Ibovespa Fecha Abaixo de 170 Mi Pontos com Bradesco entre Pressão

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O Ibovespa engatou a quarta queda seguida e fechada abaixo de 170 mil pontos nesta quinta-feira, com o Bradesco entre as maiores pressões de baixa, em meio a relatórios de analistas com tom mais negativo sobre o banco, assim como a Ambev, após resultado trimestral.

Dados de inflação nos Estados Unidos também ocuparam as atenções, enquanto os investidores seguem na expectativa de novidades sobre os planos para a economia, principalmente a questão fiscal, a partir do ano que vem, após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no último domingo.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 1,06%, a 169.186,42 pontos. No mínimo do dia, chegou a 168.765,35 pontos. Na máxima, a 171.402,97 pontos. O volume financeiro no pregão somou R$42,31 bilhões.

De acordo com o gestor de renda variável Luciano França, da Paramis Avantgard, depois do “choque” de segunda-feira, a bolsa entrou em um momento diferente, no qual o Brasil deixou de ser vendido em “bloco” e os posicionamentos passaram a separar quem depende mais de juro doméstico de quem ganha em dólar. “As quedas seguem exames em empresas alavancadas e sensíveis ao crédito, enquanto exportadoras e nomes defensivos seguram melhor.”

França destacou que a concentração é a parte longa da curva. “O juro curto se acomodou, mas o longo continua subindo. Isso mostra que a cobrança não é sobre a próxima decisão relativa à Selic, é sobre a trajetória fiscal dos próximos anos. Enquanto não há nomes para a equipe econômica e uma medida concreta de gastos, esse prêmio tende a ficar no preço”, afirmou.

Números divulgados pelo Banco Central mostraram que a dívida pública bruta do Brasil atingiu 82,93% do Produto Interno Bruto (PIB) em setembro, avançando acima do patamar de 82,87% registrado em agosto, alcançando o maior nível em mais de cinco anos. A dívida líquida, por sua vez, foi de 70% em setembro, de 69,3% no mês anterior.

“E o exterior também não ajuda. Com o Fed (Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos) mais inclinou a subir juros e a decepção com balanços de tecnologia, o apetite por risco diminuiu justamente quando o Brasil precisava de vento a favor.”

No exterior, o Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE), medida de inflação preferida pelo Fed, subiu 0,5% no mês passado, após um aumento não revisado de 0,3% em agosto, informou o Departamento de Comércio dos EUA, com uma taxa em 12 meses positiva de 3,6%, após um aumento não revisado de 3,4% em agosto.

Em Nova York, o S&P 500 fechou em baixa de 0,3%, em dia também negativo para o setor de tecnologia após os resultados da Alphabet reacendem preocupações com o aumento vertiginoso dos custos da inteligência artificial.

A B3 informou nesta quinta-feira que mudará a partir de janeiro de 2027 os procedimentos operacionais relacionados aos dados de início de vigência das carteiras de seus índices de renda variável, como o Ibovespa.

No próximo ano, a carteira entrará em vigor na segunda segunda-feira do mês inicial de vigência – janeiro, maio e setembro. Atualmente, ela começa a valer na primeira segunda-feira. A mudança já será aplicada no próximo rebalanceamento, em 11 de janeiro.

Destaques

• AMBEV ON caiu 4,4%, mesmo após lucro líquido acima do esperado no terceiro trimestre, com analistas chamando atenção para os volumes, que, no segmento Cerveja Brasil, apurou crescimento orgânico de apenas 0,5%. A companhia também aprovou um programa de recompra de até 190 milhões de ações.

• BRADESCO PN perdeu 3,54%, tendo como pano de fundo relatórios de analistas desfavoráveis ​​para o banco. A equipe do JPMorgan cortou a recomendação para neutra e prejudicial o preço-alvo de R$26 para R$18, enquanto os analistas do UBS BB reiteraram a recomendação de compra, mas diminuíram o preço-alvo de R$28 para R$22. O Itaú BBA já havia rebaixado o Bradesco para “market perform” na noite de terça-feira e cortou o preço-alvo de R$ 22 para R$ 20.

• BTG PACTUAL UNIT recuperou 4,05%, enquanto BANCO DO BRASIL ON cedeu 1,97% e ITAÚ UNIBANCO PN recuperou 0,6%. O SANTANDER BRASIL UNIT foi exceção entre os bancos do Ibovespa e fechou em alta de 1,19%. A sessão também foi marcada pela divulgação de dados de crédito no país em setembro, sem rompimento no comportamento da inadimplência em recursos livres.

• PETROBRAS PN cedeu 0,59%, em pregão com declínio dos preços do petróleo no exterior, enquanto dados mostraram que a estatal elevou sua produção de petróleo no Brasil em 12,4% entre julho e setembro ante o mesmo período do ano passado, para um recorde de 2,83 milhões de barris por dia (bpd), o que supera um pico que era previsto para ser atingido pela empresa apenas em 2028.

• VALE ON cedeu 2,17%, mesmo com a alta dos futuros de minério de ferro na China, com investidores na expectativa do resultado da companhia, que será conhecido após o fechamento do mercado. Estimativas de analistas compiladas pela LSEG apontam lucro líquido de US$1,38 bilhão para o Vale no terceiro trimestre.

• GERDAU PN avançou 5,69%, endossado pelo relatório de analistas do Itaú BBA, que elevou a recomendação das ações para “outperform”, bem como o preço-alvo de R$ 29 para R$ 31. No setor, CSN ON caiu 2,08% e USIMINAS PNA fechou em baixa de 3,87%.

• MINERVA ON caiu 6,92%, em mais uma sessão de perda significativa. No setor, porém, MBRF ON cedeu 1,85% e JBS, que está listada nos EUA, subiu 2,53%.

O dólar fechou em alta no Brasil, apoiado pelo avanço da moeda norte-americana ante outras divisas de emergentes no exterior e pelas preocupações em torno do novo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O dólar à vista encerrou com elevação de 0,76%, a R$ 5,3875. No ano, a divisão passou a acumular baixa de 1,85%.

Às 17h04, o dólar futuro para novembro subia 0,86% na B3, para R$ 5,3950.

Os Estados Unidos divulgaram pela manhã que o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu 3,4% no terceiro trimestre do ano, acima da projeção de 3,2% de economistas ouvidos pela Reuters, enquanto os gastos do consumidor em setembro avançaram 0,5%.

Já o núcleo do índice de inflação PCE, bastante acompanhado pelo Federal Reserve para a formulação da política monetária, subiu 0,3% em setembro, em linha com o esperado. O PCE cheio avançou 0,5% no mês passado.

Após os números, o dólar acelerou ganhos ante divisas como o peso mexicano, o peso chileno, o rand sul-africano e o real.

No caso da divisa brasileira, as cotações também trouxeram suporte no atual cenário pós-eleitoral, de dúvidas sobre o próximo mandato de Lula.

Ao mesmo tempo em que aguardavam os cronogramas sobre quem ocupará em 2027 as principais pastas, como o Ministério da Fazenda, os agentes esperavam por detalhes sobre como será a política fiscal do novo governo. O controle das contas públicas segue como a principal preocupação dos investidores.

“As preocupações com o fiscal, com a nova equipe econômica, que o Lula parece não ter pressa em anunciar, tudo isso traz um movimento de proteção”, comentou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik, ao explicar o avanço da moeda norte-americana. “E lá fora o dólar também está sobe ante as outras divisas de emergentes.”

Às 15h26, o dólar à vista atingiu a cotação máxima intradia de R$ 5,4302 (+1,56%).

“Acompanhando essa tensão local e a busca natural por proteção de patrimônio, o dólar comercial registrado uma forte valorização frente ao real”, reforçou Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad.

Segundo ela, o avanço do dólar “evidencia um movimento de saída de risco, refletindo não apenas as preocupações com o futuro das contas públicas no Brasil, mas também a influência direta de um cenário macroeconômico global que aponta para um acordo financeiro prolongado”.

Ainda em relação ao noticiário político, o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado à Presidência da República, chegou na quarta-feira aos EUA após fugir do Brasil.

Investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) por lavagem de dinheiro e evasão de divisas, Flávio se declarou em carta “presidente legítimo eleito” e, posteriormente, “líder do Brasil”.

Os partidos da base de apoio de Flávio, no entanto, confiaram na eleição de Lula.

No mercado, um dos recebimentos é de que a presença de Flávio nos EUA eleve os atritos do país com o Brasil, o que poderia afetar a economia e, sem limite, o câmbio.

No exterior, às 17h07 o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caiu 0,16%, para 101,960.

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