Crescimento global está no caminho para atingir 3% em 2026, diz FMI

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O Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou nesta quinta-feira que a economia global resistiu ao choque de energia causado pela guerra no Oriente Médio melhor do que o esperado e que a produção econômica global ainda deve crescer cerca de 3% em 2026. O organismo alertou, porém, que os riscos continuam elevados.

Julie Kozack, porta-voz do FMI, afirmou que os preços do petróleo e do gás continuam elevados e que o choque de energia decorrente do conflito ainda não terminou. As pressões da dívida global também estão aumentando e o processo de desinflação após a crise do custo de vida de 2022 estagnou.

Kozack acrescentou em uma coletiva de imprensa regular do FMI que as expectativas de inflação global aumentaram, mas permanecem bem ancoradas no longo prazo.

“Até o momento, apesar de seis meses de guerra no Oriente Médio, a economia global tem se mostrado resiliente”, disse, reforçando que o uso das reservas de petróleo e gás permitiu que alguns países lidassem com os choques energéticos causados pela guerra, enquanto outros migraram para novas fontes de energia ou tomaram medidas para conter a demanda.

“Continuamos no caminho certo para um crescimento mundial de cerca de 3%, mas a incerteza, como temos dito há algum tempo, continua alta”, prosseguiu.

Em julho, o FMI reduziu novamente sua previsão de crescimento global para 2026, para 3%, em comparação com uma média de 3,5% prevista para 2024 e 2025.

Kozack disse que a economia global está sendo puxada em direções opostas pelo choque negativo na oferta de energia, que está levando os preços da energia, dos fertilizantes, dos alimentos e de outras commodities a subirem acentuadamente, enquanto o ciclo tecnológico impulsionado pela inteligência artificial (IA) está proporcionando um choque positivo na demanda.

Os riscos são elevados, com muitos países precisando reabastecer suas reservas de petróleo e gás, e a demanda por energia devendo aumentar à medida que o inverno se aproxima no Hemisfério Norte.

Também estão aumentando as pressões sobre a dívida pública global, que já está quase em 100% do Produto Interno Bruto (PIB) — o nível mais alto desde a Segunda Guerra Mundial — e deve subir ainda mais, de acordo com Kozack. Muitas economias avançadas apresentam índices de dívida pública em relação ao PIB particularmente elevados.

Problemas de liquidez também estão se acumulando nos países em desenvolvimento, inclusive na África, em parte devido a uma redução na assistência bilateral, disse Kozack.

O FMI está instando os bancos centrais a manterem seus mandatos de estabilidade de preços, ao mesmo tempo em que incentiva os formuladores de políticas fiscais a desenvolverem planos de consolidação de médio prazo, disse ela.

Kozack disse que o FMI analisará de perto o impacto das novas sanções dos EUA contra o Irã, incluindo sanções secundárias direcionadas a empresas de outros países que apoiam Teerã.

[Fonte Original]

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