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quinta-feira, setembro 10, 2026

Petrobras volta atrás em reajuste da gasolina e acende alerta sobre governança

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A Petrobras (PETR3;PETR4) protagonizou um episódio na madrugada desta quinta-feira (10), que gerou diversas questões para o mercado. Horas depois de anunciar um reajuste de R$ 0,19 por litro no preço da gasolina vendida às distribuidoras — que elevaria o preço médio a R$ 3,24/litro —, a estatal corrigiu a informação e afirmou que, na verdade, o aumento será de apenas R$ 0,44/litro, referente exclusivamente ao fim do desconto de subsídio. O novo preço, portanto, será de R$ 3,05/litro.

A confusão começou na noite de quarta-feira (9), quando a companhia informou que deixaria de aplicar um desconto de R$ 0,44/litro na gasolina A, após o encerramento da vigência da Medida Provisória nº 1.358/2026 — que sustentava a subvenção econômica criada pelo governo federal. Na ocasião, a Petrobras disse ainda que faria um reajuste adicional de R$ 0,19/litro. Poucas horas depois, a estatal voltou atrás.

Segundo a nova versão oficial, a alteração no preço corresponde apenas à suspensão do desconto de R$ 0,44/litro. Como o governo federal reduziu em R$ 0,63/litro as alíquotas de PIS/Pasep e Cofins sobre a gasolina, o efeito líquido para as distribuidoras será, na prática, uma redução de R$ 0,19/litro no preço com tributos, em comparação ao praticado até quarta-feira.

Credibilidade afetada?

Para o mercado, o vaivém não passou despercebido. Em relatório enviado a clientes na manhã desta quinta-feira, o Itaú BBA classificou o episódio como “negativo” e apontou riscos à previsibilidade da governança da estatal.

“A reversão do aumento do preço da gasolina, na ausência de uma justificativa de negócios claramente comunicada, pode ser vista como menos favorável à previsibilidade da governança e pode reforçar as preocupações dos investidores quanto à consistência e independência dos processos de tomada de decisão de preços.”

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O banco também levantou dúvidas sobre se a Petrobras prosseguirá com o reajuste de R$ 1,00/litro no diesel — medida que, na visão dos analistas, seria necessária para que a companhia retorne ao alinhamento pleno com sua política de preços.

O Bradesco BBI foi na mesma linha. Em nota, a equipe de óleo e gás destacou que a correção “levanta questões sobre por que foi feita da noite para o dia, a menos de um mês das eleições presidenciais”. Para o banco, embora o subsídio adicional de R$ 1,00/litro no diesel seja um ponto positivo líquido para a Petrobras, “a correção da gasolina levanta preocupações incrementais de governança”.

O cenário dos preços

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Os gráficos do Itaú BBA mostram que a Petrobras ainda opera com defasagem em relação aos preços de paridade internacional. Na gasolina, o gap é de 26% contra a paridade de importação (PPI) e de 7% contra a paridade de exportação (PPE). No diesel, o quadro é mais severo: 31% de defasagem ante o PPI e 25% ante o PPE.

Os analistas ponderam que, se os preços internacionais permanecerem nos patamares atuais, a Petrobras ainda estaria “amplamente em conformidade” com sua política de preços para a gasolina numa base de média anual. No entanto, o cenário para o diesel é mais preocupante. Caso o conflito geopolítico se intensifique e o petróleo ultrapasse a barreira dos US$ 100 — como já ocorreu na quarta-feira —, a pressão sobre a política de preços da estatal tende a aumentar.

Em nota, a Petrobras afirmou que “aguarda a publicação dos atos legais necessários para avaliação e implementação” da nova subvenção ao diesel anunciada pelo governo. Sobre a gasolina, a estatal disse que “reafirma seu compromisso com uma atuação responsável, equilibrada e transparente, em consonância com sua estratégia comercial”.

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[Fonte Original]

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