Em horário eleitoral, Lula retoma ataques a Flávio e o senador exalta trajetória na campanha

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dividiu o seu último programa no horário eleitoral do primeiro turno, exibido nesta quinta-feira (1º), entre ataques ao senador Flávio Bolsonaro (PL), menção aos feitos do seu governo e compromissos para um eventual quarto mandato. Flávio fez um testemunho pessoal de toda a sua campanha até aqui e falou em “amor”.

O programa de Lula começou com uma sequência de acusações contra o adversário, com menções a suspeitas de lavagem de dinheiro, milícias e às relações de Flávio com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A peça também recuperou outros episódios negativos associados ao senador e à família Bolsonaro antes de mudar o tom e apresentar o presidente.

Lula fez então um relato de perdas pessoais e políticas ao longo da vida para dizer que o brasileiro “não aprende a perder, aprende a não desistir nunca”. Na sequência, afirmou que, ao voltar à Presidência, encontrou o país “quebrado” e listou como realizações de seu governo o controle da inflação, a redução do desemprego, o aumento da renda e a recuperação do SUS e da educação.

O petista também citou a isenção do Imposto de Renda para trabalhadores, a maior tributação dos mais ricos, ações de proteção às mulheres e o fim das bets. Entre as promessas, disse que os impostos sobre a cesta básica serão zerados em janeiro e reafirmou o compromisso com o fim da escala de trabalho 6×1 sem redução de salário.

Na segurança, Lula prometeu “sufocar o crime organizado” e retomar territórios controlados por facções, com combate à criminalidade “da sua esquina até o andar de cima”. Também voltou a defender a soberania nacional. “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, afirmou.

Na parte final, o presidente dirigiu uma mensagem específica às mulheres, a quem definiu como “a força que cuida e move este país”, e pediu votos com um discurso centrado na continuidade de seu governo. “Seu voto não é sobre mim ou sobre um partido político.”, disse.

Flávio, por sua vez, deixou de lado a apresentação de propostas e dedicou o programa de encerramento a um depoimento sobre o que disse ter aprendido durante a campanha. A peça mostrou muitas imagens de atos, caminhadas, carreatas e encontros do candidato com eleitores pelo país.

O senador disse ter conhecido de perto as dificuldades enfrentadas pela população, citando especialmente famílias que não conseguem mais “encher o carrinho” no supermercado. Afirmou ter ouvido mães, pais e trabalhadores e descreveu a campanha como uma experiência que o fez compreender sua “verdadeira missão”.

O tom emocional predominou durante toda a propaganda. Flávio agradeceu o apoio recebido e afirmou nunca ter recebido “tanto amor” em sua vida. “Amor com amor se paga”, disse. Em outro momento, afirmou que a energia encontrada nas ruas lhe deu forças para enfrentar o que chamou de “velho sistema, que funciona só para ele, mas não funciona para você”.

Ao apresentar a disputa como uma escolha entre esse sistema e uma mudança, o candidato afirmou que “ou o Brasil vence ou eles derrotam o Brasil”. O programa mostrou ainda crianças, jovens, idosos e trabalhadores manifestando apoio ao senador.

Ronaldo Caiado (PSD) também utilizou seu último programa para fazer um balanço da campanha. A propaganda apresentou o ex-governador como médico, pai de família e político com 40 anos de vida pública sem escândalos, além de destacar sua aprovação à frente do governo de Goiás e sua atuação no combate ao crime organizado e à corrupção.

Caiado procurou se colocar como alternativa à polarização, mas sem pedir ao eleitor que abandonasse suas convicções políticas. “Eu sei que você tem lados, eu também tenho e nunca escondi. Não te peço que mude de lado, peço que olhe pra frente”, afirmou. Disse que, no primeiro turno, o eleitor não precisa votar “contra esse ou contra aquele”, pediu voto e convocou seus apoiadores a tentar conquistar mais um ou dois votos entre familiares, amigos e vizinhos.

Augusto Cury (Avante) fez a propaganda mais curta dos quatro candidatos que participaram do horário eleitoral. A peça começou contrapondo gritos de “É Lula” e “É Bolsonaro” para criticar a polarização. “Há quanto tempo o Brasil vive essa mesma ladainha? Chega desse disco arranhado”, afirmou a propaganda. Cury apresentou sua candidatura como portadora de “novas ideias” e pediu votos.

Os programas foram ao ar no mesmo dia em que o Datafolha divulgou sua penúltima pesquisa antes do primeiro turno. Lula aparece com 42% das intenções de voto, contra 38% de Flávio. Os dois oscilaram dois pontos para cima em relação à rodada anterior, e a diferença permaneceu em quatro pontos. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, eles estão no limite do empate técnico.

Cury aparece em seguida, com 4%, enquanto Caiado e Renan Santos (Missão) têm 3% cada. Romeu Zema (Novo), Samara Martins (UP) e Veterinário Wilson Grassi (Democrata) registram 1% cada. Brancos e nulos são 5%, e 2% estão indecisos. Em votos válidos, Lula tem 45%, Flávio, 40%, Cury, 4%, e Caiado e Renan, 3% cada.

[Fonte Original]

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