O avanço das capacidades da inteligência artificial provocará mudanças muito mais velozes em todas as áreas, disse, neste sábado (17), o cofundador da Anthropic Jack Clark. Um dos modelos internos da empresa prevê que, sob determinadas condições, a tecnologia poderia elevar a produção econômica dos Estados Unidos em quase 50% até 2030.
Em discurso nas reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, em Bangkok, Clark afirmou que é necessária cooperação internacional para estabelecer “regras incomuns e rigorosas” para essa tecnologia transformadora e que o tempo disponível para os formuladores de políticas agirem está diminuindo.
Clark disse que a estimativa de um Produto Interno Bruto (PIB) potencial de US$ 44 trilhões para os Estados Unidos, ante o nível atual de pouco mais de US$ 30 trilhões, “parece muito fantasiosa, eu sei”. Mas acrescentou que a IA estava ampliando enormemente as descobertas científicas.
Segundo ele, a projeção pressupõe que “a tecnologia continue melhorando. E, se o PIB crescer tanto, a teoria econômica sugere que novas indústrias e invenções precisariam ter sido criadas para sustentar uma expansão econômica dessa magnitude”.
As declarações de Clark ocorrem enquanto a empresa se prepara para uma oferta pública inicial de ações prevista para novembro, que poderia avaliá-la em até US$ 2 trilhões.
Humanos no controle, por enquanto
Clark fez um alerta aos formuladores de políticas sobre a velocidade do desenvolvimento da IA, afirmando haver cada vez mais evidências de uma “singularidade”, na qual o avanço da inteligência artificial supera a capacidade humana de controlá-la.
“Devemos esperar que, nos próximos anos, todo o ritmo de progresso, não apenas da IA, mas da ciência como um todo, se acelere. Isso será confuso e desorientador e trará grande riqueza e, potencialmente, grandes perigos”, disse ele em uma palestra para centenas de autoridades governamentais e do setor financeiro.
A IA foi um dos principais temas das reuniões do FMI e do Banco Mundial, tanto como fonte de crescimento capaz de compensar os preços elevados da energia quanto como possível ameaça à estabilidade, caso não cumpra a promessa de transformar a produtividade e as avaliações das ações despenquem.
Autoridades também manifestaram preocupação com a possibilidade de a IA eliminar determinados empregos e deixar alguns países para trás.
Mas Clark, ex-jornalista que ocupa o cargo de “diretor de benefício público” da Anthropic, descreveu um futuro promissor no qual a IA amplia a capacidade de realizar descobertas científicas e resolve problemas matemáticos, de engenharia e biológicos, incluindo a descoberta de novos medicamentos, com pesquisadores humanos apoiados por centenas ou milhares de assistentes de IA.
Mais países podem participar da revolução da IA ao ajudar a construir a capacidade computacional dos centros de dados necessária para operar a tecnologia, afirmou.
Controles rigorosos sobre pesquisa biológica
Clark alertou que os líderes mundiais precisam compreender o poder que a IA terá e tomar decisões urgentes sobre como regular a tecnologia.
“A possibilidade de usar a IA na ciência também abre espaço para o uso indevido da ciência, para armas biológicas e cibernéticas e para coisas que ainda não conseguimos imaginar, e temos muitas escolhas a fazer”, disse.
A pesquisa biológica, área em que a IA já criou novos vírus, é um campo “no qual queremos a mais rigorosa supervisão humana e transparência para manter a segurança”.
Apesar de alguns episódios recentes de grande repercussão nos quais sistemas de IA que agiram fora dos parâmetros previstos escaparam de ambientes de teste e invadiram sites e bancos de dados, ele afirmou que a tecnologia ainda está sob controle humano. Mas o prazo para impor salvaguardas diminui à medida que a IA se torna mais capaz e agora se limita a “poucos anos”.
Clark também reconheceu que a IA está causando perdas de empregos em algumas áreas com “alta exposição à IA”, como centrais de atendimento e serviços de atendimento ao cliente. Mas, em outras áreas, como a pesquisa científica, ele afirmou que a tecnologia está ampliando o emprego e que uma grande incógnita era seu potencial para criar vagas em setores inteiramente novos.