A inteligência artificial representa hoje uma ameaça mais imediata ao ecossistema do Bitcoin do que a computação quântica, na avaliação de Guilherme Ferreira, cofundador e CFO da OranjeBTC. Durante um painel no Digital Assets Conference (DAC), evento promovido pelo Mercado Bitcoin, o executivo afirmou que os riscos associados à IA já começaram a aparecer em incidentes recentes, enquanto uma ameaça quântica capaz de comprometer a criptografia da rede ainda parece distante.
Ferreira fez a comparação ao ser questionado sobre os principais riscos tecnológicos enfrentados pelo Bitcoin. Segundo ele, a computação quântica continua sendo uma preocupação relevante no longo prazo, mas não deveria ser tratada como uma ameaça de curto ou médio prazo.
“Há também o risco da IA, que provavelmente é mais iminente”, afirmou o executivo durante o painel. Ele ressaltou, porém, que os incidentes observados até agora aconteceram em sistemas e infraestruturas construídos ao redor do Bitcoin, e não no Bitcoin Core, software que sustenta a rede.
A distinção é importante porque ataques contra exchanges, carteiras, sistemas de custódia ou outras aplicações não significam necessariamente que a própria blockchain do Bitcoin tenha sido comprometida.
Segundo Ferreira, o código do Bitcoin Core passou por extensas alterações desde sua versão original e continua sendo testado constantemente por uma comunidade global de desenvolvedores. Na avaliação dele, a própria natureza aberta do software faz com que pesquisadores e agentes mal-intencionados possam procurar falhas, sem que isso tenha levado até agora a uma quebra da segurança central da rede.
Risco quântico existe, mas seria de longo prazo
Apesar de apontar a IA como uma preocupação mais imediata, Ferreira não descartou os riscos associados à computação quântica.
Esse tipo de tecnologia é considerado uma ameaça potencial porque computadores quânticos suficientemente poderosos poderiam, no futuro, quebrar sistemas criptográficos utilizados não apenas pelo Bitcoin, mas também por bancos, governos e grande parte da infraestrutura digital atual.
Leia também: Bear market do Bitcoin foi diferente — e isso pode ser um bom sinal, diz executivo da Anchorage
“Se isso é um risco para o Bitcoin, também é um risco para todo o resto”, afirmou Ferreira. Segundo ele, a indústria já trabalha em alternativas capazes de tornar transações resistentes a computadores quânticos.
O executivo citou inclusive testes recentes envolvendo transações consideradas resistentes à computação quântica, embora tenha destacado que essas soluções ainda possuem custos elevados e não fazem sentido econômico para utilização ampla hoje.
David Lawant, chefe de pesquisa da Anchorage Digital, também avaliou que o risco merece atenção, mas não deve gerar pânico. “Devemos nos preparar, mas não entrar em desespero”, afirmou.
Segundo Lawant, empresas do setor já adotam medidas preventivas, como evitar a reutilização de endereços e atualizar sistemas internos de segurança. A Anchorage, por exemplo, vem testando novos esquemas de assinatura e preparando sua infraestrutura para uma eventual migração dos atuais endereços de Bitcoin para modelos resistentes à computação quântica.
Maior risco pode estar ao redor do Bitcoin
A fala dos executivos reforça uma diferença importante entre possíveis vulnerabilidades da própria rede e ameaças contra a infraestrutura que permite aos usuários acessar e movimentar Bitcoin.
No caso da IA, Ferreira não apontou uma vulnerabilidade específica capaz de comprometer o protocolo do Bitcoin. Sua avaliação é que a ameaça mais próxima está nos sistemas construídos ao redor da criptomoeda.
Isso pode envolver desde carteiras e plataformas de negociação até sistemas de custódia e outras aplicações que dependem de softwares externos. A capacidade crescente de sistemas de IA para encontrar vulnerabilidades, automatizar ataques ou explorar erros humanos aumenta a preocupação com essas camadas.
Já no caso da computação quântica, o risco seria potencialmente mais profundo, pois poderia atingir os próprios mecanismos criptográficos utilizados para proteger ativos e assinar transações. A diferença, segundo os participantes do painel, é o horizonte de tempo.
Lawant afirmou que empresas e pesquisadores já discutem o chamado “Q-Day”, termo utilizado para descrever o momento hipotético em que computadores quânticos conseguiriam quebrar os atuais mecanismos criptográficos. O problema é que ninguém sabe quando — ou exatamente como — esse cenário poderá se materializar.
Por isso, a avaliação apresentada no painel é que a indústria precisa se preparar para os dois riscos de maneiras diferentes: enquanto a computação quântica exige adaptações preventivas de longo prazo, a inteligência artificial já merece atenção sobre as infraestruturas e serviços utilizados atualmente pelo mercado de Bitcoin.
Buscando uma carteira com alto ganho, mas sem o sobe e desce do mercado? A Renda Fixa Digital do MB oferece ativos com ganhos de até 18% ao ano, risco controlado e total segurança para seus investimentos. Conheça agora!