Venezuela se aproxima de acordo para transferir reserva de ouro de US$ 4 bi para os EUA, diz jornal

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O governo da presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, e a oposição estão próximos de um acordo para transferir cerca de US$ 4 bilhões em reservas de ouro do banco central venezuelano mantidas no Banco da Inglaterra, em Londres, para o Federal Reserve de Nova York, segundo informações publicadas pelo Financial Times nesta sexta-feira.

A negociação pode encerrar uma disputa judicial de sete anos pelo controle dos ativos, iniciada quando Londres e Washington reconheceram Juan Guaidó como presidente legítimo do país latino-americano, além de abrir uma nova fonte de financiamento para o governo de Delcy, ex-vice-presidente de Nicolás Maduro.

De acordo com quatro fontes ouvidas pelo FT, os termos em discussão determinam que o governo venezuelano passaria a ter controle legal sobre o ouro, mas não poderia vender imediatamente as reservas. Nesse contexto, uma das possibilidades para Caracas é de que as barras sejam usadas como garantia para a obtenção de empréstimos destinados a financiar gastos públicos, incluindo a reconstrução do país após os dois terremotos de junho.

O entendimento ainda não foi concluído, e detalhes técnicos permanecem em negociação. Uma fonte da oposição envolvida nas negociações afirmou ao FT que “o ouro vai para os Estados Unidos, mas Delcy não terá acesso direto a ele”, uma vez que “haverá supervisão e restrições”. A oposição acusa recorrentemente os governos chavistas de corrupção e má gestão econômica.

De modo mais geral, as conversas mantidas pelo governo, oposição e autoridades americanas têm como objetivo criar condições para a realização de novas eleições no país. Uma delegação de políticos oposicionistas está em Caracas nesta semana para negociações com representantes do governo liderados por Jorge Rodríguez, atual presidente da Assembleia Nacional e irmão de Delcy.

Além disso, as tratativas ocorrem em meio a uma retomada gradual das relações da Venezuela com a comunidade internacional desde a operação americana que capturou Nicolás Maduro, em janeiro. Posteriormente, Washington suspendeu parte das sanções contra a economia venezuelana. Em abril, o Fundo Monetário Internacional (FMI) também retomou relações oficiais com Caracas depois de uma interrupção de sete anos, permitindo ao governo acessar recursos mantidos na instituição.

Caracas e Londres também deram um passo a favor da reaproximação diplomática nesta semana, visto que o governo britânico anunciou que voltará a manter um embaixador na capital venezuelana.

A transferência das reservas de ouro, porém, ainda depende da resolução da disputa judicial no Reino Unido. O Banco da Inglaterra afirmou que não pode cumprir instruções sobre o ouro até que uma nova decisão da Justiça britânica determine quem possui autoridade legal sobre a conta.

“O Banco não está em condições de cumprir instruções até que haja uma nova ordem de um tribunal do Reino Unido que deixe claro quem tem autoridade legal sobre a conta. Para isso, é necessário que as partes envolvidas recorram ao tribunal britânico para resolver a disputa”, afirmou um porta-voz da instituição ao Financial Times.

[Fonte Original]

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