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quarta-feira, setembro 9, 2026

Valor 1000: Votorantim Cimentos lidera materiais de construção e de acabamento com lucro recorde

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A multinacional brasileira chegou aos 90 anos em 2026 marcando presença em vários segmentos — Foto: Julio Bittencourt/Valor

A Votorantim Cimentos chegou aos 90 anos em 2026 em um ciclo marcado por investimentos em descarbonização, ganhos de competitividade e novos negócios. E a estratégia vem acompanhada de resultados. Líder no setor de materiais de construção e de acabamento do anuário Valor 1000, a multinacional encerrou o ano de 2025 com lucro líquido global recorde de R$ 3,2 bilhões, um aumento de 196% em relação a 2024. A receita líquida foi de R$ 29,4 bilhões, o que representa alta de 9% na comparação com 2024, excluindo variação cambial.

O volume total de vendas de cimento somou 37 milhões de toneladas em 2025, cifra que espelha um crescimento de 5% em relação ao montante comercializado no ano anterior. No Brasil, a receita líquida foi de R$ 14,5 bilhões em 2025, avanço de 13% em relação a 2024, e o Ebitda ajustado totalizou R$ 2,8 bilhões, aumento de 8% na comparação com o ano anterior.

Segundo Osvaldo Ayres Filho, CEO global da Votorantim Cimentos, os bons resultados refletem a força do portfólio, a diversificação geográfica (nacional e internacional) e a estrutura de capital sólida da companhia, mesmo diante de cenários de instabilidade e volatilidade nas regiões em que atua. “A gente vem de uma jornada consistente de evolução. Nesses 90 anos, nos transformamos em uma multinacional brasileira de construção e soluções sustentáveis, com crescimento contínuo nos últimos anos”, destaca o executivo.

Ele pontua que, além de atuar na cadeia de material de construção, a empresa marca presença em diversos segmentos. Atua no setor de agronegócio com a Viter. No de destinação sustentável de resíduos é representada pela Verdera Solutions. Em logística, a atuação é com a Motz. No varejo, a companhia opera com a Juntos Somos +.

 Ayres Filho: jornada consistente — Foto: Divulgação
Ayres Filho: jornada consistente — Foto: Divulgação

ara seguir executando seus planos, com flexibilidade para acelerar ou reduzir o ritmo de acordo com as condições de mercado, a Votorantim Cimentos, ao longo de 2025, implementou diversas iniciativas de gestão estratégica de passivos, focadas na redução de custo e no alongamento de prazos, tanto no mercado local, com emissões de debêntures, quanto no mercado internacional, por meio de bilaterais.

No período, conseguiu reduzir R$ 2,2 bilhões de dívidas, com prazo original entre 2026 e 2029, postergando os vencimentos para 2030 a 2033.

Ayres Filho pontua que a Votorantim Cimentos está bem posicionada para lidar com toda a variação que eventualmente se apresente, seja no Brasil ou no exterior, e preparada para transformar os desafios em oportunidades.

Neste ano, os resultados do primeiro trimestre já sinalizam um cenário positivo: receita líquida global de R$ 6,3 bilhões, avanço de 15% em relação ao mesmo período do ano anterior, desconsiderando os efeitos da variação cambial, e venda de 8 milhões de toneladas de cimento, aumento de 4% em relação ao primeiro trimestre de 2025.

“Tivemos um desempenho bastante favorável nos primeiros três meses de 2026. E acreditamos que, até o final do ano, vamos crescer, assim como nos últimos anos, em uma ordem de duplo dígito”, projeta o CEO.

A Votorantim Cimentos está presente em nove países: Brasil, Argentina, Uruguai, Bolívia, Estados Unidos, Canadá, Espanha, Luxemburgo e Turquia. No total, possui 363 instalações — sendo 158 no Brasil — , com capacidade de produção de 54 milhões de toneladas de cimento por ano.

 — Foto: Arte/Valor
— Foto: Arte/Valor

No ano passado, os investimentos (Capex) da empresa totalizaram R$ 3,7 bilhões, alta de 14% em relação a 2024. Nacionalmente, está em andamento um plano de investimentos de R$ 5 bilhões, sendo que R$ 3,1 bilhões já estão em execução. Esse plano, focado no período de 2024 a 2028, abrange as operações da companhia em todas as regiões brasileiras, visando elevar a capacidade de produção de cimento, competitividade, utilização de combustíveis alternativos e redução das emissões de carbono.

A maior iniciativa individual até agora foi anunciada em julho: investimento de R$ 260 milhões na ampliação da fábrica de Xambioá, em Tocantins. Com isso, ela terá adicionadas mais 500 mil toneladas sobre a atual capacidade de produção anual de cimento, totalizando 1,5 milhão de toneladas por ano a partir de julho de 2028.

No local, também está sendo modernizado o forno de produção de clínquer (matéria-prima base para a fabricação do cimento) e realizado o desenvolvimento tecnológico para um cimento com menor emissão de carbono.

Outra iniciativa que faz parte do plano de investimento no Brasil são as novas moagens nas unidades de Salto de Pirapora (São Paulo), Edealina (Goiás) e Nobres (Mato Grosso). Além disso, há a reativação de forno na fábrica de Laranjeiras (Sergipe), a reativação de moagens de cimento nas unidades de Esteio (Rio Grande do Sul) e Laranjeiras, e a otimização operacional e logística na região Sul, possibilitando aumento na disponibilidade de produto na fábrica de Rio Branco do Sul (Paraná).

Com isso, a Votorantim Cimentos estima uma capacidade adicional em operação de 3,7 milhões de toneladas de cimento por ano ainda em 2026.

“Estamos modernizando e reativando vários equipamentos nas nossas fábricas. E continuamos avançando muito no tema de competitividade estrutural, que se traduz em menor intensidade de carbono e menores custos, para garantir a longevidade e a perenidade do nosso negócio”, aponta o CEO global da Votorantim Cimentos.

A preocupação ambiental é um norte para a companhia. No centro da estratégia da multinacional está o combate aos efeitos negativos das mudanças climáticas, sobretudo por meio da descarbonização.

Para isso, a companhia estabeleceu 19 metas públicas para 2030. Na frente ambiental, algumas delas são: alcançar 475 kg de emissão líquida de carbono por tonelada de produto cimentício; reduzir a emissão de material particulado por tonelada de produto para 30 g/ton de clínquer e alcançar 45% de energia elétrica renovável na operação global.

“Há dois anos, pouco menos de 50% da energia elétrica usada pela empresa no Brasil vinha de fontes limpas e renováveis. Hoje, esse índice passa de 90%. E, entre 1990 e 2025, reduzimos nossas emissões globais em 27,7%”, indica Ayres Filho.

Dentre as iniciativas ambientais da empresa estão modernização de fábricas para reduzir a pegada de carbono, desenvolvimento de produtos mais sustentáveis, destinação sustentável de resíduos, expansão do uso de fontes renováveis tanto por meio de autogeração quanto por contratos de compra de energia de longo prazo (PPAs), substituição de combustíveis fósseis por biomassa para abastecer os fornos de cimento e investimento em projetos de captura de carbono.

[Fonte Original]

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