos prefeririam manter a neutralidade na corrida presidencial, devido a divergências internas e ao foco principal nas disputas estaduais e na eleição para o Congresso Nacional.
O nome preferido do candidato do PL para concorrer em sua chapa era o da senadora Tereza Cristina (PP-MS), nome forte do agronegócio.
Outro nome cotado era a economista Daniella Marques (Republicanos), que presidiu a Caixa no governo de Jair Bolsonaro. As duas estavam presentes no evento em que Flávio divulgou quem seria seu vice e discursaram antes de o nome de Alfredo Gaspar ser anunciado.
Gaspar foi relator da CPMI do INSS, comissão parlamentar que investigou desvios nos benefícios de aposentados e pensionistas. Seu relatório final pediu mais de 200 indiciamentos, incluindo a prisão preventiva de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. O relatório, porém, foi rejeitado pela CPMI.
Segundo deputado mais votado de Alagoas, ele já foi procurador-geral de Justiça e secretário de Segurança Pública do Estado no governo de Renan Filho (MDB), filho de Renan Calheiros (MDB). Bolsonarista, depois rompeu com o clã devido à sua aliança com Lula.
“É uma pessoa que eu aprendi a admirar, todos vocês aqui aprenderam a admirar pela coragem, pela honestidade, pela sua história a frente da segurança pública”, disse Flávio ao anunciar Gaspar.
“Alguém que já foi promotor de Justiça, chefe de Ministério Público do seu Estado, alguém que enfrentou e defendeu os nossos aposentados na CPI do INSS. Alguém que pediu a prisão do Lulinha porque não tinha culpa no cartório”, continuou.
Após ser anunciado, Gaspar exaltou Jair Bolsonaro e prometeu lealdade.
“Eu sou o seu soldado. Alguém simples mas que está pronto pra luta. Alguém que tem boa fé, que sabe o tamanho da responsabilidade”.
“Terei lealdade e gratidão, terei a coragem de enfrentarmos juntos a corrupção, o crime organizado, e essa economia em frangalhos, culpa do que Lula e a equipe têm feito com o país”.
Chapa isolada
Flávio chega para a disputa mais isolado que seu pai em 2022. Naquele ano, quando Jair Bolsonaro tentou a reeleição, teve apoio do PP e do Republicanos. Apesar disso, sua chapa também era puro-sangue, tendo o general Braga Netto (PL) como candidato a vice.
Em 2022, o petista tinha apoio de dez partidos, mas o perfil era semelhante, com predomínio da esquerda. Na ocasião, estavam na coligação os mesmos de agora, com exceção do PDT, e havia também o apoio de Solidariedade, Pros e Agir.
Para o cientista político da Consultoria Tendências Rafael Cortez, Flávio optou por um nome mais associado à política tradicional do que ao bolsonarismo raiz.
Gaspar começou sua carreira política no MDB e passou também pelo União Brasil, antes de se filiar ao PL.
Cortez lembra que outros nomes mais ligados ao bolsonarismo chegaram a ser cotados, como o da senadora Bia Kicis (PL-DF) e da deputada Júlia Zanatta (PL-SC).
“Dada a ausência de figuras de outros partidos apoiando a campanha do Flávio, que optaram pela neutralidade, me parece que a opção foi mais uma escolha voltada para o mundo político do que por algum sinal importante que essa figura traria do ponto de vista do eleitorado”, analisa.
“Então, o dilema do Flávio era um pouco esse: uma escolha que daria cara de uma campanha bolsonarista, fazer um apelo [ao eleitorado feminino] eventualmente com uma mulher, ou dar uma cara de política profissional, de um nome que traz alguma interlocução com a política tradicional”, continuou.
A cientista política Carolina Botelho, pesquisadora do Laboratório de Estudos Eleitorais, de Comunicação Política e de Opinião Pública da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), a escolha de Flávio é consequência da sua dificuldade de atrair siglas fortes da direita para sua coligação.
“Assim como não houve mulher com algum tipo de competitividade que quisesse fazer parte também”, afirma.