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quarta-feira, setembro 9, 2026

Ibovespa cede 0,9% com piora da aversão a risco e queda de blue chips

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Após fechar em 187 mil pontos na sessão anterior, embalado por uma disputa presidencial mais apertada, o Ibovespa passou por um pregão de ajustes nesta quarta-feira, assim como outros ativos brasileiros. O ambiente externo voltou a pesar mais do que o doméstico, em meio à piora na percepção de risco com a escalada do conflito no Oriente Médio, o que fez o Brent terminar acima dos US$ 101. Ao mesmo tempo, o Tesouro dos Estados Unidos anunciou a recompra de US$ 6 bilhões em Treasuries de 10 a 20 anos, o que pressionou a curva americana para cima e afetou a renda fixa local.

A alta dos juros futuros pesou sobre ações cíclicas domésticas, que lideraram as maiores perdas. O movimento negativo foi intensificado ainda pela queda da maior parte das blue chips, com exceção das ações da Petrobras e da Vale. Com isso, o Ibovespa recuou 0,93%, aos 185.629 pontos, após oscilar entre os 184.810 pontos e os 187.362 pontos no pregão.

Investidores também continuaram a monitorar a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) e a homologação do acordo de delação premiada envolvendo o empresário Antonio Carlos Freixo, relacionado ao financiamento do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Entre as blue chips, bancos lideraram as perdas, com destaque para as units do BTG Pactual, que cederam 2,43%. Por outro lado, ações mais líquidas de commodities subiram: as ON da Vale ganharam 0,10%, enquanto as PN da Petrobras avançaram 0,69%, em um dia em que o contrato futuro do Brent para novembro teve alta de 3,36%, a US$ 101,21, o barril, ampliando os ganhos dos últimos dias.

O avanço nos preços da commodity ocorre em meio à intensificação dos ataques de forças houthis no Iêmen, apoiadas pelo Irã, contra várias cidades sauditas ao longo desta semana, envolvendo um importante aliado dos EUA no conflito e acendendo um alerta de que a guerra pode se expandir. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos disseram ter destruído hoje cinco petroleiros iranianos no Estreito de Ormuz.

Diante da maior aversão a risco externa e do avanço recente da bolsa local, o EWZ (principal fundo de índice de ações brasileiras negociado em Nova York) liderou hoje as maiores desvalorizações entre países emergentes, ao ceder 1,40%. Enquanto isso, o ECH (Chile) teve baixa de 0,83%; o Inda (Índia) recuou 0,86%; o EEM (mercados emergentes) perdeu 0,51%; o EWW (México) exibiu desvalorização de 0,22%; o EZA (África do Sul) fechou estável (+0,01%); e o EWY (Coreia do Sul) avançou 0,46%.

Apesar do pregão mais negativo hoje para as ações locais, o Brasil voltou ao radar dos investidores estrangeiros, em meio ao avanço do “trade” eleitoral, à melhora das perspectivas para inflação e juros e aos “valuations” ainda atrativos, na avaliação da XP.

Em agosto, os estrangeiros retiraram R$ 22,2 bilhões da bolsa brasileira, na maior saída líquida mensal desde março de 2020. Em setembro, no entanto, o fluxo virou para o positivo, com entradas de R$ 10,8 bilhões até o momento, o equivalente a quase metade das retiradas registradas no mês anterior.

Em relatório, os analistas destacam que, do ingresso total neste mês até o momento, R$ 6,8 bilhões foram direcionados ao mercado futuro e R$ 3,9 bilhões ao mercado à vista. Segundo os profissionais, o movimento ocorre à medida que as eleições ganham espaço nas decisões dos investidores. A XP, no entanto, espera uma volatilidade acima do normal conforme o período eleitoral avança.

Hoje, o volume financeiro negociado pelo Ibovespa foi de R$ 19,5 bilhões e de R$ 26,5 bilhões. Já em Wall Street, os principais índices fecharam no negativo: o Dow Jones perdeu 0,77%, o Nasdaq recuou 0,64%, e o S&P 500 teve baixa de 0,48%.

[Fonte Original]

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