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domingo, setembro 6, 2026

Após faixa ‘Fora Moraes’ em ato de Ruas, Paes diz ser contra transformar crise institucional em ‘panfleto eleitoral’

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Horas após uma faixa com a mensagem “Fora Moraes” ser exibida no ato de campanha de Douglas Ruas (PL), Eduardo Paes (PSD) criticou o uso de crises institucionais como “panfleto eleitoral”. Em carreata em Nova Iguaçu neste domingo, ao lado de Rogerio Lisboa (PP), que quase foi vice de Ruas, Paes também disse que não esconde sua aliança com Lula, mas não é seu “empregado”, e explicou que suas próximas propagandas eleitorais vão explorar a “fortuna” do seu adversário.

Questionado sobre a crise institucional no Supremo Tribunal Federal (STF), que vem alimentando campanhas bolsonaristas, Paes disse que o ministro Alexandre de Moraes precisa dar respostas sobre as acusações, e recordou sua própria defesa durante a Lava Jato, mas criticou o uso eleitoral da situação.

— Ninguém no Brasil está acima da lei. Agora, transformar uma crise institucional num panfleto eleitoral já se provou que fez muito mal ao Brasil. Quem tem responsabilidade política trabalha pela preservação das instituições, para que se tenha o devido processo de apuração. Eu já respondi por acusações, foi duro, foi difícil, mas faz parte. O ministro Alexandre de Moraes tem que responder agora pelo o que acusam. Vocês não verão de mim um sujeito que opera no caos — afirmou Eduardo Paes.

Nas últimas semanas, a campanha de Paes elevou o tom da ofensiva contra Douglas Ruas e o TRE-RJ determinou a retirada de cinco peças de propaganda eleitoral na TV que faziam acusações contra o candidato do PL. Em uma das peças, Paes o chama de “filhinho de papai”, acusando-o de enriquecer na política e de ter se beneficiado pelo nepotismo ao ter sido nomeado no início da carreira na prefeitura de São Gonçalo, sob a gestão do pai, Capitão Nelson.

A inserção também buscou colar Ruas em Rodrigo Bacellar (União-RJ), ex-presidente da Alerj preso. Essa propaganda motivou a defesa de Ruas a protocolar na Justiça Eleitoral um pedido de inelegibilidade de Paes, como mostrou OGLOBO.

Paes defendeu que “não há nenhuma mentira ali” e citou o parecer do Ministério Público pelo indeferimento do pedido de suspensão da propaganda. Nos próximos dias, a campanha do candidato do PSD manterá o tom de ataques, dessa vez explorando a “fortuna” de Ruas.

— Isso ainda nós não contamos direito, mas vamos contar ao longo das próximas semanas toda a fortuna do milionário candidato Douglas Ruas. Um jovem de 37 anos que nunca fez outra coisa na vida a não ser política, puxado pelo pai, pelo Altineu (Côrtes, deputado e presidente do PL no Rio), de repente virou um milionário. São coisas que precisam ser apresentadas à população — afirmou Paes.

Eduardo Paes complementou que não se ofende com as propagandas do adversário que relembram as acusações contra ele na Lava-Jato. A diferença, disse, é que ele teria sido absolvido enquanto o grupo político de Ruas ainda deveria explicações, como nos casos dos ex-governadores Wilson Witzel (DC) e Cláudio Castro (PL).

Paes disse que precisa “explicitar” as ligações entre Ruas, Castro e Witzel, e minimizou as estratégias adversárias de colarem nele a ligação com Lula.

— Essa bengala que eles usam me irrita, porque eu sou eleitor do Lula, não escondo de ninguém, meu voto é no presidente Lula, mas eu não sou empregado do Lula, não sou dependente do Lula. O Lula não manda em mim, não penso tudo igual ao Lula, não sou do partido do Lula, o Lula é meu aliado. Mas eles não, eles ficam com essa história, estão usando a mesma estratégia do Witzel, do Cláudio Castro, esse filme a gente já viu.

Aliança com ex postulante a vice de Ruas

Paes aproveitou mais uma vez o apoio de Rogerio Lisboa (PP), ex-prefeito de Nova Iguaçu e que por pouco não foi vice de Douglas Ruas (PL), para uma agenda na cidade da Baixada Fluminense. Devido à forte chuva, a carreata teve baixa adesão. Em cima de um carro, Paes prometeu acabar com a “máfia” e o “poder paralelo” da região.

— A Baixada Fluminense vai ser transformada no nosso governo. Chega de remendo para a Baixada — afirmou Eduardo Paes, após agradecer ao apoio de Lisboa e de Dudu Reina (PP), sucessor de Lisboa na prefeitura de Nova Iguaçu e também presente na carreata. — Vamos acabar com a máfia. Chega de poder paralelo tomando conta do território.

O candidato ao Palácio Guanabara também celebrou os vereadores da cidade e disse que sua gestão vai criar uma “assembleia permanente de vereadores”. Dos 23 parlamentares da Câmara Municipal de Nova Iguaçu, 18 apoiam Eduardo Paes.

Rogerio Lisboa explicou que Eduardo Paes tem apoio da maioria dos prefeitos da Baixada Fluminense e minimizou a influência do voto bolsonarista na região. Tradicionalmente, o clã Bolsonaro é bem votado nesse território. Em Nova Iguaçu, por exemplo, segundo maior colégio eleitoral da Baixada, Jair Bolsonato teve 62,97% dos votos válidos no segundo turno de 2022.

— A gente sempre tem feito pesquisa aqui, o Eduardo ainda está muito na frente. À medida que o Douglas vai sendo conhecido, ele acaba pegando esse voto bolsonarista. Porém, o Bolsonaro tem um piso alto, mas um teto baixo. Então, ele emperra ali nos 30%, 30 e poucos por cento, e a gente vai seguindo. Aqui na Baixada tem o eleitor bolsonarista e o eleitor de direita que não é Bolsonaro e que vota muito no Eduardo também — disse Lisboa, que frisou sua posição de neutralidade na disputa presidencial.

Até julho, Rogerio Lisboa era o principal postulante ao cargo de vice de Ruas. Mas, a partir da decisão de neutralidade da federação União-PP, que até então negociava participação na chapa de Ruas, Lisboa passou a declarar apoio a Paes. Nova Iguaçu vem sendo um dos principais locais de campanha do ex-prefeito do Rio na Baixada Fluminense.

Em fevereiro, Lisboa publicou em suas redes sociais que aceitaria o “desafio ” de compor a chapa de Ruas”

— Sempre acreditei na política como instrumento de transformação real na vida das pessoas. Foi com esse propósito, e guiado pelos valores que orientam minha vida pública, que aceitei o desafio de caminhar ao lado do meu amigo Douglas Ruas como pré-candidato a vice-governador do Rio de Janeiro — disse na época.

Mas, há um mês, Lisboa mudou de posicionamento.

— Depois de pensar e buscar em Deus a sabedoria necessária para esse momento tão delicado, tomei uma decisão. Vou apoiar para o governo do Rio de Janeiro o ex-prefeito Eduardo Paes. Essa decisão não passa por questionamentos sobre a correção ou a vontade de fazer do outro candidato da disputa, o candidato Douglas Ruas. Ela foi tomada com base na urgência que o nosso estado tem em resolver seus graves problemas — disse.

Mais cedo, Eduardo Paes participou de uma agenda em Duque de Caxias ao lado do prefeito Netinho Reis (MDB) e Washington Reis (MDB). Ainda passou por Mesquita em seguida.

A família Reis é outra “dissidente” que agora apoia Paes. Washington Reis foi secretário estadual de transporte do governo Claudio Castro (PL) até julho do ano passado, quando foi exonerado após atritos com Rodrigo Bacellar (União) então presidente da Alerj e plano original na sucessão de Castro. Após a prisão de Bacellar, Douglas Ruas foi escolhido como candidato.

Aliado de primeira ordem de Paes e candidato a Senado, Pedro Paulo (PSD) não esteve na agenda. Mas seu material de campanha foi bastante distribuído, alem do jingle que era tocado a todo o momento, alternando com o jingle de Paes. Por outro lado, nao havia nenhuma referência a Benedita da Silva (PT), a outra candidata a senado da chapa.

Pesidente do diretório estadual do Progressistas (PP) no Rio de Janeiro, o deputado federal Dr Luizinho não esteve na agenda, mas as bandeiras da sua candidatura tomaram conta da área percorrida pela carreata, que partiu do bairro Jardim Tropical.

[Fonte Original]

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