Líderes da Igreja Católica nos Estados Unidos manifestaram desconforto após um encontro com o presidente Donald Trump, ocorrido na última semana na Casa Branca. Os bispos William Joensen e Jeffrey Grob afirmaram que a presença deles no Salão Oval, onde participaram de uma oração e discutiram pautas como liberdade religiosa e educação, foi explorada para fins eleitorais partidários.
Por que os bispos decidiram participar do encontro no Salão Oval?
Os religiosos foram convidados pelo Escritório de Fé da Casa Branca para tratar de temas cruciais para a comunidade católica. Entre os assuntos discutidos estavam o direito à vida, a dignidade dos imigrantes, a liberdade religiosa e o apoio à educação privada por meio da escolha de escolas. O objetivo era estabelecer um canal de diálogo para que as perspectivas da Igreja fossem ouvidas pela administração. Além disso, os bispos aproveitaram a ocasião para realizar uma oração pelo presidente, pedindo sabedoria divina na condução da nação, seguindo uma tradição de intercessão pelos governantes.
Qual foi a principal reclamação sobre a divulgação do evento?
A grande polêmica surgiu após a assessoria da Casa Branca publicar um vídeo do arcebispo James Golka conduzindo uma oração com Trump, sem qualquer contextualização sobre os temas debatidos. Bispos como William Joensen acusaram o governo de ‘exploração política partidária’, alegando que a imagem foi usada para sugerir um apoio eleitoral que não existia. Houve também relatos de que os prelados receberam garantias de que fotografias ou vídeos da reunião não seriam tornados públicos, o que gerou um sentimento de que a boa-fé dos líderes religiosos foi utilizada para ganho político.
Como a Igreja se posicionou em relação a um possível endosso político?
Os bispos foram enfáticos ao esclarecer que o encontro não representa um apoio oficial à candidatura de Donald Trump. Diversos líderes emitiram notas reforçando que a Igreja Católica é neutra e não endossa candidatos ou partidos. O arcebispo Jeffrey Grob chegou a pedir desculpas públicas por qualquer confusão causada pelas imagens, enquanto outros lembraram que o papel do clero é dialogar com autoridades de todos os níveis e vertentes, independentemente do partido. A Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos confirmou que não teve nenhuma participação na organização da reunião.
Qual foi a resposta da Casa Branca diante das críticas dos bispos?
A porta-voz da Casa Branca, Taylor Rogers, defendeu o histórico do presidente, afirmando que Donald Trump tem sido um grande defensor dos católicos americanos. Ela destacou ações do governo como a proteção dos direitos religiosos, o perdão a ativistas pró-vida e a oposição a procedimentos médicos específicos em crianças, reforçando a ideia de que a administração compartilha valores com o eleitorado cristão. No entanto, a equipe presidencial não respondeu diretamente às acusações específicas de Joensen e Grob sobre o uso indevido das imagens para fins de propaganda partidária.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.