Lula usa último programa para atacar Flávio, e rival aposta em sertanejos e oração

- Advertisement -spot_imgspot_img
- Advertisement -spot_imgspot_img

Os últimos programas eleitorais de Luiz Inácio Lula da Silva  (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), exibidos nesta sexta-feira, concentraram ataques do petista ao rival e tentativas de reforçar suas mensagens na reta final da campanha. Na propaganda do presidente, que busca a reeleição neste domingo, participaram a apresentadora Fátima Bernardes, o jogador Richarlison e o vice na chapa, Geraldo Alckmin, enquanto Flávio usou declarações de cantores sertanejos que o apoiam na corrida eleitoral.

Metade dos cinco minutos da propaganda do petista foram dedicados a atacar o adversário. Uma locutora afirma no início que “em ato de desespero a campanha de Flávio Bolsonaro ataca o presidente Lula com mentiras e fake news”. Em seguida, são listados, nas palavras da campanha petista, “fatos comprovados que Flávio tenta esconder”.

A propaganda enumera, então, a atuação do candidato do PL como defensor do policial militar acusado de matar a menina Ana Clara Gomes Machado, de 5 anos, o seu voto contra o aumento da licença maternidade das servidoras do estado do Rio quando era deputado estadual e os planos de cortar R$ 250 bilhões do orçamento caso seja eleito. A locutora da campanha de Lula frisa que Flávio não diz de onde irá cortar os recursos, mas “a gente sabe que vai cortar salário, aposentadoria e programas sociais como farmácia popular e o Bolsa Família”.

Fala também do fim da escala 6 x 1: ”Flávio se reuniu com empresários para anular o fim da escala 6 x 1”. Exibe ainda uma fala de Flávio defendendo a privatização da Petrobras e diz que isso significa “combustível mais caro na bomba”.

A propaganda petista acusa Flávio de ser “defensor das milícias”, diz que “homenageou duas vezes o líder do maior grupo de matadores de aluguel do Brasil”, em referência a Adriano da Nóbrega, e “repassou R$ 200 mil para um miliciano condenado pela morte da vereadora Marielle Franco”.

Ao fim do trecho de ataques, a propaganda petista questiona: “Já reparou que onde tem esquema de corrupção Flávio Bolsonaro está no meio?”. São citados o caso Master, as relações com o advogado Willer Tomaz e o episódio da ilha do jogador Richarlison. É mostrado então um vídeo em que o atacante do Tottenham acusa o candidato do PL e o advogado Willer Tomaz de terem atuado para lhe tomar a ilha.

Depois da parte dos ataques, é feito um corte para a abertura da parte da propaganda em que Lula aparece. O presidente fala das suas realizações, mas reconhece, em linha com o tom que a campanha adotou neste segundo turno:

—Sei que ainda temos muito a avançar. Mas o Brasil de hoje é melhor do que o Brasil que encontrei.

O petista também diz que “o Brasil não vai ficar melhor cortando seus direitos e conquistas, nem desrespeitando as mulheres e muito menos colocando um miliciano para cuidar da segurança”.

Depois de Lula, Alckmin faz uma fala em que diz que o país “não precisa de radicalismo”.

— Pessoas de esquerda e de direita perceberam que é hora de união contra o risco maior, a volta do bolsonarismo — afirma o vice.

O programa prossegue com um vídeo de Fátima Bernardes afirmando que “você não precisa ser lulista nem petista para votar no Lula e no Alckmin, basta ser um defensor da democracia”.

Lula encerra o programa falando que domingo é “um dia que vale por muitos anos” e que “a mudança é no rumo certo”.

Sertanejos e apelo por votos

Já o programa de Flávio aposta em emoção, agradecimento e manifestações de apoio de artistas sertanejos para marcar o encerramento da propaganda gratuita no rádio e na televisão.

Antes da aparição do senador, a peça mostra um grupo de pessoas tocando instrumentos musicais ao som do hino nacional. Na sequência, reúne nomes como Gusttavo Lima, Marrone e Rodolffo, ex-participante do Big Brother Brasil e cantor sertanejo, e combina uma retrospectiva da campanha com um apelo para que os apoiadores intensifiquem a busca por votos antes do segundo turno.

A presença dos artistas ocorre depois de Flávio se reunir com nomes da música sertaneja em Goiás, nesta semana. No mesmo dia, o candidato afirmou que pretende retomar o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse), criado em 2021 para socorrer empresas afetadas pelas restrições durante a pandemia de Covid-19, mas que foi encerrado em 2025, após atingir o limite de R$ 15 bilhões em renúncias fiscais.

Em clima de despedida, o senador relembra o contato com eleitores durante as viagens pelo país e afirma ter sido transformado pela experiência. Ele também agradece pelas manifestações de carinho que recebeu ao longo da campanha e afirma que os encontros reforçaram sua disposição para assumir a Presidência.

— Eu tive uma aula de Brasil com vocês, vocês me levaram para andar pelo Brasil real. Eu aprendi com vocês, eu nunca mais vou ser o mesmo — diz.

A estratégia, segundo interlocutores da campanha, foi dar ao último programa um tom emocional, com agradecimentos e uma retrospectiva do contato de Flávio com eleitores em diferentes regiões do país. A ideia foi valorizar os encontros ao longo da campanha, reforçar a conexão construída com os apoiadores e encerrar a propaganda com uma mensagem de esperança e mobilização para o segundo turno.

O tom de agradecimento também alterna com críticas ao cenário atual e ao adversário. Flávio apresenta a eleição como uma escolha entre a continuidade e a mudança, citando a insegurança pública e as dificuldades econômicas enfrentadas pelas famílias, temas recorrentes ao longo da campanha.

— Você vai escolher se vai viver com medo ou se os bandidos é que vão ter medo de nós — diz.

Em seguida, menciona o endividamento e a perda de poder de compra.

— Você vai escolher se vai continuar vivendo nesse Brasil que só piorou, em todo mundo endividado, carrinho de compra vazio. Ou se vai viver num país melhor, que você vai prosperar.

Apelo para comparecer às urnas

Na parte final, a peça concentra o discurso na mobilização eleitoral. Flávio tem insistido na importância de comparecer às urnas e tenta alcançar eleitores que se abstiveram no primeiro turno, quando 33,4 milhões de pessoas deixaram de votar, o equivalente a 21% do eleitorado. Em uma disputa apertada, a campanha busca estimular não apenas o voto de seus apoiadores, mas também a mobilização de pessoas próximas.

O apelo ocorre após a divulgação, nesta quinta-feira, de uma pesquisa Datafolha que mostra Flávio com 47% das intenções de voto, contra 46% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A diferença está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Nos votos válidos, que excluem brancos, nulos e indecisos, os dois aparecem com 50% cada.

— E agora é hora de força total. Fala com todo mundo, chama sua família, seus amigos, peça voto. Leve gente pra votar com você — afirma Flávio no programa.

A convocação é acompanhada de um alerta sobre o sigilo do voto e a liberdade de escolha do eleitor. Flávio pede que os apoiadores não se intimidem diante de eventuais pressões e reforça a importância de levar familiares e amigos às urnas.

A religiosidade também marca o encerramento do programa, que termina com uma oração e uma mensagem de fé.

[Fonte Original]

- Advertisement -spot_imgspot_img

Destaques

- Advertisement -spot_img

Últimas Notícias

- Advertisement -spot_img