Volumes e custos do minério de ferro e da VBM estão dentro do esperado, afirma Vale

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O vice-presidente executivo de finanças e relações com investidores da Vale, Marcelo Bacci, afirmou nesta sexta-feira (30), em entrevista sobre os resultados do terceiro trimestre que os volumes e custos do minério de ferro e da Vale Base Metals (VBM) estão dentro do esperado, assim como os recursos alocados em investimentos.

Segundo ele, o “capex” (investimento) está sob controle, a dívida está reduzindo, o que dá à empresa flexibilidade para crescer e continuar a remunerar os acionistas. O executivo afirmou que o resultado divulgado ontem ficou “um pouco melhor” que o esperado pelo mercado, o que se reflete na alta das ações da companhia.

Entre julho e setembro, o lucro líquido da Vale foi de US$ 1,255 bilhão, queda de 53% ante igual período do ano passado. Mas a receita operacional líquida ficou em US$ 10,599 bilhões, 2% acima do terceiro trimestre do ano passado. A dívida líquida expandida — que inclui os compromissos com a recuperação de Brumadinho e Mariana (MG) — terminou o trimestre em U$ 16,413 bilhões, queda de 1% ante igual período do ano passado. Os investimentos no período foram de US$ 1,250 bilhão, em linha com o terceiro trimestre do ano passado.

No momento, a ação da Vale sobe 3,70% na B3, cotada a R$ 62,27.

Perguntado sobre os programas de recompra e sobre possível dividendo extraordinário, Bacci lembrou que a companhia tem um programa de recompra de até 100 milhões de ações em aberto. “Nesse momento tivemos queda expressiva das ações e isso dá oportunidade para comprar. A gente acha que vai ter oportunidade nos próximos meses de fazermos recompras, mas não podemos antecipar nem volume nem ‘timing’”, disse Bacci.

O executivo afirmou ainda que os dividendos extraordinários “não devem acontecer este ano” devido ao cenário de grandes incertezas geopolíticas. “Preferimos ficar mais no lado conservador. À medida que cenário ficar mais claro, podemos discutir para 2027, mas ainda é cedo para falar sobre isso.”

Bacci afirmou ainda que atualmente não há cenário para expansão da produção de minério de ferro da companhia. O executivo ressaltou que a empresa dará a nova meta de produção para 2027 no Vale Day, que será realizado em dezembro em Nova York, e destacou que a mineradora terá que dar “alguma flexibilidade” para as projeções, porque a produção efetiva vai depender muito das condições de mercado. “Não deveremos ter nada substancialmente diferente deste ano, mas detalharemos no Vale Day”, disse.

Bacci reiterou que, para 2026, a produção ficará dentro da meta, mas próxima à parte inferior da estimativa de extrair entre 335 milhões e 345 milhões de toneladas.

Ele acrescentou que parte da produção de terceiros comprada pela Vale está em risco para o ano que vem, uma vez que a companhia não pretende manter compras que tenham resultado líquido negativo em um cenário de preços de venda menores para o minério de ferro no mercado transoceânico.

O executivo explicou que algumas compras de terceiros poderão ser mantidas na medida em que forem necessárias para utilização no processo de mistura para que o produto final seja exatamente o desejado pelos clientes. Mas ponderou que a própria produção da companhia pode ser utilizada para se chegar ao “blend” perfeito para o cliente caso as compras de terceiros fiquem demasiadamente custosas. Ele afirmou que a companhia seguirá buscando um portfólio diversificado.

Questionado sobre o Porto Sudeste, Bacci disse que a Vale desistiu de negociar uma vez que os próprios donos do ativo — Mubadala e Trafigura — desistiram de vender. O executivo detalhou, no entanto, que as conversas conduzidas pela Vale nunca consideraram a possibilidade de alocar capital para a compra do porto.

Perguntado também sobre o impacto para a companhia do possível do decreto sobre exploração mineral em cavidades, Bacci explicou que o efeito para a empresa não seria imediato, mas de longo prazo.

Bacci detalhou ainda que no terceiro trimestre o segmento de cobre, com preços em alta — no terceiro trimestre, o preço médio realizado pela Vale ficou em US$ 15.314 por tonelada métrica, uma alta de 56% ante igual período do ano passado — compensou o momento difícil para o minério de ferro.

Bacci afirmou que a empresa se prepara para todos os cenários políticos. O executivo ressaltou que a mineradora tinha estratégias diferentes tanto para o caso da eleição do candidato derrotado, Flávio Bolsonaro (PL), quanto para o cenário que se confirmou, com vitória do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Temos interação grande com o atual governo e não haverá interrupção”, disse Bacci, acrescentando que enviou para ambos os candidatos estudo que mostra que a mineração pode ser o motor de crescimento para o Brasil nos próximos anos, tanto nos minerais críticos, quanto no minério de ferro. Ele lembrou que o setor hoje responde por cerca de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, enquanto em países como Austrália e Chile esse patamar é de cerca de 10%.

Bacci frisou também que o estudo mostra que o total de impostos pagos pelo setor no país pode dobrar nos próximos anos caso determinadas medidas de incentivo sejam tomadas, chegando a R$ 1,3 trilhão. “[O estudo] Foi muito bem recebido e o governo terá esses insumos [o estudo] para trabalhar. A expectativa é muito positiva”, disse.

O vice-presidente executivo destacou que o plano de crescimento de cobre da companhia se dá quase todo no Brasil e afirmou que a expectativa da empresa é que a legislação de minerais críticos, aprovada este ano no Congresso, faça com que a produção de cobre fique ainda maior que o planejado. “Esperamos que a regulação seja um impulsionador para que possamos fazer até mais. Nosso plano não depende dessas mudanças. As mudanças podem permitir que se faça mais.”

Entre os pontos de atuação do governo e de interesse para a Vale está o decreto de cavidades, que versará sobre a exploração de minérios em cavernas subterrâneas. O tema é importante ambientalmente, uma vez que se tratam de biomas muitas vezes únicos e sensíveis. Bacci afirmou que a empresa monitora os desdobramentos sobre o decreto e acredita que a visão será “convergente” entre o que desejam o setor ambiental e o setor mineral.

“O decreto é parte necessária para avançar com a mineração. A visão deverá ser convergente e o decreto que vem sendo trabalhando já vem também harmonizado com a visão ambiental. Será uma visão equilibrada entre os diferentes stakeholders [partes interessadas]”, disse Bacci.

O executivo apontou ainda que a companhia está otimista para que o acordo sobre as outorgas das ferrovias da empresa tenha conclusão ainda este ano. O tema voltou a ser discutido com a posse de Lula em 2023, mesmo depois que a empresa conseguiu, no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) renovar as outorgas. “Outorga de ferrovias está em andamento. Acreditamos que teremos conclusão disso até o fim do ano.”

Bacci afirmou ainda que o Brasil sempre teve uma postura moderada em termos de questões geopolíticas, o que ajuda as empresas brasileiras em momentos como o atual.

“A Vale vende para o mundo todo. É uma companhia com exposição global e o Brasil sempre teve postura moderada. O governo nos últimos quatro anos teve postura moderada, de equilíbrio com diferentes forças geopolíticas e o nosso cenário base é que continuará dessa forma. Esperamos que a postura diplomática moderada continue e que as empresas se beneficiem disso”, disse.

— Foto: Leo Pinheiro/Valor

[Fonte Original]

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