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sexta-feira, setembro 4, 2026

Com preços em alta, petróleo e combustíveis ajudam a elevar exportações em agosto

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O superávit comercial brasileiro atingiu US$ 7,4 bilhões em agosto, superior aos US$ 6 bilhões de igual mês de 2025. Puxada por petróleo, soja e minério de cobre, a receita de exportação no mês subiu 12,2%, em ritmo maior que o desembolso com compras externas, que cresceu 9,2%. Com preços em alta, petróleo e combustíveis contribuíram mais para elevar os embarques em agosto.

O saldo de agosto resultou de US$ 33,2 bilhões em exportações e US$ 25,8 bilhões em importações, segundo informou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) esta tarde. No acumulado do ano, o superávit foi de US$ 55,3 bilhões, alta de 28,2%. As exportações somaram US$ 250,9 bilhões, alta de 10,3%. Já as importações alcançaram US$ 195,5 bilhões, com avanço de 6,1%. A corrente de comércio, soma de exportações e importações, alcançou US$ 446,393 bilhões, com aumento de 8,4%.

Como reflexo da alta da cotação do barril do brent, o petróleo foi o principal item exportado em agosto, com aumento de 18% na receita de embarques. José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) destaca que o principal fator foi preço, que aumentou 24,9% contra igual mês de 2025. O volume embarcado caiu 5,5%.

O petróleo e os combustíveis assumem cada vez mais importância na exportação brasileira, diz André Valério, economista do Inter. Ele destaca que juntos, petróleo bruto e combustíveis respondem por 18,9% das exportações totais, acima dos 16,85% observados em agosto de 2025.

Em agosto, observa, houve aumento nas exportações mesmo com queda nos embarques dos principais produtos da pauta brasileira — soja, petróleo e minério de ferro — para a China. Desde o início do conflito no Irã, lembra Valério, a China reduziu significativamente suas importações totais de petróleo, fazendo uso de sua reserva estratégica. “O retorno ao mercado internacional tem sido tímido até o momento, indicando que a China espera o preço do petróleo normalizar para voltar a recompor suas reservas. Já os movimentos de soja e minério de ferro estão mais correlacionados com fraca demanda doméstica chinesa.”

Para os Estados Unidos, as exportações brasileiras de petróleo recuaram 59% frente a agosto de 2025, com a participação do produto nas nossas exportações para os EUA despencando de 21% em 2025 para 7,7% em 2026, aponta Valério. “Esse movimento vem ocorrendo desde o início do ano, com os EUA importando petróleo venezuelano em detrimento do nosso petróleo.” Dado o contexto internacional, espera-se que a atual dinâmica da balança comercial persista pelos próximos meses, diz.

“O conflito no Irã tem mantido o fluxo de petróleo limitado, mantendo os preços pressionados. Mesmo que o conflito se resolva por completo e vejamos uma normalização da commodity, as exportações brasileiras de petróleo deverão ainda se beneficiar do alto volume produzido além dos movimentos de recomposição das reservas estratégicas dos EUA e da China.” No agro, diz, o El Niño é um risco, principalmente para o milho, mas que será ao menos parcialmente compensado pelo aumento dos preços das commodities agrícolas, que já está em curso.

Para Luiza Pinese, economista da XP, os dados da balança comercial de agosto permitem esperar um saldo comercial robusto no segundo semestre do ano. Os volumes embarcados devem arrefecer, mas a alta recente nas cotações do petróleo tem sido acompanhada pela valorização de outras commodities relevantes da pauta brasileira, o que deve se traduzir em preços de exportação mais favoráveis, avalia. A economista ressalta que volumes menores de exportação de petróleo são um risco de baixa para a perspectiva brasileira de exportações.

Ainda dentro das commodities mais exportadas pelo país, a soja, nota Castro, mantém ritmo forte de exportação, baseada na safra que deve ser histórica no ano. A alta de 14% no embarque do grão foi influenciada tanto por aumento de preço quanto de volume. O minério de ferro foi o terceiro produto mais exportado em agosto, mas com queda de 10,8% na receita gerada, o que foi provocado por recuo tanto de preço quanto de volume.

Embora não esteja entre os cinco produtos mais exportados, o minério de cobre, aponta Castro, se destacou no mês. O embarque desse minério alcançou US$ 975 milhões, mais que o triplo de igual mês de 2025, tanto com alta de volume quanto de preço. Desse valor US$ 685,2 milhões foram destinados à União Europeia, o que reflete a forte demanda de minerais críticos pela região.

Na importação, Castro destaca que, apesar da elevação de valor, houve redução de 2% no volume. O valor total importado, explica, só subiu em agosto porque houve alta de 11% nos preços, mostrando principalmente o efeito do petróleo e derivados nas demais cadeias de produtos. Em agosto, nota, a queda no quantidade desembarcada foi puxada por bens intermediários e combustíveis.

No acumulado até o mês também há pequena redução de volume importado, de 0,8%. O aumento de 25,4% de preços médios, porém, neutraliza o efeito da quantidade e permite um alta de 14,7% no desembolso com importações ante igual período de 2025. Mesmo nessa métrica, porém, são os bens intermediários e combustíveis que puxam a queda, com recuos de 6,8% e 6,5%, respectivamente, na mesma comparação.

Para Pinese, as importações devem desacelerar, à frente. “A desaceleração da atividade doméstica deve reduzir cada vez mais os volumes importados”, diz.

A XP projeta superávit comercial de US$ 84,5 bilhões em 2026. O Inter e a AEB estimam saldo positivo de US$ 88 bilhões e US$ 90 bilhões, nessa ordem.

As exportações aos EUA somaram US$ 3,2 bilhões em agosto e cresceram 12,1% contra igual período de 2025. No acumulado do até ainda há queda de 9,7% com total embarcado de US$ 24,1 bilhões.

O diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Mdic, Herlon Brandão, diz que a alta das exportações do Brasil aos Estados Unidos em agosto está relacionada ao aumento de preços. No mês houve queda de 3,1% no volume embarcado ante igual mês de 2025.

Segundo Brandão, as interferências no comércio entre o Brasil e os Estados Unidos provocam volatilidades e incertezas, efeito que é refletido nos dados mensais da balança comercial brasileira. “Temos observado uma grande oscilação nesse fluxo. É esperado que tenham essas oscilações por conta dessas interferências, não só dado os produtos diretamente afetados quanto pelas incertezas que essas interferências geram nos agentes,”

A Casa Branca adotou duas medidas tarifárias contra o Brasil como base a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974: a sobretaxa de 25% sobre parte das exportações brasileiras, decorrente da conclusão da investigação por práticas comerciais injustas, e a tarifa adicional de 12,5% aplicada ao Brasil e a outras 59 economias sob a alegação de falhas na fiscalização da importação de produtos produzidos com trabalho forçado.

O crescimento das exportações do Brasil para os EUA foi marcado pelos segmentos de aeronaves e outros equipamentos; carne bovina; produtos semi-acabados; ferro e aço; cimento e materiais de construção. Brandão diz que as aeronaves e a carne bovina ficaram de fora do tarifaço. “A carne bovina tem aumentado de preço no comércio exterior. As aeronaves provavelmente é uma questão de cumprimento de contrato com os importadores do país.”

— Foto: Domingos Peixoto/Agência o Globo

[Fonte Original]

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