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sexta-feira, setembro 4, 2026

Drink da Semana: Ame ou Odeie, o Bloody Mary É Inegavelmente Versátil

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Se existe um drink no mundo capaz de dividir opiniões antes mesmo do primeiro gole, esse drink é o Bloody Mary. Para alguns, é a cura milagrosa e revigorante das ressacas de domingo. Para outros, a ideia de misturar suco de tomate, vodka e temperos salgados em um copo parece uma afronta ao paladar.

“É difícil ter alguém que seja meio indiferente ao Bloody Mary. As pessoas ou aman ou odeiam”, crava Gabriel Szklo. À frente do Pina e do Pininha Drinques, em São Paulo, Gabriel é um defensor ferrenho (e muito criativo) da receita. Sua relação com o drink não é de hoje: ele consome suco de tomate desde a infância. Talvez por isso, transformar essa mistura em algo inesquecível tenha virado uma missão pessoal.

A paixão é tanta que no balcão de nove lugares do Pininha, o coquetel não aparece como uma mera nota no menu, mas como protagonista, desdobrado em impressionantes 21 versões autorais. “No geral, as pessoas têm uma carência de tomar Bloody Mary em lugares que saiam do básico. Não tem muita inovação em cima da receita tradicional e, se o bartender não gosta, também não coloca muito afinco na criação”, explica Gabriel. “Então, quando encontram o bar e a gente oferece mais de 20 alternativas, é impactante”.

A desconstrução de um clássico centenário

O encanto do Bloody Mary mora exatamente nessa estrutura peculiar: ele é, essencialmente, uma tela em branco para o “umami”, o quinto sabor básico que traz aquela sensação de intensidade e preenchimento na boca.

Embora a invenção do coquetel seja frequentemente atribuída ao bartender Fernand Petiot na década de 1920, no Harry’s New York Bar em Paris, os historiadores sugerem que a autoria real pode ser do comediante de Hollywood George Jessel, que teria criado a mistura de vodka e tomate em Palm Beach em 1927.

Seja como for, foi na década de 1930, no lendário St. Regis Hotel, em Nova York, que a receita ganhou seus contornos atuais – o molho inglês, a pimenta, o limão e o sal -, nas mãos do próprio Petiot. No hotel, ela acabou sendo rebatizada temporariamente de “Red Snapper” (con gin) para não ofender a clientela sofisticada do local. O St. Regis coloca tanto a receita dentro da sua história que cada um dos hotéis da rede de luxo pelo mundo (estamos falando de 42 endereços, de Beijing a Veneza, Aspen, Abu Dhabi, ou Istambul) tem sua própria versão de Bloody Mary, com temperos, sabores e destilados locais.

Essa mesma liberdade de temperar a receita ao gosto do freguês é o que guia o balcão do Pininha. Por lá, Gabriel subverte a lógica clássica. A começar pela base alcoólica. “O que eu acho mais legal é alterar a base alcoólica. Tirar a vodka e usar outra bebida: gim, cachaça, tequila, uísque turfado ou jerez fino são ótimas opções”, ensina. No seu bar, você encontra versões que vão do soju e saquê ao bourbon e mezcal.

Os temperos seguem a mesma ousadia, passeando por influências asiáticas, árabes e brasileiras. A receita pode ganhar toques de coentro, zaatar, hortelã, kimchi, molho de ostra, pimenta jalapeño, endro ou raiz forte. As guarnições, longe de serem apenas o talo de salsão, incluem presunto cru, aipo, alcaparrone, pimenta de cheiro, ovinho de codorna e até maxixe em conserva. Há ainda uma versão de Clamato, que mistura o suco de tomate com suco de mexilhão.

Essa versatilidade é o que, segundo o bartender, desconstrói a ideia de que o Bloody Mary é feito só para curar a noite anterior. “Tem gente que vê o drink como algo mais matinal ou diurno, mas eu acho que com todas essas possibilidades, ele fica muito versátil e faz sentido beber a qualquer hora do dia”.

O pulo do gato: como fazer seu Bloody Mary em casa

Inspirou-se nas criações do Gabriel? Reproduzir o clássico em casa é muito mais simples do que parece. “A maior dica fica em relação ao tempero. É bater no liquidificador o molho inglês, o sal e as pimentas e ervas que a pessoa gosta, e depois coar”, revela o bartender. E não precisa complicar o ingrediente principal: “Eu sempre uso o suco de tomate industrializado mesmo, acho o melhor. Das marcas Raiola ou Superbom”.

Para quem quer se aventurar, aqui vai a receita clássica e os truques de preparo do especialista:

A receita do Bloody Mary clássico

Ingredientes:

  • 100 ml de suco de tomate
  • 50 ml de vodka (ou a base alcoólica da sua preferência)
  • 15 ml de molho inglês
  • Pimenta e sal a gosto
  • Guarnições criativas (o céu é o limite: talo de aipo, pimenta, azeitona, etc.)
  • Sal e limão (para a borda do copo)

Modo de preparo

No bar, a técnica clássica utilizada por Gabriel é o “throwing”: ele coloca todos os ingredientes de um lado da coqueteleira, enche a outra parte de gelo, e joga o líquido de uma para a outra, para gelar e aerar o drink sem diluir demais.

Mas para fazer em casa, o processo é bem mais direto e infalível:

  1. Comece passando um gomo de limão na borda de um copo alto e, em seguida, mergulhe a borda em um pratinho com sal para criar uma crosta de sabor.
  2. Encha o copo com bastante gelo.
  3. Despeje a vodka, o suco de tomate, o molho inglês, o sal e a pimenta (ou a sua mistura especial batida no liquidificador).
  4. Misture vigorosamente com uma colher longa.
  5. Finalize com suas guarnições favoritas.

Pronto. Seja com saquê, com cachaça, num domingo de manhã ou numa sexta à noite, o Bloody Mary pode ser o drink mais divertido do seu fim de semana. Basta perder o medo do tomate.

[Fonte Original]

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