Os contratos futuros do petróleo fecharam em queda nesta sexta-feira (18), dando continuidade ao alívio visto ontem, embora permaneçam em níveis elevados, enquanto os investidores avaliam os riscos para a oferta global diante do conflito no Oriente Médio. A Arábia Saudita informou, nesta semana, que planeja restaurar, em breve, o oleoduto Leste-Oeste, mas teria suspendido parte de suas vendas para a Europa.
No fechamento, o petróleo tipo Brent (a referência mundial) com vencimento em novembro teve queda de 0,91%, cotado a US$ 103,87 por barril, na Intercontinental Exchange (ICE). O WTI (a referência americana) recuou 1,58%, cotado a US$ 100,30, na New York Mercantile Exchange (Nymex). No acumulado da semana, ambos tiveram perda de 0,70% e alta de 0,25%, respectivamente.
De acordo com agências de notícias internacionais, que citam pessoas familiarizadas com o assunto, a Saudi Aramco teria informado a pelo menos duas refinarias clientes na Europa que elas não receberão petróleo bruto no próximo mês, compensando parte do alívio após o reino ter iniciado esforços para restaurar seu oleoduto Leste-Oeste.
O oleoduto tem sido uma importante alternativa para contornar o bloqueio ao Estreito de Ormuz, com capacidade para transportar até 7 milhões de barris por dia. No entanto, ele, recentemente, foi paralisado, após ser danificado por ataques de drones.
Os estrategistas de commodities do J.P. Morgan observam em relatório que, apesar da interrupção do oleoduto, os fluxos de petróleo no Oriente Médio permaneceram “surpreendentemente fortes”, na medida em que houve um aumento no tráfego de embarcações no Estreito de Ormuz, especialmente da Arábia Saudita.
“A resiliência tem vindo cada vez mais pelo Estreito de Ormuz, onde os fluxos, incluindo transferências de petróleo entre navios em águas de Omã, subiram para 10,4 milhões de barris por dia”, eles escrevem em nota.
A equipe alerta, no entanto, que é difícil saber se esse fluxo irá se manter. “As exportações pelo Mar Vermelho eram mais fáceis, menos arriscadas e mais confiáveis. Direcionar volumes maiores por Ormuz exige administrar navios-tanque de apoio, além de gerenciar a segurança, uma cadeia operacional consideravelmente mais complexa”, afirmam os estrategistas. “Por enquanto, a alternativa parece estar funcionando, desde que o Irã permita.”