Ao mesmo tempo, as consequências não se limitam às espécies comercializadas. Os pesquisadores apontam que o tráfico também pode aumentar os riscos associados a espécies invasoras e a doenças que podem ser transmitidas entre animais e seres humanos.
Apesar da dimensão do fenômeno, os pesquisadores apontam que ainda existem lacunas importantes para medir o volume real deste mercado e compreender melhor o comportamento dos consumidores, uma deficiência que dificulta o desenvolvimento de respostas eficazes.
O papel da África nas rotas do comércio ilegal
O continente africano ilustra algumas das dinâmicas do tráfico de espécies com especial clareza. A Universidade da Cidade do Cabo (UCT) destaca que, entre 2010 e 2021, cerca de 800 mil papagaios-cinzentos-africanos foram comercializados internacionalmente. Além disso, o monitoramento de contas de exportadores no Facebook no Togo permitiu identificar mais de 200 espécies diferentes colocadas à venda.
Na África do Sul, o bioma do Karoo Suculento – uma região árida, mas que abriga grande biodiversidade – oferece um exemplo claro de como esse mercado pode mudar rapidamente. Por lá, o gênero de plantas suculentas Conophytum, muito procurado por colecionadores internacionais desde 2019, registrou um aumento no número de coletores. Isso acabou saturando o mercado ilegal, e o preço da planta caiu aproximadamente para um centésimo do valor original em apenas três anos.
A queda de preços, contudo, não pôs fim à pressão sobre a fauna e a flora. Segundo a UCT, a coleta está migrando para outros tipos de plantas e para répteis.