A Comissão Econômica das Nações Unidas para a Europa, Unece, lançou um guia pioneiro que ajuda as cidades a otimizar as fontes de financiamento das suas florestas para enfrentar o calor extremo.
Publicado este mês, o documento demonstra como as cidades podem recorrer a investimentos privados, filantropia, incentivos e participação comunitária para apoiar a manutenção da infraestrutura verde.
Ondas de calor contribuem para mortalidade
As ondas de calor recorde estão a causar um impacto crescente na saúde pública. Apenas nos últimos quatro anos, estima-se que mais de 200 mil mortes na União Europeia estejam relacionadas com as altas temperaturas.
Na linha da frente das alterações climáticas encontram-se as cidades, nas quais florestas urbanas e periurbanas constituem uma linha de defesa vital, contribuindo para a regulação da temperatura e da qualidade do ar.
No entanto, as copas destas árvores urbanas permanecem, cada vez mais, vulneráveis à seca e ao calor extremo. Existe ainda a necessidade de uma gestão cuidadosa e a longo prazo, piorados com a falta crônica de orçamento.
Fumaça do incêndio florestal de Trévillach em Perpignan, França.
Novas “raízes” de financiamento
Para ajudar as cidades a quebrar este ciclo, o guia da Unece questiona a ideia de que os municípios devem depender exclusivamente dos orçamentos públicos para sustentar a sua cobertura arbórea urbana.
A publicação demonstra como, através de novas fontes de financiamento, os executivos podem garantir a sustentabilidade dos seus espaços verdes, recorrendo a exemplos reais de cidades espalhadas pelo mundo.
Na capital do Reino Unido, os corredores verdes estão integrados nas principais redes de transportes, sendo apoiados através de orçamentos de infraestruturas e processos de concurso.
Por sua vez, a cidade de Leipzig, na Alemanha, envolve os residentes diretamente através de um programa de arborização urbana financiado pela população.
Já na cidade australiana de Melbourne, a gestão das florestas urbanas assenta em fundos específicos, garantindo os recursos financeiros a longo prazo para o aumento das áreas verdes nas cidades.
Novos desafios exigem planeamento estratégico
Num contexto de crescentes pressões climáticas e de escassez de recursos públicos, a Unece sublinha que, para os dirigentes municipais, o desafio já não passa por decidir se devem investir em florestas urbanas, mas antes por garantir a sua sustentabilidade a longo prazo.
De acordo com a comissão da ONU, apenas o financiamento inovador, aliado ao planeamento estratégico e a parcerias mais sólidas determinarão se as florestas urbanas poderão continuar a proteger as comunidades do aumento das temperaturas e de outros riscos climáticos.