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domingo, agosto 9, 2026

Quem são os Hillbilly Thomists? Frades dominicanos fazem sucesso com bluegrass

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Um grupo de frades dominicanos, conhecidos como The Hillbilly Thomists, está chamando a atenção ao conciliar a vida religiosa com o sucesso na música bluegrass. Em turnê pelo sul dos Estados Unidos neste mês de agosto de 2026, os religiosos lançaram o álbum Strange Land, que mistura doutrina católica com ritmos tradicionais americanos, atraindo fãs que vão de jovens universitários ao Papa.

Quem são os Hillbilly Thomists e como eles conciliam a música com a batina?

Eles são frades da Ordem dos Pregadores, conhecidos como dominicanos, que decidiram usar o bluegrass — um gênero musical tradicional dos Estados Unidos que utiliza instrumentos como bandolim e banjo — para evangelizar. O grupo é formado por padres que possuem funções sérias e exigentes na Igreja, atuando como professores, reitores de universidades em Roma, capelães e pastores em tempo integral. Eles se autodenominam ‘cães de caça do Senhor’, uma referência ao trocadilho histórico com o nome da ordem (Domini canes). A música surge como uma extensão da fraternidade entre eles, mas sempre em segundo plano em relação aos deveres religiosos. O processo de gravação e pós-produção do novo disco, por exemplo, levou mais de um ano para ser concluído, justamente porque a prioridade dos membros é o atendimento às suas comunidades e o estudo teológico, deixando as turnês e ensaios restritos a breves períodos durante o verão.

O que o público pode esperar do novo álbum Strange Land?

O álbum Strange Land, ou ‘Terra Estranha’ em português, representa um salto na qualidade técnica e na sofisticação musical do conjunto. Diferente dos trabalhos anteriores, que eram gravados de forma mais caseira em casas de retiro, desta vez os frades contaram com a ajuda de engenheiros de som profissionais. O repertório é variado e criativo, incluindo desde hinos espirituais profundos até canções com títulos bem-humorados. O tema central do disco gira em torno da ideia de peregrinação, esperança e as lutas diárias da fé, tudo isso embalado por arranjos complexos e harmonias vocais precisas. As letras conseguem a façanha de unir a cultura caipira americana com a teologia de São Tomás de Aquino, o filósofo mais importante da ordem dominicana. É uma mistura de sons alegres de cordas com reflexões sobre o destino da alma e a vida intelectual cristã, criando uma experiência que é, ao mesmo tempo, entretenimento e oração.

Qual foi a reação do Vaticano e do Papa diante desse projeto musical?

A recepção no coração da Igreja Católica foi surpreendente e positiva. O Padre Thomas Joseph White, um dos fundadores da banda e reitor da Universidade Angelicum em Roma, revelou que os CDs do grupo chegaram às mãos do Papa. Durante um encontro oficial, o pontífice demonstrou interesse e fez questão de manter as gravações por perto, o que gerou brincadeiras entre os frades sobre a possibilidade de suas letras serem citadas em futuras encíclicas — os documentos mais importantes escritos por um Papa. Além do reconhecimento do Vaticano, a banda desenvolveu uma base de fãs muito fiel e orgânica. Não é raro ver jovens em shows usando camisetas e bonés personalizados criados por eles mesmos, com símbolos da banda, como cães carregando tochas. Esse fenômeno mostra que a música dos frades conseguiu romper a barreira dos conventos e se conectar com pessoas que buscam uma fé expressada de forma leve, mas com conteúdo intelectual sólido.