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domingo, setembro 6, 2026

Em pronunciamento, Lula reforça mote da soberania: ‘Brasil não será colônia de ninguém’

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A menos de mês das eleições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou o pronunciamento em alusão do Dia da Independência, em rede nacional, para reforçar o principal mote de sua campanha à reeleição: a defesa da soberania nacional. Sem mencionar os Estados Unidos diretamente, Lula defendeu o livre comércio, afirmou que as riquezas brasileiras pertencem ao povo e disse que o país não será “colônia de ninguém”, em um recado às pressões externas sobre o Brasil.

“Precisamos nos manter fortes e altivos, sem baixar a cabeça, para não deixarmos que o Brasil se transforme, novamente, em colônia de outras potências estrangeiras. Não somos, e não seremos colônia de ninguém”, disse Lula, na peça divulgada na noite deste domingo (6). O pronunciamento teve duração de 3 minutos e 43 segundos.

O discurso voltado à defesa da soberania se tornou um dos pilares do governo desde o anúncio do tarifaço americano sobre o país, em julho do ano passado. Sem fazer referências diretas ao presidente Donald Trump, contudo, Lula disse que o Brasil defende o livre comércio e que “nenhum governante estrangeiro tem o direito de dizer de quem podemos comprar, e para quem podemos vender”.

“Somos um país soberano, e nossas decisões pertencem a nós e a mais ninguém”, afirmou o petista. De olho na geopolítica mundial, o chefe do Executivo brasileiro também disse que o país trabalha pela paz mundial e a harmonia entre as nações.

“Um país soberano é aquele capaz de defender seu território, suas fronteiras, seu meio ambiente, suas riquezas e seu povo de quaisquer interesses estrangeiros”, comentou.

Lula usou o espaço para abordar pautas de seu governo, e pregou a proteção das terras raras. Segundo ele, “mais do que nunca”, o país precisa “lutar pelo que é nosso”. “Temos a segunda maior reserva de terras raras do mundo, e a maior fonte de água doce. No último mês, descobrimos uma nova e rica reserva de petróleo. Essas riquezas devem servir ao futuro do povo brasileiro”, disse.

Em agosto, a Petrobras anunciou a descoberta de petróleo na bacia da Foz do Amazonas, no Amapá. A divulgação da descoberta se deu depois de uma semana de reconciliação entre Lula com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

A Margem Equatorial, em especial a Bacia da Foz do Amazonas, é considerada uma das últimas fronteiras petrolíferas do país. É também uma região sensível do ponto de vista socioambiental, o que levou a uma discussão, nos últimos anos, sobre a viabilidade de se explorar petróleo na região.

Segundo Lula, esses recursos naturais devem ser usados para o desenvolvimento de tecnologia de ponta e geração de empregos de qualidade no Brasil. Na fala, ele também enalteceu a aprovação do projeto de lei (PL) que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos na semana passada.

A aprovação da matéria ocorre em meio à disputa mundial por minerais críticos, usados em setores como energia, defesa e tecnologia. Segundo o Serviço Geológico do Brasil, o Brasil tem hoje a segunda maior reserva declarada de terras raras do mundo, com 21 milhões de toneladas, atrás apenas da China.

Na véspera do 7 de Setembro, Lula alegou que “defender a independência do Brasil é defender nossa soberania e nossa democracia”.

O presidente também aproveitou o pronunciamento para defender pautas sociais, e que são consideradas êxitos em sua gestão, como a saída do Brasil do Mapa da Fome e a queda da taxa de desemprego. “Um país soberano é aquele capaz de criar as oportunidades de que seu povo precisa para conquistar a própria independência”, disse.

“A independência de contar, como previsto na Constituição Federal, com saúde pública de qualidade, e a melhor educação gratuita para seus filhos. E de viver em um país livre da fome, da pobreza e de todas as formas de desigualdade, com mais direitos para todos, e menos privilégios”, comentou.

Ao final, Lula afirmou que o povo brasileiro tem motivos para se orgulhar de si mesmo e encerrou o pronunciamento com um tom religioso, em um aceno ao eleitorado cristão, que ainda tem resistências a seu nome: “Um feliz Dia da Independência, e que Deus continue abençoando o Brasil”.

Por conta do período eleitoral, a peça precisou de um aval do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para ser veiculada. Na sexta-feira (4), o ministro Kassio Nunes Marques, presidente da Corte, autorizou o pronunciamento. O magistrado entendeu que a divulgação era de interesse público. Afirmou, então, que a fala não se enquadra na previsão segundo a qual são vedados pronunciamentos nos três meses anteriores à eleição.

Nessa segunda-feira (7), Lula participará do tradicional desfile cívico-militar que ocorre na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Como mostrou o Valor, por conta do “defeso eleitoral”, o governo preparou um ato mais discreto e sóbrio em comparação aos anos anteriores, e deve ter eixos temáticos: soberania nacional, combate à violência contra a mulher e a Copa do Mundo Feminina, que será realizada no Brasil no ano que vem.

O uso político do 7 de setembro é um assunto sensível porque foi um dos fatores que levaram o TSE a condenar e tornar inelegível o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Na visão da corte, Bolsonaro utilizou os festejos da Independência para, às vésperas das eleições presidenciais de 2022, fazer apelos à militância e convocar o seu eleitorado. Após o desfile daquele ano, o então chefe do Executivo subiu em carro de som na Esplanada dos Ministérios e discursou. Nada parecido está previsto para este ano, quando Lula deve apenas assistir à cerimônia da arquibancada.

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva em pronunciamento em alusão do Dia da Independência — Foto: Reprodução/YouTube/@LulaOficial

[Fonte Original]

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