O Ibovespa fechou em alta nesta terça-feira, ultrapassando os 189 mil pontos no melhor momento, em movimento embalado pelo retorno de estrangeiros para a bolsa paulista e novas pesquisas reforçando o cenário de disputa equilibrada na eleição presidencial em outubro.
O índice subiu 1,24%, a 187.451,80 pontos, de acordo com dados preliminares, tendo marcado 189.487,70 na máxima e 185.207,66 na mínima, em dia também apoiado pelo avanço de commodities como o petróleo e o minério de ferro no exterior. O volume financeiro no pregão somava R$ 26,64 bilhões antes dos ajustes finais.
Dólar fecha na menor cotação em um mês
O dólar fechou a terça-feira pós-feriado na menor cotação em um mês, após novas pesquisas indicarem ligeiro fortalecimento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa acirrada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo Planalto, enquanto a crise envolvendo o STF também seguiu no foco.
O dólar à vista encerrou a sessão com baixa de 0,79%, a R$ 5,0892, menor cotação desde 7 de agosto, quando atingiu R$ 5,0845. No ano, a divisa passou a acumular queda de 7,28%. Às 17h05, o dólar futuro para outubro — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — cedia 0,78% na B3, aos R$ 5,1135.
Na segunda-feira, quando o mercado no Brasil esteve fechado em função do Dia da Independência, pesquisa Quaest mostrou que Lula e Flávio têm 41% das intenções de voto cada um no segundo turno da disputa. A margem de erro é de 2 pontos percentuais. No levantamento anterior, Lula tinha 42% e Flávio somava 41%.
Já a pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta terça-feira mostrou que Flávio passou a ter vantagem numérica sobre Lula no segundo turno. O senador soma 46% das intenções de voto, contra 45% de Lula. Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais, os dois estão empatados tecnicamente. Na pesquisa anterior, Flávio tinha 45% e Lula somava 46%.
As duas pesquisas motivaram a euforia vista nos mercados desde cedo, que impulsionou o Ibovespa e o real, enquanto as taxas futuras despencaram.
Em sessões recentes, outras pesquisas mostrando o acirramento da disputa pelo Planalto já haviam trazido um viés de baixa para o dólar ante o real. Isso porque Lula ainda é visto com desconfiança por boa parte do mercado, que enxerga sua reeleição como um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação. Assim, notícias favoráveis a Flávio — como a eliminação da diferença para Lula no segundo turno — têm favorecido a queda do dólar.
A crise no STF foi outro ponto de atenção entre os investidores. Nesta terça-feira o ministro André Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de inteligência da corporação, Leandro Almada.
Relator do caso do Banco Master, Mendonça tem travado um embate com o ministro Alexandre de Moraes no STF, em que cada um tem levantado suspeitas contra o outro. Moraes se baseou na quinta-feira passada em relatórios de inteligência produzidos pela PF, comandada por Andrei Rodrigues, para pedir investigações contra Mendonça.
O embate no STF ganhou importância para a disputa eleitoral e, em paralelo, para os mercados no Brasil. Isso porque Flávio é um dos maiores críticos de Moraes, que foi relator no STF do processo de tentativa de golpe de Estado que levou à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“O dólar está cedendo ante o real por conta da eleição mais acirrada. As pesquisas mostram que não vai ser fácil para o presidente Lula ganhar, o que é interessante para o mercado”, comentou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik, acrescentando que o embate no STF também favorece o movimento. “Moraes é um fator de dificuldade para o Bolsonaro pai, então o enfraquecimento dele também influencia o câmbio.”
Após marcar a cotação máxima de R$ 5,1289 (-0,01%) às 9h15, o dólar à vista atingiu a mínima de R$ 5,0713 (-1,14%), em meio ao noticiário sobre o STF.
No exterior, às 17h07, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,03%, a 98,863. No fim da manhã, sem efeito nas cotações, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 1º de outubro.
Petróleo chega perto de US$ 100/barril
Os preços do petróleo atingiram uma nova máxima em seis semanas nesta terça-feira, depois que os houthis, apoiados pelo Irã no Iêmen, atacaram instalações energéticas sauditas, incendiando-as e ameaçando uma grande escalada da guerra no Oriente Médio, que já dura seis meses. Os contratos futuros do Brent subiram 0,92 dólar, ou 0,9%, fechando a US$ 97,92 por barril, enquanto o petróleo West Texas Intermediate (WTI) dos EUA subiu US$1,55, ou 1,7%, fechando a US$ 93,03.
Isso manteve ambas as referências de petróleo em território tecnicamente de sobrecompra e representou o maior fechamento do Brent desde 23 de julho pelo segundo dia consecutivo, além de ser o maior fechamento do WTI desde 4 de junho.
Os houthis atacaram quatro cidades no sul da Arábia Saudita, que é aliada dos EUA, na terça-feira, ferindo mais de 70 pessoas e incendiando instalações petrolíferas.
A mídia controlada pelos houthis informou, ainda na terça-feira, que aviões de guerra sauditas realizaram ataques aéreos no distrito de Jubah, no Iêmen, a leste da capital Sanaa, e na província de Taiz, no sudoeste.
As exportações de petróleo da região do Golfo Pérsico têm sido gravemente prejudicadas desde que o Irã atacou infraestruturas energéticas na região e navios que passavam pelo Estreito de Ormuz, após ataques conjuntos dos EUA e de Israel no final de fevereiro.
A Arábia Saudita, segundo maior produtora mundial de petróleo atrás apenas dos EUA, vem contornando o estreito transportando petróleo para o oeste, em direção ao Mar Vermelho. Mas os ataques de terça-feira parecem estar entre os maiores já realizados contra aquele país e ameaçam agravar o impacto econômico global da guerra, ao interromper o abastecimento de energia do Oriente Médio para além do Estreito de Ormuz, que está bloqueado.
Wall Street também está se preparando para a possibilidade de que as interrupções no transporte marítimo do Oriente Médio continuem até 2027. O Goldman Sachs, o HSBC e outros bancos elevaram suas previsões de preço do petróleo para o restante de 2026 e 2027.
O número de navios de carga que atravessaram o Estreito de Ormuz totalizou sete na segunda-feira, em comparação com oito no dia anterior, segundo dados da Kpler divulgados na terça-feira. Antes de os EUA e Israel atacarem o Irã em fevereiro, cerca de 20% do abastecimento mundial de petróleo passava pelo Estreito de Ormuz.